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Círculo da Inovação

Da Católica veio, à Católica volta

Joana Domingues

Docente Católica Lisbon

Gerir Talento

Da Católica veio, à Católica volta

Ana Maria Pimentel

O ditado diz que não se deve voltar aos lugares onde se foi feliz. Joana Domingues não seguiu o conselho e correu bem

Enquanto estudante de Gestão sabia que o seu percurso não passava por “nada teórico nem abstracto”. As boas notas valeram-lhe um estágio de verão na McKinsey com uma passagem pelo Brasil. De regresso à Católica para acabar o curso, cheia de aprendizagens na bagagem, é convidada para ser assistente de microeconomia. Um desafio superior: essa cadeira “não suscitava muito interesse” junto dos colegas e por isso tinha que “a tornar mais interessante”.

Quando acaba o curso volta ao local de estágio, mas passado um ano começa a sentir “que faltava qualquer coisa”. Na altura ainda ponderou as ONG ou as fundações, mas “não era esse o caminho”, tinha a bússola apontada a Singapura e França, cabeça no MBA. Lá vai Joana “explorar o outro lado da gestão, da psicologia das organizações” e descobrir mais sobre ela. Volta com energias recarregadas e repara no paradoxo que ali estava instalado: “Gente muito inteligente, mas gente muito infeliz”. Depois de um projeto interno para perceber como se podia tornar as pessoas mais felizes dentro do local de trabalho, apercebe-se que era aquilo que a fascinava.

A descoberta do fascínio, a vontade de mudar e um convite tornam-na coordenadora do programa de liderança de competências de liderança dos mestrados de Gestão e Economia. Motiva-a “descobrir o potencial das pessoas” e dar-lhes “liberdade para serem felizes”. O desenvolvimento de pessoas “é como andar de bicicleta, não se aprende numa manhã. Mas quando se aprende não se desaprende, é preciso muita prática repetidamente. Falhar até evoluir.”

Agora é docente na área de liderança para executivos por ser mais fácil lidar com pessoas que trabalham e estão no mundo das empresas.

UMA IDEIA

“Um dos problemas que prendem a minha atenção na área de potenciar talentos nacionais é o do abandono escolar e da escolha de uma área de estudo que entusiasme os nossos adolescentes, apoiando o seu desenvolvimento como adultos responsáveis pelos seus destinos e contribuidores positivos para uma sociedade interdependente.

São problemas complexos para os quais não tenho a veleidade de ter uma solução mágica.

Porém, uma das constatações que fiz no meu contacto com universitários de várias nacionalidades, é de que os jovens da Europa central e do norte trazem quando chegam à universidade, uma “maturidade” muito valorizada quer por professores quer por empregadores. Essa “maturidade” traduz-se numa participação muito mais ativa nas aulas/eventos com empresas, quer por fazerem mais perguntas, quer por fazerem contribuições mais relevantes/adequadas à “realidade”.

Na minha perspetiva esta vantagem competitiva advém de estes jovens serem nas suas sociedades expostos mais cedo – em vários países a partir dos 14 anos nos seus verões - ao mundo do trabalho, em papéis adequados à sua idade, onde aprendem nomeadamente a responsabilizar-se pelo uso do seu tempo e resultados, a perceber que várias funções existem, quais lhes agradam e desagradam mais, e o que é preciso estudar, investir, trabalhar para ganharem o direito a chegar a posições profissionais que lhes interessam.

Por contraposição, nas sociedades do sul parecemos valorizar mais a ideia de “proteger” os nossos filhos para poderem focar-se em estudar para “depois” de estudarem conseguirem uma boa posição. Este paradigma “protetor” parece-me irrealista e contraproducente no mercado de trabalho atual, onde os nossos jovens – e o país - competem à escala global.

Uma ideia para Portugal é por isso criar condições para que os nossos jovens comecem a trabalhar nos seus verões desde muito cedo para crescerem – e imagino que isso implique criar não só um contexto legal apoiante, como trabalhar com pais, escolas e empresas para fazer este caminho em conjunto”

UM DESAFIO

“Há uns meses aceitei acompanhar um jovem a meio da sua licenciatura em gestão, que dizia querer ajuda para ingressar numa consultora de gestão. Algo não me soava certo naquela história, mas a sua determinação em pedir ajuda e a energia que colocou em concretizar todos os passos que combinámos – raras na minha experiência com jovens adultos da sua idade – fez-me ficar.

Na nossa segunda conversa desafiei aquela “narrativa”: afinal, porquê consultoria? Saiu uma explicação genérica, de gostar de trabalhar em grupo, e um conjunto de preconcepções idealizadas sobre o dia-a-dia de um consultor em princípio de carreira (além de um salário interessante).

Desconstruí aquelas imagens a partir da minha experiência e sobretudo convidei-o a descobrir e entrevistar pessoas que têm hoje as profissões que ele dizia querer: descobrir como são os seus dias, de que gostam e de que não gostam e porquê, que tipo de pessoas são bem-sucedidas e felizes naquelas posições, …? A passar das “imagens” que imaginou aos factos, recolhendo informação junto das fontes relevantes – quem faz efetivamente esse trabalho hoje.

E explorámos então um caminho diferente: o que ele sabia sobre o que o apaixona? De que cadeiras gostou mais? E de que parte disso? O que escolhe fazer nos seus tempos livres quando não há obrigações? E que parte disso lhe dá mais prazer? Que outras experiências de satisfação o marcaram na sua vida? E o que tinham de especial?

E todo um mundo novo de inúmeras oportunidades se abriu – agências de comunicação, consultoria de produto/design thinking, equipas de marketing, … – muito mais alinhadas com o que verdadeiramente lhe dá energia e que ele faz melhor”

Gerir Talento

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