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Círculo da Inovação

O senhor empreendedor social

António Miguel

Fundador Laboratório de Investimento Social

Trabalho em Rede

O senhor empreendedor social

Ana Maria Pimentel

Em Inglaterra, ajudou a diminuir a taxa de reincidência dos presidiários. Em Portugal, António Miguel abriu, em parceria com a Gulbenkian, o Laboratório de Investimento Social. Já tem obra feita

Foi num programa de intercâmbio no México que, nos tempos de estudante, percebeu o impacto das empresas socialmente. É lá que começa a fazer as 100 horas de serviço comunitário que só eram obrigatórias para alunos nativos. No regresso a Portugal, uma panóplia de hipóteses, o futuro ali aberto à sua frente. Faz o mestrado e opta por mais um programa de intercâmbio, agora na Noruega e outra vez o desenvolvimento aliado ao microinvestimento. A percepção de que é possível “utilizar as ferramentas da gestão para algo diferente.”

Estava decido o seu caminho. No final do curso António Miguel foi para uma consultora de responsabilidade social, mas passado um tempo os projetos continuavam no power point e a desmotivação a sair dele. É em 2010 que lê sobre uma social impact bond perto de Londres. Tinha que ir para lá, aquele projeto em que o objetivo era investir e gerir investimentos para que, no fim, além de lucro conseguissem diminuir a taxa de reincidência dos presidiários. Era aquilo.

Candidata-se a uma bolsa para um mestrado em empreendedorismo social como “como pretexto para trabalhar no Social Finance UK”, um banco de investimento social. Entra e consegue o estágio, passados seis meses estava a trabalhar no projeto da prisão que o tinha levado ali. “Abriu-se um novo mundo nas social finantial ventures” e, mais uma coincidência na sua vida, volta a Portugal.

Eram demasiadas coincidências e coisas boas a acontecer para não fazer nada com aquilo. Com Filipe Santos propõe à Gulbenkian abrir em parceria o Laboratório de Investimento Social em Portugal. E a partir de 2013 desenvolvem mecanismos financeiros que permitem criar vários tipos de valor. Um deles é a academia de código júnior, cuja meta foi reduzir o número de chumbos a Português e Matemática.

UMA IDEIA

“Criação de um fundo de investimento público de €100 milhões para financiar exclusivamente projectos de cariz preventivo nas áreas da saúde, educação, justiça, protecção social, emprego e ambiente. Os orçamentos públicos canalizam essencialmente financiamento para a resposta aos problemas quando eles acontecem. É urgente alocar financiamento para acções preventivas que evitem, no longo prazo, que esses problemas venham a acontecer, actuando de forma precoce.

Exemplos: financiar projetos de promoção de estilos de vida saudável, para evitar o crescimento da incidência de pessoas com diabetes; financiar projectos que trabalham com crianças de famílias em risco nos primeiros 1000 dias de vida, para evitar institucionalização ao longo da vida; financiar projectos de limpeza de matas e prevenção de incêndios para evitar custos enormes quando os incêndios acontecem; financiar projectos que trabalhem com reclusos para reduzir o número de pessoas que reincidem no sistema prisional.”

UM DESAFIO

“No Laboratório de Investimento Social, todos os dias tenho a sorte de trabalhar na convergência entre os sectores privado, público e social. Exemplo disso foi o lançamento em 2015 do primeiro Título de Impacto Social "Academia de Código Jr" que junta no mesmo projeto os diferentes sectores. Durante cerca de um ano, foi estruturado este projecto com o fim comum de melhorar o desempenho escolar dos alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico através da aprendizagem de programação informática.

Um investidor - a Fundação Calouste Gulbenkian - financia o projeto à partida, que é implementado pela Academia de Código Jr e consiste no ensino de programação informática a 65 alunos do 1º Ciclo em 3 escolas públicas de Lisboa, cujo desempenho escolar é comparado com outros alunos que não receberam as aulas de programação informática.

Caso o desempenho dos alunos da Academia de Código Jr a Matemática e Português seja 10% superior aos alunos do grupo de controlo, a Câmara Municipal de Lisboa reembolsa a Fundação Gulbenkian, para que esta possa reinvestir no projecto e sua expansão. Caso os resultados não sejam alcançados, a Câmara Municipal de Lisboa não efectua qualquer reembolso.

O processo de criação deste projecto foi uma aprendizagem sobre o que é trabalhar em rede e a importância de desenhar os incentivos certos para que todas as partes estejam orientadas para o mesmo resultado: neste caso específico, melhorar o desempenho escolar de alunos.”

Trabalho em Rede

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