Portugal tem onda. Diz o americano... o inglês e o italiano
14h46 - 21.08.2017
Tiago Miranda
O surfista Simon Einstein veio para Portugal há três anos para tirar um mestrado e acabou por encontrar “o sítio ideal para ficar” e trabalhar
Portugal é cada vez mais a casa de estrangeiros que procuram o país pelo ecossistema dinâmico e pelo talento disponível, além do clima. Conheça três exemplos
Era um segredo bem escondido, andei pela Europa e nunca tinha pensado em Portugal. Até que aqui vim e pensei: isto é tudo o que eu queria!” Quem o diz é Simon Einstein, norte-americano de 27 anos, sentado na esplanada da praia da Riviera em plena Costa da Caparica, um dos seus locais de eleição para o desporto que o trouxe para cá em lazer e em trabalho. Falamos do surf. É a velha máxima de juntar o útil ao agradável. Sem esquecer que, como em qualquer história de empreendedorismo que se preze, há percalços pelo caminho.
Californiano, filho de pais suíços, não se lembra de uma altura em que o seu sonho não fosse passar “a vida a viajar”. A crescer no estado dos Beach Boys e onde a cultura do surf impera, apaixonou-se pela atividade que é uma das imagens de cartaz do empreendedorismo de marca portuguesa, virado para o estrangeiro. Se no ecossistema português se respira dinamismo agora sente-se a necessidade de criar algo sustentável com bases para o futuro.
Processo para o qual tem contribuído o EDP Open Innovation, projeto de empreendedorismo do Expresso e da EDP. A competição de novas ideias de negócio — que resulta da união entre o Energia de Portugal e o Prémio EDP Inovação — parte este ano para a sexta edição e aceita equipas de todo o mundo que se candidatem a partir de Portugal, Espanha ou Brasil até 23 de agosto (vejam como pode ser o processo no jogo da glória na página ao lado). O melhor dos 15 finalistas terá direito a um prémio final de €50 mil enquanto os três primeiros ganham a oportunidade de se mostrar na montra da Web Summit.
Foi ainda sem uma ideia perfeitamente definida, mas intrigado com as palavras do irmão gémeo sobre “um sítio que tinha de conhecer, a Califórnia da Europa” que, após um ano em Espanha a ensinar inglês e dois na Nicarágua a trabalhar na área do turismo, decidiu vir para cá tirar o mestrado em turismo sustentável em Peniche. “Queria cidade, praia” e rapidamente chegou a conclusão que tinha “finalmente chegado ao sítio onde queria ficar.”
No início, só sabia dizer “olá” e “pedir café”. Paulatinamente, evoluiu no português (“ter namorada depois acelerou”) não só falado como no integrar-se na cultura. Como da vez em que estava num corredor de supermercado a tentar comprar um vinho e não sabia o que fazer, “perante tantas opções”. Até que um senhor, “de 80 anos, curvado”, vendo a sua confusão, se aproximou dele e perguntou em inglês perfeito “precisa de ajuda?” Teve então “meia hora” a explicar a enologia em Portugal. “Ainda hoje bebo Porca de Murça por causa dele”, atira, enquanto faz questão de realçar que uma das suas coisas favoritas aqui é “ir aos mercados, comprar produtos incríveis e baratos como em mais lado nenhum para cozinhar”.
O período em Peniche foi a rampa de lançamento para se aperceber que poderia haver um mercado para estudantes estrangeiros “tirarem um mestrado em Portugal por muito menos dinheiro que nos EUA” e ao mesmo tempo aproveitarem as condições de vida propícias a uma experiência diferente. Foi a semente para o nascimento da SurfScholar, startup que funcionava como “um serviço de aconselhamento que tratava das questões académicas mais burocráticas na passagem de um país para o outro”, assim como acessos a campos de surf ou workshops de programação, por exemplo.
A experiência “foi boa, para dar noção do que implica, a todos os níveis, lançar a própria empresa”, mas acabou por só durar um ano, perante, precisamente, a falta de experiência e outros fatores que precisavam de ser limados e acabaram por conduzir à morte prematura. A ligação entre surf e trabalho não ficou por aqui. Agora trabalha para a Surf Office, empresa que começou em Espanha e se mudou para Portugal para “ajudar empresas a instalarem-se cá durante um determinado período de tempo para trabalharem à distância”. São os chamados nómadas digitais, segmento que acredita estar em crescimento e que, em alguns casos, já evoluiu para algo mais permanente que “apenas umas semanas”.
“Jogos sem Fronteiras”
Quem também faz pleno uso das potencialidades naturais de Portugal é a Second Home, incubadora britânica que há cerca de um ano abriu uma casa em Lisboa. Daniel Roper é um dos responsáveis e organiza o Surf Bus, um transporte mensal para a Ericeira para que “desde os mais experientes aos principiantes que aqui estão possam aproveitar as vantagens de estar perto do oceano”. Por vezes, é difícil “arrastar pessoas a meio da semana, por causa de reuniões e datas de entrega”, mas a pausa pode ser importante por se tratar de uma atividade que oferece “um mundo diferente da rotina diária e do trabalho”. Permite entrar “num estado de meditação” e regressar ao escritório “com um foco renovado”. O balanço é muito positivo e Daniel até vai mais longe: “Quando as estrelas se alinham, é mágico.”
Claro que a atração não é feita só de surf e natureza. Os baixos custos quando comparados com outros países, uma geração altamente qualificada e os incentivos fiscais que começam a surgir, aliados a uma conjuntura favorável, chamam cada vez mais pessoas. E não só para Lisboa. Veja-se o italiano Mauro Reggla, que desde 2013 está com a sua empresa na Startup Braga. A ISSHO Technology tem como base um software para controlar todos os aspetos da produção de mobiliário (e agora outros segmentos) que inclusivamente já ganhou um prémio do MIT. Antes só conhecia o país “dos Jogos sem Fronteiras”, mas incentivado pela mulher portuguesa, que conheceu no Brasil, e após “uma pesquisa de mercado”, decidiu atravessar o Atlântico. Apaixonado pelo contacto com a natureza, não perde uma oportunidade de “praticar ioga” e de fazer atividades físicas num país que “cada vez surpreende mais”. Até porque a ISSHO não teria alcançado “um tão belo horizonte se não fosse portuguesa”.
Horizonte para onde olha Simon Einstein da esplanada da Caparica. Não sabe dizer com certeza o que vai fazer no futuro com a exceção de querer fazer de Portugal a sua base. E outra coisa é certa: “Vou ser como os idosos que parecem estar sempre à varanda a observar a cidade.”
Opinião Por Luís Manuel, Administrador-executivo da EDP Inovação
Trabalho na EDP Inovação há 10 anos. Somos uma equipa que procura trazer inovação para o dia a dia da empresa, das pessoas, dos clientes. É uma atividade que entusiasma. Levar trabalho para casa tem sido frequente.
Conheci o José Meliço em 2009; acabara de conceber um recuperador da energia térmica contida na água do duche. Conceito muito simples: a água ao sair pelo ralo ainda vai quente. Esse calor é energia que pode ser reaproveitada para pré-aquecer a água fria corrente, sem qualquer contacto entre águas, usando um permutador térmico. Isto é o Zypho, lançado em 2013. Adquiri e instalei um. A conta do gás caiu 40%. Payback em dois anos.
Lembro-me de ver o Rui Rodrigues radiante, saltar para o público após ter ganho o prémio EDP Open Innovation em 2013. A mais espetacular celebração que tivemos! O Rui fundou a BeOn que fabrica microinversores. Poucas empresas no mundo os fazem e estes são especiais, pela qualidade e eficiência, mas também pela facilidade de instalação. Olho para o topo da casa e lá estão eles, a transformar a eletricidade produzida pelos painéis fotovoltaicos em energia que utilizo em casa. Ainda quero instalar uma bateria para ter energia solar à noite!
Para saber quanto estou a consumir, a produzir ou a importar da rede elétrica, pego no smartphone, abro a aplicação EDP Re:dy e, onde quer que esteja, sei o que se está a passar em minha casa, real time. Este serviço resulta da colaboração entre EDP e diversas pequenas empresas lançadas por grandes empreendedores como a WithUs, CSide ou Withesmith.
Já me converti à mobilidade íbrido; fica mais caro no momento da compra, mas no último mês não fui à bomba de gasolina. “Atesto” na garagem, com uma Wall Box produzida pela Magnum Cap.
Inovação também na forma como acedemos a energia. O Tiago Morgado da Egg Electronics desenhou uma ficha que liga até 15 aparelhos elétricos e que fica bem em cima da mesa. É cool, tem uma capa que podemos mudar e até personalizar para condizer com a decoração da sala. É com um Egg que todos lá em casa carregam telemóvel, tablet, portátil.
Estes e outros produtos e serviços resultam da estratégia de abertura a startups e empreendedores que a EDP vem desenvolvendo. Conhecemos várias destas empresas através de competições como o EDP Open Innovation (candidaturas até 23 de agosto). Lançámos em 2012 o programa EDP Starter para detetar mais startups inovadoras e dar-lhes condições favoráveis para lançar os seus negócios e crescer. Estão em curso programas equivalentes em Espanha e Brasil. Com a Websummit e o programa de aceleração Free Electrons, temos acesso a oportunidades de inovação à escala global. Porque há boas ideias e boas startups em todo o lado.
Podemos desenvolver pilotos envolvendo startups e unidades de negócio e investimos nelas via EDP Ventures. Muitas novidades estão a ser preparadas.
Há quem procure este meio em busca de ganhos de imagem; sim, há valor em associar empresas e marcas a empreendedorismo. Lançámos esta atividade bem antes desse hype e o nosso objetivo principal é outro.
O mundo está a mudar, as grandes empresas têm de mudar também para aumentar competitividade e satisfação dos clientes. Trabalhar com startups é decisivo. Os empreendedores têm boas ideias, visão alternativa do negócio, rapidez de execução e eficiência em custo.
É a trabalhar com eles que vamos descobrir para onde vai o sector da energia no futuro. Incluindo o que vamos oferecer aos nossos clientes nas suas casas.
Afinal pode ser muito bom “levar trabalho para casa”.
As datas mais importantes
23 de agosto
Último dia para se candidatar. Aceitam-se projetos de Portugal, Brasil e Espanha. As 15 equipas finalistas competem pelo prémio de €50 mil euros.
Inscrições em edpopeninnovation.edp.pt
4-6 de setembro
Apresentações ao júri das equipas pré-selecionadas
7-8 de setembro
Comunicação dos 15 finalistas (cinco por cada país)
9-24 de outubro
Fase de bootcamps. Nove sessões de trabalho na sede da Fábrica de Startups, onde as equipas terão de dar asas à sua ideia
25 de outubro
Dia do investment pitch, onde os grupos terão dez minutos para apresentar o projeto perante o júri e uma plateia de investidores. Para a vitória conta também o trabalho desenvolvido ao longo das três semanas
6-9 de novembro
As três melhores equipas do Open Innovation ganham bilhete para
a Web Summit, onde vão poder contactar com pessoas de todo
o mundo no stand da EDP
Textos originalmente publicados no Expresso Economia de 12 de agosto de 2017
Partilhe Inovação