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Círculo da Inovação

Um nómada que monta arraiais e se adapta onde quer que esteja

João Franca Pinto

Cluster Manger Saego Line Iberia

Gerir Talento

Um nómada que monta arraiais e se adapta onde quer que esteja

Ana Maria Pimentel

A vida de mala às costas de João Franca Pinto está numa pausa de dez anos. Dirige em Valência a Seago Line Iberia. Um dos planos a curto prazo é não voltar a Portugal

A única certeza no tempo de faculdade era a de que queria estar ligado às empresas. O primeiro trabalho na KPMG “definiu o futuro”. Aos 23 anos “com uma capacidade de adaptação acima da média” ganhou as características que guarda na algibeira até hoje. Tornou-se versátil e descobriu que tem dentro dele “uma inquietude, uma curiosidade por conhecer outras culturas e outras realidades.”

Naquela altura o seu perfil começa a formar-se, como um desenho de crianças em que se unem os pontos até se encontrar a figura. João Franca já era assim, já tinha aquilo tudo dentro dele, só faltava unir os pontos. Depois da Novis, entra na Maersk em 2000, o que lhe dava a carreira internacional que procurava. Em 16 anos cresceu muito, mas continua a lidar “de forma humilde perante os desafios e as pessoas”.

Dentro do gigante sueco conforme ascendia o nível de responsabilidade aprendia que “à medida que se vai subindo na carreira, cada vez menos se sabe”. Importa reunir as equipas certas, delegar nelas e aprender com elas. O mundo muda e aquele que aprendeu a adaptar-se na KPMG, descobriu que não gosta de estar na sua zona de conforto e por isso se “lhe oferecem uma coisa mais desafiante a natureza faz com que aceite.”

É de arriscar e de desafios que se faz uma carreira ascendente, mas também de oportunidades. Há quem lhe chama sorte, mas a sorte não será apenas o “encontro entre a oportunidade e a preparação”? Oportunidade que não perde é a de correr, sempre com os ténis no carro. Leva as maratonas como leva o trabalho “com obstinação e compulsão”. Tem feito quatro maratonas por ano e é na corrida que esvazia a cabeça e tem as melhores ideias. Uma “crise dos 40” fez com que aos 39 corresse a primeira. Agora o objectivo é completar 50 maratonas antes dos 50.

Embora em 14 anos tenha feito as malas cinco vezes, João não se considera um emigrante clássico. Neste momento Espanha é a sua casa não o sendo.

UMA IDEIA

“Aumentar a competitividade das nossas exportações. Nao há uma receita única, mas sim um conjunto de medidas que se poderiam avaliar: liberalizar a lei de portos (exemplo: permitir concorrência no sector de estiva, ao contrário do que se acaba de fazer), que tornará o transporte marítimo mais económico; reduzir alguma fiscalidade às empresas exportadoras; reduzir fiscalidade específica em custos de produçao importantes, como a energía (electricidade, combustíveis, etc); linhas de crédito à exportaçao para mercados estratégicos e desenvolvidos, nao concentrando (quase) todos os esforços nos mercados tradicionais, como Angola ou Brasil; diplomacia económica (colaboraçao estreita entre embaixadas e empresas que queiram exportar; embaixadas como instrumento para abrir portas e mercados a empresas nacionais)”

UM DESAFIO

“Prefiro nao entrar em exemplos concretos. No entanto, os melhores resultados que alcancei ao longo do meu trajeto profissional estão directamente relacionados com dois factores fundamentais: (¡) delegar; confiar na equipa; dar liberdade de risco e erro ; (ii) escolher bem a equipa; ter diferentes perfis e qualidades na equipa. Montar uma boa equipa e dar-lhe ‘asas para voar é o que um bom líder deve aspirar a fazer”

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