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Círculo da Inovação

A gestora palhaça

Rosária Jorge

Diretora Executiva Operação Nariz Vermelho

Trabalho em Rede

A gestora palhaça

Ana Maria Pimentel

Rosária Jorge viveu, como a maioria dos gestores de topo, uma carreira de quase duas décadas em multinacionais que só terminou para gerir a empresa de família. Até ter decidido ser mais e melhor na organização onde já tinha querido fazer voluntariado

Para contar a história de Rosária Jorge é melhor começar pelo final, porque todas as histórias têm um final feliz. A história da Rosária termina com a Direção Executiva da Operação Nariz Vermelho. Hoje divide o tempo entre a empresa de gestão imobiliária da família e os palhaços que ‘curam’ crianças com o riso.

Antes de tudo isto teve muitas ideias na cabeça: quis ser médica, chegou a querer tirar Matemática Aplicada, mas foi em Economia que entrou. Fez o curso “ao correr da pena” sem nunca pensar em empreendedorismo. As multinacionais foram-lhe consumindo o tempo e dando as ferramentas para o mundo prático. Saiu para ser empreendedora e fundou uma empresa de consultoria porque “queria procurar um papel na comunidade”, a sua forma de “ajudar as empresas portuguesas”.

Entra também para a empresa familiar de gestão imobilária e recebe uma chamada da Operação Nariz Vermelho: precisavam de ajuda e convidam-na para a direção executiva. Se até aqui “era a pessoa mais irreverente dos sítios por onde passava, ali é a mais conservadora”. Trabalha com artistas, aprende a receber de volta tanto quanto dá. Não é um cliché, é uma realidade para quem tem a sorte de fazer visitas aos hospitais de 15 em 15 dias com doutores palhaços.

Lembra-se do tempo em que trabalhava na Danone e em que tentou ser voluntária da Operação Nariz Vermelho Hoje percebe que quem ali está é mais do que voluntário, tem uma formação que usa ao serviço dos outros. A organização não tem fins lucrativos, mas lucra muito com as respostas ao trabalho.

Mais do que viabilizar a sustentabilidade da organização, viabiliza a oportunidade de que as crianças possam continuar a sorrir.

Rosária Jorge tem muita energia. Fala com o ritmo e a cadência de uma criança cheia de sonhos.

UMA IDEIA

“Problemas que identifico como graves: corrupção e jogo de poderes e favores; falta de estratégia de longo prazo; desresponsabilização dos governantes e políticos; quantidade de deputados e suas regalias.

Necessidades: motivar verdadeiramente o investimento e empreendedorismo para desenvolver a economia.

Medidas a implementar. Estratégia e compliance: criar um conselho (Conselho estratégico de Portugal) de especialistas (não políticos) em cada área. Este conselho seria responsável pela definição de estratégia a 5/10 e 20 anos e por assegurar o seu cumprimento. A este mesmo conselho, os vários governos reportariam na definição da estratégia de governação e teriam de validar o Orçamento do Estado, antes da votação parlamentar. O conselho também se responsabilizaria pela criação de auditoria externa ao governo e por uma equipa de investigadores profissionais que é responsável por compliance, com objectivo de acabar com corrupção e assegurar boas práticas de gestão.

Mudança na estrutura de parlamento e política de remunerações: os valores de remuneração de membros do governo seriam substancialmente mais altos, equiparados a valores praticados pelo mercado (custo de oportunidade relativo a grandes empresas), com remuneração variável dependente do atingimento de objectivos pré-definidos.

Reduzir para metade o número de deputados da Assembleia da República. O princípio de remuneração e política de compensações seguiria os mesmos princípios que os referidos para o governo, sendo que a remuneração variável estaria ligada quer a presença/cumprimento dos horários de trabalho, bem como ao cumprimento de objectivos pré-definidos.

Para todos os membros do governo e assembleia da república, a política de pensões, reformas, horários de trabalho, período de férias, etc, seriam os mesmos das leis da segurança social e do trabalho. Deixariam de existir regalias especiais.

Estímulo na economia e motivação para empreendedorismo: criar vantagens fiscais claras e significativas nos investimentos alavancadores da economia. Redução significativa da carga fiscal sobre os lucros das empresas ligados directamente ao número de trabalhadores (incentivo a criação de emprego), aos investimentos em investigação, a exportações. Redução da carga fiscal de lucros reinvestidos na empresa. Vantagens fiscais nos rendimentos dos órgãos de gestão das empresas referidas acima. Carga fiscal mínima para novas empresas durante o primeiro ano de actividade, de forma a motivar o empreendedorismo.”

UM DESAFIO

“Na primeira acção de angariação de fundos de rua da Operação Nariz Vermelho, precisávamos de pessoas que dedicassem muito tempo durante quatro dias, utilizassem o seu carro pessoal para levar todo o material para cada local previamente estipulado nas ruas das várias cidades, recebessem os muitos voluntários, lhes entregassem materiais para trabalhar, aguardassem pelo decorrer de cada turno de trabalho de 4 horas e recolhessem todo o material e as latas com os donativos, voltando a entregar na sede. Percebi que era pedir muito... Mas entre família, amigos e conhecidos consegui mais de 120 pessoas. Foi um trabalho exaustivo, com responsabilidade e com grande dedicação de tempo. Claramente um exemplo do poder das relações pessoais e do espírito de missão!”

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