A luz do sol vence Open Innovation
12h20 - 31.10.2017
Nuno Botelho
António Vidigal (EDP Inovação), Lívia Brando (EDP Brasil), Maria Yolanda Fernandez (EDP Espanha), António Lucena de Faria (Fábrica de Startups), Raul Carvalho das Neves (Impresa), Andrea Barber (Rated Power, 1º lugar), Csaba Sulyok (COSOL, 2º lugar), Pedro Mendes (Invoice Capture, 3º lugar) e Luís Manuel (EDP Inovação) na atribuição dos prémios do EDP Open Innovation 2017
Na sessão que marcou o final da 6ª edição do projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP, a equipa espanhola Rated Power sagrou-se vencedora do prémio de €50 mil com uma ideia de negócio que acelera e otimiza a implementação de centrais fotovoltaicas
Comecemos pelo início. Literalmente. Sim, a partir do primeiro momento em que inspiramos e expiramos quando saímos do útero. Por incrível que possa parecer, estamos logo a fazer um pitch, o da nossa existência. Pelo menos a acreditar nas palavras de Christoph Sollich, o “Pitch Doctor” que começou a sua apresentação à plateia do Investment Pitch com a imagem de um bebé, para ilustrar como estamos sempre a apresentar algo (pode conhecer melhor as suas dicas para um pitch perfeito na página ao lado). E foram precisamente as apresentações de três minutos dos finalistas do EDP Open Innovation a razão de ser do dia que nos deu a conhecer os grandes vencedores do programa.
Com condução de João Paulo Sousa e perante o cenário inspirador da sala dos geradores do Museu da Eletricidade em Lisboa, o prémio final de €50 mil para a melhor ideia de negócio do projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP foi atribuído pelo júri — composto por Raul Carvalho das Neves, Grupo Impresa; António Vidigal, EDP Inovação; Lívia Brando, EDP Brasil; Maria Yolanda Fernandez, EDP Espanha; e António Lucena de Faria, Fábrica de Startups — à Rated Power, equipa que veio de Espanha com um modelo de negócio que passa por acelerar e otimizar a implementação de centrais fotovoltaicas para alimentar os sectores industriais.
“Fazemos engenharia em minutos, não em meses” é o seu slogan, e Andrea Barber (que participou no programa com Miguel Angelo Torrer) confessou que a vitória os apanhou “completamente de surpresa”, sobretudo por se terem visto rodeados “de muito boas equipas”, que tornam imprevisível qualquer desfecho, do “último ao primeiro lugar”. O anúncio do nome foi um momento “de muita emoção” e que coroa um período cujo balanço só podia ser “de grande sucesso”, pelas pessoas que conheceram e dicas que receberam. Com tempo para preparar-se para o grande momento, “até deu para dormir”, contou entre risos. Agora é ficar por Portugal, até porque a Web Summit 2017 já se avizinha no horizonte (6 a 9 de novembro).
Jogar para ganhar
Uma jornada intensa, que se prolongou ao longo das últimas três semanas na sede da EDP, centro de operações dos oito bootcamps organizados e planeados pela Fábrica de Startups (parceiros da sexta edição do projeto que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação), onde as equipas batalharam e esforçaram-se para que o seu modelo de negócio ganhasse bases sólidas em sessões árduas de trabalho que juntavam a teoria à prática, sempre com ligação a mentores que procuraram orientar os participantes. “Agora conhecem-nos, a porta nunca está fechada”, como lembrou o membro da comissão executiva da EDP Inovação, Luís Manuel. Por outras palavras, “não há nenhuma razão para estas empresas acabarem”.
Além dos grandes vencedores, as duas equipas que completam o pódio também garantiram um lugar na Web Summit e entrada na EDP Starter, para completar um programa que não vale só por estes prémios. A startup coordinator do grande evento do empreendedorismo, Violeta Malheira, recordou às equipas que estão perante “uma oportunidade única de apresentar as suas ideias”.
Oportunidade que Pedro Mendes e João Madureira, da Invoice Capture, não têm intenção de desperdiçar. Oriundo da cidade Invicta, Pedro afirmou sem pejo, na sequência do terceiro lugar conquistado pela sua empresa, que jogam “sempre para ganhar, tal como o FCP”. Com um modelo baseado numa ferramenta digital de organização financeira que trata automaticamente de todos os processos ligados a pagamentos, enquanto providencia análise em tempo real e previsão de fluxos de dinheiro, acredita terem uma ideia que se pode expandir “à escala internacional”, uma espécie de “alfândega das dívidas”.
Gostam de “ir à luta” e o programa é uma forma de “acelerar uma série de processos” que de outra forma poderiam demorar “três meses ou um ano”. Além de muitas reuniões, acrescentaram novos focos à ideia, que podem ajudar a ter mais sucesso. O feedback positivo ao longo deste período fez acreditar que “poderiam estar no top 6” e a confirmação é mais uma prova de uma experiência que já encaravam como “muito positiva”, até porque “quem corre por gosto não cansa”.
É a pressão de inovar a que o CEO da Fábrica de Startups, António Lucena de Faria, aludiu quando recordou que “as grandes empresas precisam de mudar e estar ao corrente das grandes novidades”. Processo que só tem a ganhar se “olharem mais para as startups”. Uma ajuda que fez o presidente da EDP Inovação, António Vidigal, confessar mesmo ser “egoísta”, por querer “trabalhar” com estas ideias que podem contribuir para “descobrir o caminho em frente”.
Como acredita Csaba Sulyok, o húngaro da COSOL que quando questionado como foi para o Brasil criar uma empresa respondeu prontamente: “Fui de avião.” Foi o convite para umas férias em 2010 que o levaram a ficar pela América do Sul, onde ganhou uma bolsa de estudo, completou a formação e (juntamente com Paloma Passos) lançou a ideia que agora lhe valeu o segundo lugar na competição, um mercado online de distribuição de energia renovável que de outra forma seria desperdiçada. “Não esperava, até porque o meu modelo de negócio pode ser disruptivo para a EDP. Mostra como olham a longo prazo”, atira, enquanto elogia o programa por os ter feito “repensar certas coisas e fazer mudanças” que podem ser benéficas. Para a Web Summit, o foco passa agora por encontrar “um grande investimento — entre €100 e 300 mil — que complemente o que já receberam de €25 mil. E ganhar escala para a ideia. Como lembrou Luís Manuel, “o mais importante é o dia de amanhã”.
As 14 ideias finalistas de A a Z
ALADYN SYSTEM
CATEGORIA Mobilidade elétrica
PAÍS Espanha
IDEIA Desenvolver um sistema de transferência de energia por wi-fi sem necessidade de cabos ou baterias, que tanto pode ser utilizado para telemóveis como componentes industriais, por exemplo
COSOL
CATEGORIA Tecnologias de informação PAÍS Brasil
IDEIA Mercado online de distribuição de energia renovável
CUBI
CATEGORIA Eficiência energética
PAÍS Brasil
IDEIA Tornar a eletricidade visível aos gestores através de uma ferramenta completa de monitorização de energia elétrica focada na identificação de desperdício e na sua otimização para uso industrial
DCBRAIN
CATEGORIA Tecnologias de informação
PAÍS França
IDEIA Criação de um algoritmo e software de inteligência artificial aplicado a redes energéticas para visualizar, prever e estimular consumos com recurso a sensores de monitorização
ENERCRED
CATEGORIA Tecnologias de informação
PAÍS Brasil
IDEIA Plataforma para gerar dinheiro a partir de créditos de energia renovável
FLEXIDAO
CATEGORIA Tecnologias de informação
PAÍS Espanha
IDEIA Carregador inteligente de veículos elétricos através de tecnologia blockchain para maximizar o potencial de consumo doméstico
GESINNE
CATEGORIA Eficiência energética
PAÍS Espanha
IDEIA Desenvolver, produzir e vender dispositivos utilizados para proteger fábricas (e outras unidades de produção) contra problemas nas redes elétricas com resultados na qualidade e poupança de energia
HELPPIER
CATEGORIA Tecnologias de informação
PAÍS Portugal
IDEIA Ferramenta de apoio online que permite a empresas criar tutoriais e guias passo a passo sem necessidade de competências de programação
HIQ ENERGY
CATEGORIA Eficiência energética
PAÍS Espanha
IDEIA Tecnologia de poupança energética para uso doméstico, industrial e comercial, com uma app para ver os consumos em tempo real e um algoritmo de inteligência artificial para juntar o big data destas informações
INVOICE CAPTURE
CATEGORIA Tecnologias
de informação
PAÍS Portugal
IDEIA Ferramenta digital de coleta financeira que trata de todos os processos ligados a pagamentos, enquanto providencia análise em tempo real e previsão de fluxos de dinheiro
RADEK SYSTEMS
CATEGORIA Tecnologias
de informação
PAÍS Brasil
IDEIA Software analítico criado para proteger a faturação de potenciais roubos de energia
RATED POWER
CATEGORIA Energia solar
PAÍS Espanha
IDEIA Acelerar e otimizar a criação de centrais fotovoltaicas para alimentar o sector industrial. “Fazemos engenharia em minutos, não em meses” é o seu mote
SII SMART BUILDINGS
CATEGORIA Eficiência energética
PAÍS Espanha
IDEIA Controlador que incorpora dez das tecnologias existentes nos edifícios mais avançados do mundo e permite instalá-las noutros edifícios, com redução dos custos operacionais em 40% e melhorias na segurança
SUNFLOWER POWER SYSTEM
CATEGORIA Eficiência energética
PAÍS Espanha
IDEIA Sensor que deteta qual é o posicionamento mais eficaz de um dado painel fotovoltaico
10 conselhos para o pitch perfeito de uma startup
Conhecido pelo sugestivo nome de “The Pitch Doctor”, o alemão Christoph Sollich, convidado de honra do evento, enumerou 10 recomendações para o leitor. Saiba o que o especialista na arte das apresentações aconselha
1. A vida é um pitch
As startups promovem-se a toda a hora, mas isso também é válido para todas as empresas. Quer alguma coisa do seu chefe? Faça um pitch! Quer alguma coisa do seu marido ou mulher? Faça um pitch! A primeira regra para boas apresentações é ter a noção que a vida é um pitch — por isso é melhor não ser mau a fazê-los.
2. A prática
Dar a conhecer uma ideia em palco perante uma plateia é assustador. Mas as boas notícias são: ser capaz de fazer um bom pitch não é um talento que cai dos céus. Com prática suficiente, qualquer um pode ser capaz de apresentar. Confie em mim, já trabalhei com milhares de pessoas, e se eles foram capazes de o fazer, você também é.
3. Trabalho de casa
Se é fundador de uma startup pela qual tem um apreço muito grande, não aborde o pitch de forma leviana. Há muitas razões para falhar, mas esta apresentação não deve ser uma delas. Por isso, não espere pelo dia anterior para se preparar e não pense que subitamente vai saber o que dizer. Faça o trabalho de casa!
4. Apontar ao coração
Apresentar não tem só a ver com demonstrar factos. Embora seja uma parte importante, a primeira que deve conseguir com o seu pitch é que as pessoas se preocupem. Porque, no início, não o fazem. Tem que primeiro conseguir uma reação emocional, dirigir-se ao coração e só então o cérebro começará a olhar para os dados.
5. Em cinco minutos
Provavelmente pensa que a sua ideia é tão complexa que não vai consegui-la explicar em cinco minutos. Está errado. Qualquer ideia pode ser apresentada nesse tempo. Para o fazer, tem que ver além dos olhos do seu público: o que sabem e o que precisam de saber para perceber a minha ideia? Torne-a mais simples, compare-a a algo que eles já conheçam. Não fique refém do seu conhecimento — já sabe demasiado sobre a sua ideia.
6. Sempre a solução
Comece o seu pitch pelo problema que os potenciais clientes têm. Se conseguir que a plateia sinta as “dores” do público alvo, deu um passo crucial. Agora as pessoas estão ansiosas para ouvir a solução para o problema que estão a sentir. Logo que apresente essa resposta, vão sentir-se aliviados e felizes — exatamente o que pretende.
7. Trio essencial
Se faz parte de uma startup a apresentar a investidores, não se esqueça de falar das três coisas com as quais eles mais se importam: a equipa (porque é que são o grupo certo para fazer esta ideia acontecer?), o mercado (quão atrativo é, e porque é que é a altura certa para entrar?) e a tração (o que já conseguiram que mostre que o risco é mais baixo do que possam pensar?).
8. Criar entusiasmo
Qual é o “Santo Graal” dos pitches? É precisão. Para apresentar ideias num curto espaço de tempo, tem que dizer exatamente o que precisa de dizer, nem mais, nem menos. Cada palavra conta. Porque fazer toda a gente perder tempo com uma apresentação de 30 minutos, se um pitch de cinco minutos faz um trabalho melhor e deixa as pessoas entusiasmadas com a ideia?
9. Diversão no pitch
Tão importante como “o que diz” no pitch é “a forma como disse.” Se quer que as pessoas se preocupam (ver quarta dica), tem que mostrar que também se preocupa. Mostre que gosta do que está a falar e o público vai gostar também. E não se esqueça de divertir-se enquanto apresenta — e a plateia também vai divertir-se.
10. Slides para ouvir
Se está a apresentar em palco, é provável que utilize diapositivos como o Powerpoint ou o Keynote. Enquanto slides com muito bom aspeto não vão salvar um pitch mal construído, é seguramente possível que maus slides arruínem um bom pitch. Esqueça os diapositivos empresariais, com tanta informação que as pessoas não sabem se hão de o ouvir ou tentar ler todo o texto. Pista: devem-no ouvir a si! Facilite-lhes a vida com diapositivos com imagens e pouco texto. Qualquer coisa no diapositivo que possa distrair, vai fazê-lo.
Textos originalmente publicados no Expresso de 28 de outubro de 2017
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