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Círculo da Inovação

Padre madeirense assume filho e continua na paróquia

Marta Caires

“JM - Madeira”

O padro Giselo Andrade ao lado do bispo da Madeira, D. António Carrilho

Bispo do Funchal mantém o pároco do Monte mesmo depois das notícias que dão conta que o padre assumiu a paternidade de uma menina nascida em agosto. Diocese fala em tristeza, mas lembra que é preciso respeitar a dignidade das pessoas envolvidas

O pároco do Monte, freguesia do Funchal, assumiu a paternidade de uma criança, uma menina nascida em agosto deste ano, mas até nova decisão o bispo do Funchal mantém o padre à frente da paróquia. Giselo Andrade celebrou missa este domingo, numa altura em que o caso faz manchetes nos jornais e sites de notícias da Madeira.

Embora considere o assunto como “um contratestemunho daquela que deve ser a vida de qualquer sacerdote”, o gabinete para a comunicação social da diocese do Funchal esclarece que “caberá ao próprio discernir, em diálogo com o bispo, se pretende continuar a exercer o ministério sacerdotal segundo as exigências e normas da Igreja ou se pretende abraçar outra vocação”. Apesar da tristeza com que a diocese recebeu as recentes notícias, a maior preocupação é garantir o “respeito pela dignidade das pessoas”.

A criança que o padre Giselo registou como sendo sua filha nasceu em agosto e o segredo, esvreve o jornal madeirense “JM”, era conhecido na diocese há meses. O bispo D. António Carrilho optou por manter o padre na paróquia durante os meses em que durou o segredo e mesmo depois.

Todos os anos, em setembro, a diocese torna pública as mudanças de padres nas paróquias. Este ano a lista demorou a ser conhecida e, quando saiu, este sábado, tinha como principal surpresa a manutenção do sacerdote no Monte.

O gabinete de comunicação social da diocese adiantou ao Expresso que o padre Giselo Andrade pretende manter--se no cargo. “O sacerdote deseja continuar no exercício do seu ministério sacerdotal e sente que tem o apoio da comunidade paroquial do Monte, mas não deixa de ponderar colocar o seu lugar à disposição da diocese para que se procure o que for melhor para a Igreja”. Sendo certo que, neste caso, o padre deverá “assumir as suas responsabilidades”. O certo é que o padre celebrou missa no Monte, este domingo, e agradeceu o apoio dos fiéis neste momento complicado.

A filha do padre Giselo era um assunto conhecido entre o clero madeirense há vários meses e o bispo D. António Carrilho terá tentado gerir o processo com cautela, terá até cancelado alguns pontos da agenda numa altura em que a diocese do Funchal enfrenta algumas situações delicadas.

Um outro padre, que estava em licença sabática, suspendeu o sacerdócio. A existência de um filho é a prova de que o padre quebrou o voto de celibato, mas, de momento, está fora de questão a abertura de um processo. O momento exige, segundo a diocese, “acompanhamento pastoral e o discernimento”.

Enquanto se lembra que ao assumir uma filha, o padre quebrou o voto de celibato e que isso terá consequências do ponto de vista canónico, a verdade é que os fiéis não faltaram à missa este domingo.

Dentro do clero, a voz que sobressai é do padre José Luís Rodrigues, que mantém um blogue e é muito ativo nas redes sociais. Num curto texto onde alude ao “Crime do Padre Amaro”, ataca os críticos do padre Giselo e lembra que “parece que passamos a viver numa sociedade tão perfeita que deixou de haver traição, adultério, infidelidade, filhos fora do casamento”. Uma sociedade onde “tudo é tão impecável, tudo tão honesto, tudo tão bonitinho, tudo tão fiel, tudo tão feliz”.

De momento, a opção da diocese do Funchal é de cautela, como tem sido nos últimos meses, um período complicado para a Igreja na Madeira. Também em agosto, e também no Monte, a queda de uma árvore sobre a multidão que esperava pela procissão e pagava promessas no Largo da Fonte fez 13 mortos e perto de 50 feridos. A tragédia abalou os devotos de Nossa Senhora do Monte e criou um desentendimento entre a diocese e a Câmara do Funchal sobre quem seria o real proprietário dos terrenos onde estava plantada a árvore que caiu sobre a multidão.

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