Um projeto Menu

Círculo da Inovação

Relativamente alérgico a regras

Miguel Muñoz Duarte

Chief Inspiration Officer iMatch

Trabalho em Rede

Relativamente alérgico a regras

Ana Maria Pimentel

Miguel Muñoz Duarte é um homem de pontes. É professor e gestor, empreendedor e inovador. Tinha de estar em rede

Miguel Muñoz Duarte diz que tem quatro chapéus.

E quando se fala em trabalhar em rede a carapuça assenta-lhe. Na Imatch não faz outra coisa para resolver problemas de forma criativa. Na Nova, onde dá aulas de Empreendedorismo e Inovação, vive num ecossistema “único” onde universidade, professores, alunos e organizações estão sempre em contacto. Em Marvilla, vai nascer um espaço de co-work por ele criado. E, claro, o quarto chapéu: Ignite Portugal. Um projeto social que fundou, um “speaker corner democrático.”

É um homem de pontes desde muito cedo. Sempre foi “relativamente alérgico a regras” e “sempre gostou de fazer diferente para fazer a diferença.” Acredita ser “facilmente ‘gostável’, gorducho e de óculos - não intimida ninguém.” Sempre que faz um contacto fá-lo da única maneira que acredita: “Acrescentando valor desinteressado.” Porque há um lado negro da força, “com muita gente muito interesseira.” E o networking deve ser sempre puro, até porque “detesta que lhe façam upgrades.” Isto é, que lhe virem as costas porque entrou alguém mais útil numa sala. No networking acredita nos pilares que são também os da vida: “mais interessados e menos interesseiros, num propósito comum” e numa atitude em que as pessoas se devem dar em vez de estarem à espera de receber.

Tem sangue, literalmente, ibérico. É metade espanhol e metade português. Destes 50% aproveita a “inventividade, a capacidade de fazer pontes e a flexibilidade”, daqueles a “positividade, a paixão e energia. A facilidade de se zangar sabendo que a seguir se faz as pazes com a mesma facilidade. E o facto de tudo o que faz defender como se fosse o último jogo do campeonato.”

Acredita na autonomia que deve ser dada aos colaboradores. Porque “se se tratar as pessoas como crianças, elas vão agir como crianças.” Se se viver num clima de liberdade, confiança mutua e reciproca há surpresas todos os dias.

UMA IDEIA

“Portugal tem um potencial enorme. Mas ainda estamos muito dependentes dos incentivos. Tal como há orçamento participativo e programas de crowdfunding, devia haver um crowdcren. Os projetos que conseguissem mais tração, chegar às pessoas, eram os que deviam ser escolhidos. É mais interessante ser o mercado e a rede a perceber se o projeto vale a pena. Assim permitia que os com mais adesão, fossem os que vingavam no mercado e os que interessavam às pessoas.”

UM DESAFIO

“A história do Ignite Portugal é o melhor desafio ultrapassado em trabalhar em rede. Trouxemos em 2009 o Ignite para Portugal. Desde então já fizemos mais de 200 eventos. Em cada evento falam 15/20 pessoas. Construímos isto, que hoje já é um movimento, graças à rede. Sobretudo com a rede. Uma rede de voluntários, co-organizadores em diferentes cidades e uma comunidade de oradores e participantes. Até já tivemos casamentos, pessoas que encontram emprego, sócios que se conhecem, etc. Destas redes fizeram-se ramificações de forma a contribuir para uma sociedade melhor. Fazemos isto porque sim. Porque é a nossa missão dar voz e palco, aliás palete, às ideias e talentos ainda desconhecidos em Portugal.”

Trabalho em Rede

Ver mais