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Círculo da Inovação

A cientista aceleradora

Joana Feijó

Co-fundadora Origami

Trabalho em Rede

A cientista aceleradora

Ana Maria Pimentel

Investigadora, professora, bióloga, mãe e amiga. A lista de funções de uma mulher do século XXI é a lista de Joana Feijó. O Expresso apanhou a co-fundadora da Origami no meio da sua agenda preenchida

No início da conversa a investigadora assegura que na sua infância e adolescência não havia qualquer indício que pudesse seguir o caminho do empreendedorismo. No final da conversa fala-nos das coisas que fazia quando era criança e que depois vendia nas lojas locais da zona onde morava. O empreendedorismo sempre esteve lá, Joana é que só o descobriu mais tarde.

Ao contrário da investigação que sempre soube o caminho que queria percorrer. O objetivo inicial era fazer genética mas em Portugal a área não existia. Continuou o seu trajecto e, como nunca quis ser médica, a seguir ao estágio no São João, percebeu o caminho: era a área médica, mas não a medicina. Depois do doutoramento, depois do IBMC pela mão de Maria Sousa, foi convidada para ir para os Estados Unidos. Recusou por motivos pessoais e por ter a certeza “que se faz muita e boa investigação em Portugal”. Na altura das decisões difíceis escolheu a Alert e fez lá amigos que tem até hoje.

Temos de contar a história de Joana em fast forward como se de um filme se tratasse - não haveria espaço, nem tempo, para partilhar todas as experiências da investigadora que adora pessoas. Num salto passa-se da Alert para a Critical. É dentro da Critical que volta para a sua área de eleição, a da Saúde e a da inovação. Criou muito ali, coisas palpáveis que melhoraram a vida das pessoas. Fala no software de suporte ao diagnóstico da rinopatia diabética e do dispositivo que permite monitorizar idosos à distância.

Era daquilo que gostava mas sai três anos depois “numa transferência dentro do grupo” para criar um hospital privado em Coimbra, onde inovação, ensino médico e investigação se cruzam. Não obstante a felicidade de Joana, a genética continuava ser o sonho por realizar, até ter havido mais um spin off dentro do grupo Critical: a Coimbra Genomics. Foi a realização do sonho. Esteve desde o momento base da construção de um software que faz a decisão médica baseada no genoma do doente quer no diagnóstico quer na terapêutica.

Os projetos são pensados, criados, aplicados e a Critical começa a focar-se noutras áreas e o papel de Joana torna-se mais comercial e uma empreendedora tem que se sentir desafiada e é isso que Rui Escaleira faz: convida-a a criar a Origami start, uma venture cujo foco é a tecnologia. Está lá tudo o que a faz feliz: “A diversão”, a partilha de conhecimento e a concretização de projetos. À conversa com Joana consegue perceber-se que ser empreendedor é a capacidade de fazer muita e uma coisa só. Ao mesmo tempo, sempre com a mesma atenção e rigor.

UMA IDEIA

“É importantíssimo o investimento na disponibilização de ferramentas, na educação e formação dos jovens portugueses para a criação de valor na economia através da investigação e desenvolvimento de tecnologias. Portugal tem uma enorme mais-valia: tem conhecimento, tem vontade, tem qualidade na formação teórica e prática. A qualidade da investigação em ciência e tecnologia em Portugal é altíssima. Os nossos cientistas publicam com frequência em revistas de alto impacto. A nossa investigação é inúmeras vezes reconhecida com prémios de mérito.

Temos cérebros altamente qualificados e com uma capacidade inovadora fora de série. Estes recursos humanos têm criado excelentes unidades de investigação, como a Fundação Champalimaud o I3S…

É impreterível que haja um foco maior na captação de financiamento e na estruturação da monetização das tecnologias desenvolvidas. Apesar de nos últimos anos ter sido percorrido um caminho nesse sentido, muito há ainda a fazer para que os jovens cientistas sejam também empreendedores, idealizando e desenvolvendo tecnologia com foco no mercado. À imagem da maior parte dos países europeus e EUA, é preciso dotar o nosso sistema de ensino de uma formação voltada à criação de valor, à partilha e ao esforço na direção de um objetivo pessoal, profissional e social.”

UM DESAFIO

“Com um passado académico, anos de investigação científica, um doutoramento, e três anos numa multinacional onde o foco era o desenvolvimento interno e a comercialização em três continentes, tive que parar, refletir e encontrar a forma mais eficiente e proveitosa de criar esses laços.

O meu conhecimento na área científica e empresarial, a minha rede de contatos e a minha experiência de relacionamento com a academia foi fundamental e fez toda a diferença. Bastou estruturar um bom pitch de apresentação da startup e dos nossos objetivos, percorrer toda a minha network de contatos académicos e científicos, para que rapidamente e num périplo de viagens desse a conhecer a empresa aos grandes e inúmeros centros de investigação portugueses e europeus, estabelecendo relações duradoiras e muito proveitosas que permitiram o desenvolvimento de projetos conjuntos e a exploração dos seus resultados no mercado.

O que parecia, uma área completamente nova, foi afinal uma simples e fácil união de dois pontos tão presentes na minha vida - a academia e a empresa.”

Trabalho em Rede

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