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Círculo da Inovação

Empreendedor desde pequenino, pois então

Ricardo Marvão

Co-fundador Beta-I

Trabalho em Rede

Empreendedor desde pequenino, pois então

Ana Maria Pimentel

Aprendeu a ligar pessoas quando ainda nem sequer imaginava que, um dia, seria essa a sua profissão. Ainda catraio, Ricardo Marvão trocou o jogo das matrículas pelo de lançar negócios

Não há um nome para um engenheiro informático que já criou mais empresas que dedos das mãos. E na palavra empreendedor parece não caber tudo aquilo que Ricardo Marvão faz.

Nas viagens com o pai não jogava às matrículas, jogava ao lançar empresas. Negócios em que pensavam em todos os problemas e soluções: “Ganhei treino aí, tornei-me bom a conhecer pessoas e a identificar negócios”, conta hoje um dos nomes mais reconhecidos a conhecer pessoas e a identificar negócios.

Cresceu e a brincadeira com o pai tornou-se a sua vida. Aos 21 queria o que todos que têm 21 anos querem: “Sair de casa dos pais, ser independente”. E tinha o mesmo problema com que todos que têm 21 anos se deparam: as rendas eram muito altas para o dinheiro disponível. Por conselho do pai criou uma cooperativa para reabilitar casas no centro de Lisboa, numa altura em que ainda não se ouvia falar de reabilitação urbana e o centro ainda não estava na moda. Como em todos os projetos em que põe a mão, aquele ganhou asas, conseguiu parecerias. Um belo dia está numa reunião com o grupo e recebe um telefonema que muda tudo.

Era da Inov. Uma chamada e vai para a ESA – Agência Espacial Europeia. Quatro anos que deram para perceber que é “muito bom a ligar pessoas”. Durante este período convence 25 portugueses a juntarem-se a ele.

Seriam precisas muitas páginas como esta para contar o percurso de Ricardo Marvão. Passou a vida a ligar pessoas e empresas, foi aprendendo que “se é preciso resolver alguma coisa, resolve-se. Normalmente encontra-se sempre a solução, mesmo não havendo dinheiro”.

Última paragem. Criou a BETA-I com o Pedro Rocha Vieira. Faz de tudo um pouco mas está mais ligado à área internacional. Recusa os discursos generalistas e garante que “os jovens hoje estão muito mais bem preparados”. Mas alerta: “Não há baby sitting”. Na BETA-I está “o melhor do melhor”, todos os dias saem de lá empresas para o mundo. Ao fundo do horizonte quer ver mais investimento privado, mais business angels e, acima de tudo, gerar conhecimento.

UMA IDEIA

“Em relação à diáspora, e ao que foi feito por Portugal até agora, o melhor era escrever um artigo sobre "como não criar um conselho da diáspora", lessons learned from this e crowdsource, as melhores praticas para criar realmente um conselho da diáspora aberto, que resolva e ajude e seja dinâmico e participativo. Há tanta gente lá fora a querer ajudar mas só lhes cai em cima coisas destas superformais, sem drive nem alma, superelitistas, e que só servem para a fotografia.”

UM DESAFIO

“Durante algum tempo na Beta-i debatemo-nos com a criação de um acelerador realmente inovador e interessante, focado no empreendedor e a produzir resultados, mas apenas puxando pelas nossas ideias e do que víamos lá fora. E em 2011 tivemos a ideia de lançar a ideia à Comissão Europeia para o primeiro programa de apoio a aceleradores europeus, onde pudesse haver uma interacção e intercâmbio de equipas nos vários aceleradores europeus para aprender uns com os outros, peer learning, exchange of lessons learned, participando directamente como staff dos outros aceleradores. O projeto foi um enorme sucesso e daí surgiu o encontro anual de aceleradores europeus e a rede europeia de aceleradores, e um conjunto de white papers publicados anualmente sobre future trends deste sector.”

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