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Círculo da Inovação

A felicidade é uma consequência

José Pedro Cobra

Advodgado Teixeira Duarte

Trabalho em Rede

A felicidade é uma consequência

Ana Maria Pimentel

Chama-se José mas quer que o tratemos por Zé. Um homem simples que caminha pela solidariedade. Vendia anedotas ao avô casapiano por 25 escudos

Zé Pedro. Assim, com informalidade. Em cada frase de Zé Pedro, advogado da Teixeira Duarte, vem um lema de vida, uma moral de uma história ou um pensamento que deverá tornar o dia do recetor da mensagem melhor. À medida que a conversa avança as palavras do início cruzam-se com as do fim fazendo um fio condutor quase automático.

Há dois pilares que lhe permitem esta força de espírito o primeiro diz ser a “proximidade às pessoas” que acredita ser “o caminho para a solidariedade.” O segundo é o humor, que lhe vem nos genes herdado da avó e que foi cultivando ao ver os antigos filmes portugueses. Lembra-se de escrever anedotas e as vender ao avô todos os fins-de-semana por 25 escudos. Assim, o pai conseguia que escrevesse redações, o avô ria e Zé Pedro ganhava 25 escudos e os risos do avô.

O Direito foi uma coisa que lhe aconteceu na vida, uma coisa “óbvia” por influência do pai, que sempre foi uma referência e porque a sua vida sempre foi uma busca pela justiça. Ajudou-o a “pensar a sociedade, a comunidade e a relação entre as pessoas.”

A curiosidade é-lhe inata desde muito cedo, e o facto de os pais serem agnósticos aguçou-lhe o engenho na procura do sentido da vida. A certa altura, já mais velho, percebeu que tinha que parar. Fechar-se em si próprio, meditar e ir a retiros. O que “é aparentemente egoísta mas que invariavelmente leva aos outros”. E levou. Começou em 2010 a representar e escrever histórias para as crianças no Hospital de Santa Maria. “Histórias que passavam uma mensagem, porque o amor às vezes é uma palavra que fica travada na garganta.”

Aprendeu que a vida “sabe melhor se houver humildade”, porque “se aprende a estar disponível”. Disponibilidade para receber a vida é coisa que não falta a Zé Pedro e está atento ao que a vida lhe dá e nos últimos tempos aprendeu a dar de volta. Porque “ser útil é fantástico. Há tanta forma de dar o contributo.” E diz que há muitos à sua volta que já repetem em jeito de autoexame: “Se até o advogado já consegue dar o contributo…”

Enumerar os projetos que criou seria escrever um texto do tamanho deste. Porque Zé Pedro e o mundo conspiram: “A nosso favor, a favor dele próprio.” E sente-se “um bocadinho matrix, noutra dimensão onde percebe que na vida nada acontece quando a gente quer.” Nos projetos salta a vista o A.Poiares, uma homenagem ao avô Augusto Poiares. “Um casapiano, um homem que agradecia a vida, tudo para ele era bom.” E este projeto, tal como o avô, é um projeto de agradecimento à vida.

Depois há as palestras motivacionais cujo dinheiro reverte para instituições e tanto mais. Porque a vida de Zé Pedro “está a fluir. E a felicidade não é um objetivo, é uma consequencia.”

UM DESAFIO

“Como dizia Abbé Pierre: “Não sei se o século XXI será um século religioso, mas terá de ser um século fraterno ou fracassará.” Gosto de fazer essa partilha com humor, pois acredito convictamente – e assim vivo a minha vida – na frase dos Monty Python: “Rir é a melhor maneira de levar a vida a sério.

Embora esta não seja a minha vida profissional, nos últimos cinco anos tive a oportunidade de fazer muitas intervenções, em Portugal e no estrangeiro, em instituições de solidariedade, em congressos, eventos variados e em empresas, com entrevistas dadas na televisão, na rádio e nos jornais. No caso de intervenções em empresas – que em condições normais afetam uma verba para pagar aos oradores - eu desafio-as antes a que façam reverter integralmente esse valor para instituições ou projetos de solidariedade, num projeto a que chamo de "A.Poiares", de homenagem ao meu avô A(ugusto) Poiares, que era casapiano e, talvez por isso, a pessoa que eu conheci que mais adorava e agradecia a vida. Esta é a minha forma de agradecer à vida: proporcionando que se dê a quem precisa (mais).

A concretização deste projeto – ao abrigo do qual mais de uma centena de entidades já doou mais de 250.000€ para diversas instituições e projetos de solidariedade – é um exemplo claro que estamos sempre a trabalhar em rede. Com efeito, não só eu ganho com a possibilidade de poder proporcionar ajuda e a realização pessoal de um projeto de consciencialização; as pessoas que ouvem ganham pelo bom momento de riso e pelo desafio de consciência que fazem; as empresas ganham com as pessoas melhores e os seus objetivos integrados; e por fim ainda ajudamos quem mais precisa! É uma “win-win-win-win situation”.

UMA IDEIA

“Uma ideia que alimento há uns anos é a da criação de um “Serviço de Cidadania Portuguesa”. Em sintonia com o desafio de consciência individual que vivo e lanço a cada um, na certeza que o caminho como seres humanos e cidadãos passa pela solidariedade e ligação entre todos, entendo que o próprio Estado deveria promover essa noção através de um Serviço que todos os portugueses deveriam fazer por ocasião do fim dos estudos de cada um; podendo também esse serviço existir em fase posterior da vida de cada um.

Como? Parte teórica: cada português frequentaria este serviço por não mais de três meses: um de aprendizagem e dois de prática. Aprendizagem do que é Portugal e o seu país hoje (entenda-se à data em que termina os estudos), não ao nível teórico, mas em jeito de informação estatística género pordata, sobre as pessoas, a verdadeira economia, a pesca que não existe, a agricultura que poderia ser mais, coisas concretas sobre as empresas os sucessos de portugueses em várias áreas e países (temos uma diáspora fantástica, mas demasiado falada para o pouco que se sabe de concreto e útil a quem possa precisar; rede de contactos no e para o estrangeiro).

Conhecermos bem o nosso país e os portugueses no mundo para nos identificarmos com ele, as suas características, as suas necessidades e qualidades: para o podermos ajudar, promover e utilizar com o tanto que tem de bom.

Do mesmo modo, todos aprenderíamos coisas úteis ao próximo, como por exemplo, primeiros socorros e outras práticas de ajuda e apoio em situações de emergência.

Estaríamos, no fundo, todos aptos a ajudar o próximo em qualquer situação, passaríamos a olharmo-nos como alguém que me pode ajudar e não alguém que me pode atacar ou que me é indiferente.

Parte prática: durante dois meses: cada um de nós seria destacado para servir o país nas muitas necessidades: limpar os campos para evitar fogos, proteger faunas marinhas, apoiar tradições culturais, ensinar em zonas em que as crianças têm menos acesso aos estudos, ajudar os sem-abrigo, cuidados paliativos, crianças. Cada um com as suas valias: financeiros em instituições sociais que precisam de gestores, engenheiros em bairros degradados – mesmo que em tarefas simples – juristas nas oficiosas, como em certa medida já existe. Seríamos destacados para diferentes zonas do país e aí estaríamos juntos com desconhecidos em prol de algo maior que nós: o nosso país!

Para servir Portugal não é preciso ser em guerra, pode – e deve – ser em paz e pela paz, pela solidariedade, pelo equilíbrio. E não precisa de ser como vedetas ou jogadores de futebol, podemos ter Portugal ao peito vestidos de bombeiro, de enfermeiro, de lenhador, de trolha ou de seja qual for a função que nos calhar, até de advogado!”

Trabalho em Rede

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