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Círculo da Inovação

Psicóloga, empreendedora e quiçá professora de yoga

Maria Palha

Consultora projetos com impato social

Trabalho em Rede

Psicóloga, empreendedora e quiçá professora de yoga

Ana Maria Pimentel

Psicóloga a tempo inteiro, Maria Palha escreveu um livro que além de fazer a viagem pela saúde mental à volta do mundo, dá mecanismos a quem o lê para que “crie uma conta poupança de emoções” a ser usada quando for preciso

Profissão: psicóloga. Ocupações: Infinitas. A ficha de Maria Palha é difícil de preencher, não por falta de atividades mas por excesso. Quando terminou a faculdade tinha duas vontades: viajar e trabalhar. Uniu as duas numa ida para Moçambique de forma a “experimentar a saúde mental pelo mundo”. Não tardou muito para “começar devagarinho” nos Médicos Sem Fronteiras.

De um momento para o outro estava a correr o mundo com a organização. Viajou muito, de África à Ásia, passando por zonas de risco com a mesma vontade desde o primeiro dia - melhorar a saúde mental mundial, dar mecanismos para que cada um seja dono de sei e guie a própria saúde mental tal como se faz com a saúde física.

Hoje esta sedeada em Portugal. É consultora de projetos com impacto social. Como a maioria dos psicólogos dá consultas, mas como em todas as áreas há inovação e como a saúde mental pode ser afetada “independentemente do contexto onde nos encontramos” vai às empresas fazer consultas e workshops a quem lá trabalha a convite das chefias. Quando deu conta estava a escrever um livro.

Continua todos os anos a fazer uma missão com os Médicos Sem Fronteiras e continua com o sonho de trazer a para Portugal a School of Life. Sim, existe e é mais do que uma frase feita, é um conceito que rege a vida de Maria. Baseia-se na ideia que “temos que nos conhecer bem e adaptar às situações”. É isso que o seu livro ensina.

Quer um dia que a saúde mental seja democrática, não faz mais planos: “O mundo é enorme”, explica.

Diz que pode fazer tudo até mesmo uma ideia que não lhe “parece descabida” como “ensinar yoga na Indónesia”. Tudo porque um dia quer olhar para trás e dizer “well done”.

UMA IDEIA

“Que todos os portugueses se tornem “Guardiões de Saúde Emocional”. O guardião de Saúde Emocional é um especialista de si mesmo, identifica sem vergonha as suas fragilidades, desenvolve o seu carácter, reconhece e sabe como saciar as suas necessidades, é alguém que conhece os seus sinais de alerta, não só a nível físico, mas também a nível emocional, sabendo em que momento deve accionar as técnicas de autoajuda ou, por outro lado, procurar ajuda especializada. O Guardião de Saúde Emocional consegue assim, promover mais bem-estar em quem os rodeia, pois está mais disponível, é mais empático, e reconhece o impacto da generosidade e criatividade nas relações. Acabando assim por envolver e inspirar quem o rodeia”

UM DESAFIO

“Conheci a Asma, em Misurata, veio a uma entrevista para ser minha tradutora. Tinha leucemia e estava há 8 meses sem medicação, pois perdera a medicação num bombardeamento. Disse-me que não podia desistir sem antes me ajudar a ajudar a sua comunidade. Desde o momento que começou a trabalhar comigo que o meu desafio era convencê-la a retomar a medicação, pois recusava-se, mesmo sabendo que a organização os disponibilizava. Respondia-me sempre: “ Se eles morrem por esta guerra, porque não hei-de eu morrer também”.

Com o passar das semanas, começávamos a visitar as mulheres da comunidade e, se no início se recusavam a falar ou sequer a partilhar o seu sofrimento (como acontece quando nos sentimos mal, aquela sensação de que só nós nos sentimos assim, e por isso isolamo-nos), lentamente, com a intervenção, estas mesmas mulheres começavam partilhar o que se passava com elas, reciclavam os seus sonhos. Dia após dia, a Asma vinha mais empolgada, até que me confidenciou que estava preparada para retomar a medicação, decidira criar comités de mulheres. Comités que apenas se responsabilizavam por cozinhar para os soldados na linha da frente.

Asma, através de partilhas nos grupos, percebeu que não estava sozinha, que muitas mulheres também lamentavam para além das pessoas que iam perdendo na linha da frente, lamentavam ainda por aparentemente não terem um papel importante nesta guerra. E isolavam-se na sua dor, não a partilhavam, e foi exactamente no momento em que começaram a partilhar o que se passava com elas, que a ideia de se unirem e servirem uma das necessidades mais básicas desta guerra, alimentar os soldados, começou a fazer sentido. Em apenas algumas semanas, os comités estavam montados, a Asma era uma das coordenadoras. Havia um comité em cada bairro, e que por turnos, como que por parcerias, iam satisfazendo as fomes dos guerreiros”

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