Um projeto Menu

Círculo da Inovação

É mais difícil empreender em Portugal, acreditam empresários

Rute Barbedo

A BA Glass é um dos feitos que valeu a atribuição do prémio da EY a Carlos Moreira da Silva em 2009

Manuel Alfredo de Mello, Carlos Moreira da Silva e Carlos Martins representam a geração empresarial pré-25 de abril, um tempo em que “tudo era possível”

“Continua a ser muito difícil ter, gerir e desenvolver empresas em Portugal”, afirma Manuel Alfredo de Mello, considerado Empreendedor do Ano de 2014 pela EY, numa conversa com o Expresso a propósito do arranque da sétima edição portuguesa do prémio. Para o presidente da Nutrinveste, “a burocracia e até a hostilidade ao que é privado é muito forte e condiciona muito os resultados”.

Ainda assim, desde 1956, o ano em que esta empresa movida pelo azeite foi criada, o mundo dos negócios transformou-se significativamente. “Hoje, Portugal está num mercado aberto e mais competitivo, onde é mais difícil ter crescimentos brutais”, acrescenta o também vencedor do prémio da EY, em 2009, Carlos Moreira da Silva, da BA Glass. Por esse motivo, “talvez não haja outros Belmiro de Azevedo ou Soares dos Santos” no tecido empresarial português. “O que há”, acredita, “são pessoas muito mais preparadas para um mundo que se tornou global”.

Carlos Martins, cofundador da Martifer e Empreendedor do Ano de 2017, não se desvia desta linha de pensamento, considerando que teve “a sorte de nascer numa geração em que tudo era possível”. “Acho que é mais difícil ser-se empreendedor hoje, porque a globalização veio dificultar essa tarefa”, admite.

Os empreendedores que têm conseguido dar cartas neste mercado global serão distinguidos novamente pela EY. As candidaturas ao prémio estão abertas até ao final do ano e o vencedor será conhecido em março de 2018.

Entrepreneur Of The Year