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Círculo da Inovação

Como conseguir €1 milhão em financiamentos? O Afonso Eça sabe

Afonso Fuzeta Eça

Co-fundador RAIZE

Trabalho em Rede

Como conseguir €1 milhão em financiamentos? O Afonso Eça sabe

Ana Maria Pimentel

Ele implementou a RAIZE no mercado português, convencendo as empresas a participar num projeto que não se tratava de crowdfunding. Com duas palavras criou um mote: insistência e credibilidade

Aos 30 anos, Afonso Fuzeta Eça é professor do Mestrado de Finanças da Universidade Nova. Mas não é por isso que o seu nome é reconhecido nos círculos de inovação portugueses. É mais pela coragem e ponderação que demonstrou na criação da RAIZE, uma bolsa de empréstimos gerada pelas mãos do professor.

Em 2012, no pico da crise, o cenário era dantesco. Por um lado a banca tinha cortado o financiamento, por outro havia projetos que precisavam de ser financiados. O povo costuma dizer que a necessidade aguça o engenho, a experiência de Afonso prova que a necessidade pode criá-lo. Por esta altura trabalhava num hedge fund, mas depois de "muita ponderação" percebeu que tinha a oportunidade de criar um mercado onde particulares ajudam a criar empresas.

Lá fora o modelo já era conhecido, por cá o terreno ainda era estéril, portanto o ideal para o aparecimento da RAIZE. Hoje já ganhou raízes no mercado como alternativa no financiamento às micro e pequenas empresas, num modelo onde investidores particulares emprestam dinheiro às empresas e recebem de volta com juros.

Se o projeto começa a ser pensado em 2012, é três anos depois que aparece e faz o pleno: premiada pela NOS e pela AICEP, a empresa do homem que "nunca tinha pensado em ter uma" consegue €1 milhão em financiamentos.

Afonso valoriza tudo o que aprendeu até hoje, ensinamentos que vai usando no dia-a-dia com a certeza de que não se ganha nada enquanto não se sai da zona de segurança. Hoje respira de alívio ao saber que conseguiu ultrapassar todos os desafios - prefere chamar assim aos problemas - ao implementar a RAIZE no mercado português, "depois de convencer as empresas" a participar e de explicar que não se tratava de crowdfunding.

Hoje há uma palavra que define o caminho percorrido até aqui: credibilidade. E um verbo que tem que continuar a ser repetido: insistir.

UMA IDEIA

“Facilitar o investimento de portugueses “não residentes” simplificando o seu regime fiscal: existem milhares de emigrantes portugueses que gostariam de contribuir mais ativamente para o desenvolvimento do país. Muitos, apesar de já não viverem cá, continuam a manter uma relação muito próxima com o país. Quando questionados sobre eventuais investimentos em Portugal, acusam a complexidade e o desconhecimento do nosso sistema fiscal ("onde declaro os meus rendimentos?", "a quem tenho de pagar impostos?"). No atual enquadramento, procurar uma solução rápida e eficaz para estes potenciais investidores devia ser uma prioridade”

UM DESAFIO

“O networking teve peso importante no lançamento da Raize. O lançamento da primeira bolsa de empréstimos em Portugal implicou o desenvolvimento de um mercado de raiz, ou seja, foi necessário motivar procura por financiamento (empresas) e oferta de financiamento (investidores). Para ambas as vertentes do mercado, o networking revelou-se um desafio e uma ferramenta importante. Por exemplo: para os investidores, o desenvolvimento de uma campanha de referenciação (em que o passa a palavra de cada investidor passou a ser remunerado) foi um enorme sucesso; para as empresas, programas de parceria com associações empresariais foram também uma alavanca para a disseminação da Raize na comunidade empresarial”

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