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Círculo da Inovação

Começou no Real Madrid, actuou em Milão e joga agora em Lisboa

Miguel Arroja

Head of Business Development Mobipium

Trabalho em Rede

Começou no Real Madrid, actuou em Milão e joga agora em Lisboa

Ana Maria Pimentel

Miguel Arroja tem no ouvido direito a ambição e no esquerdo a inovação. Sente-se como peixe na água a desenvolver negócios. Com provas dadas em Espanha, Itália e Portugal

Tal como os pais, Miguel estudou na Católica. Fugiu à Economia por preferir um “curso que desse prática e experiência de negócio” e tirou gestão. Três anos foram suficientes para encontrar a vocação: Marketing e Estratégia. Na vida de Miguel Arroja tudo acontece de forma rápida, tanto que durante o Erasmus teve a primeira experiência profissional num projecto de consultoria para a equipa de Recursos Humanos do Real Madrid.

Volta a Portugal “sem fazer ideia do que havia de fazer da vida”, mas “com a sorte de ter boas notas”. Com “tudo muito mal parado”, o melhor seria continuar a estudar e tirar mestrado. Como em tudo o que até à data lhe tem acontecido, Miguel tem uma capacidade de adaptação superior e vai-se sentido “como peixe na água” por todos os lados por onde passa. No início do mestrado percebeu que tinha que tirar boas notas para ir para o estrangeiro.

Perceção que lhe valeu o pontapé de início de carreira. Depois de um segundo Erasmus na Boconi, chega à Abercombrie&Fitch. Em dois anos à frente de uma das lojas conseguiu que essa facturasse 1,5 milhões de euros, tornando-a a mais lucrativa da Europa e a segunda mais lucrativa do mundo. Foi-lhe proposta na altura a responsabilidade da expansão da marca para Portugal, mas o contexto “tudo muito mal parado” de que se falava acima fez com que essa ideia nunca saísse do papel. Miguel fica em Milão, a cidade que gira em torno do dinheiro e onde a margem de progressão do jovem diminui. A ambição não lhe permitiria ficar por ali muito tempo, no país que tinha deixado por causa de um mestrado que nunca acabou.

Fixa-se no fenómeno startups. Junta-se a um projeto que na altura tinha dez pessoas e que tentava a expansão ibérica. Torna-se responsável pelo desenvolvimento de negócio. Quando saiu já tinha 120 colaboradores, estava presente em 10 países e 30 cidades. Uniplaces? Sim, era esse o projeto no início. Deixou-o porque a ambição vive dentro dele e sussurra-lhe ao ouvido todos os dias. E se no ouvido direito tem a ambição, no esquerdo tem a inovação. Agora na Mobipium é o responsável, mais uma vez, pelo desenvolvimento de negócio.

UMA IDEIA

“O seu negócio opera numa economia livre de mercado, como quase todo o mundo hoje, e, por isso, não tem acesso a vantagens de Monopólio ou outro tipo de vantagem diferenciadora. A solução é inovação: aposta na Inovação e Investigação para tentar alcançar sucesso a longo prazo. A razão é simples: os seus concorrentes irão copiar qualquer coisa que torne o seu produto/serviço único/diferenciado no mercado - eles irão fazer isso sempre que o consumidor considere essa característica interessante e apelativa.

A principal questão que tem de ser resolvida em Portugal é uma clara aposta na inovação. Aposta essa que já resultou enormemente no sector têxtil, onde hoje temos produtos de alto valor acrescentado produzidos em Portugal e vendidos em todo o mundo. Renova no papel, Brisa com a Via Verde. Todas startups e empresas que apostam na diferenciação pelo caminho da Inovação. Tentar algo que ainda não foi feito. O caminho é duro e árduo, mas é o dever de todos os cidadãos, desde a governação até ao comum cidadão, impulsionar esta aposta. Isto é mais do que conseguir produtos nacionais ou escolher os produtos que são produzidos por empresas portuguesas. Trata-se de apostar na marca Portugal e levar o nosso standard de confiança, fiabilidade, criatividade e colocar o selo de qualidade que transmite o que é Portugal.

É fundamental criar uma entidade que impulsione e promova a Inovação em Portugal. Multisectional e pluridisciplinar, formada por profissionais com créditos firmados ao serviço de empresas com foco em inovação e criação de alto valor acrescentado. Desde a Indústria ao Mundo Digital, dos campos da Engenharia à Ciência, das Artes à Cultura, da Economia à Tecnologia. Devem ter como prioridade colocar Portugal no mapa como nação orientada para Inovação. Uma nação de Inovadores.

UM DESAFIO

“Juntar-me à Uniplaces como coloborador numa fase em que a empresa estava a finalizar o investimento/funding por parte de investidores. Em setembro de 2013 decidi que tinha chegado a altura de sair de Itália. Milão tinha sido a minha primeira grande experiência de trabalho mas senti um forte apelo à mudança. Alguns dos meus amigos mais próximos contaram-me que a comunidade startups e empresas jovens em Portugal estava a crescer e que, ao contrário do que muitos diziam, o financiamento por parte de investidores (nacionais e estrangeiros) iria alicerçar a criação de novos negócios. Ou seja: a crise pode ser olhada como uma boa oportunidade. Aquilo que mais me motivava na minha posição em Milão era o lançamento do projecto de vendas online da marca, e por isso comecei a pesquisar por negócios com foco no digital e na inovação.

Rapidamente surgiu a oportunidade de me juntar a uma startup que procurava resolver problemas dos estudantes que vão para fora e necessitam de alojamento durante o Erasmus. Um amigo e ex-colega da faculdade com quem tinha conversado sobre possíveis oportunidades em Portugal deixou-me bastante interessado em saber mais sobre este projecto. O interesse foi mútuo porque eles estavam à procura de uma pessoa para desenvolvimento de negócio e expansão da empresa. Idealmente com fluência em Espanhol e Italiano, bem como experiência internacional nestas duas cidades. Eu era exactamente o que eles procuravam. E rapidamente percebi que era também o que eu procurava. Em Outubro já estava a trabalhar na empresa”

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