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Círculo da Inovação

O homem que leva os colaboradores às costas

Carlos Palhares

CEO Mecwide

Gerir Talento

O homem que leva os colaboradores às costas

Ana Maria Pimentel

Carlos Palhares tem frases que poderiam ser lugares-comuns. Uma delas: “Temos tendência a morrer se não nos fizermos rejuvenescer”. E não é que ele acredita nelas! E, como as pratica, podiam ser escritas em pedra?

“É muito difícil falar de mim, é mais fácil falar das minhas pessoas.” É assim, simples, o discurso do homem que comanda o barco de viagens transatlânticas que é a MecWide. Fala nas suas pessoas sem aspirações de propriedade, fala com amor porque “gosta muito dos colaboradores”, a quem sempre disse a verdade e que foi aprendendo que só com comunicação os consegue motivar.

Tem os colaboradores às costas, tem-nos nas primeiras palavras que troca, e nos pensamentos que vai desenrolando. Mas fá-lo com a certeza que “para o bom e para o mau” é ele que tem que ser o primeiro “a dar a cara”, só assim e com “os insucessos do passado se aprende a preparar o sucesso do futuro”. Numa carreira de êxitos no mundo profissional que começou na idade da maioridade (18), tem um segredo que partilha: “No mundo de hoje desatualizamo-nos a uma velocidade tal que ficamos caducos”. É por isto que, de dois em dois anos, volta às faculdades: “Aprende-se muito durante o processo de aprendizagem”.

Diz que antes do MBA “era um engenheiro como todos os outros, demasiado pragmático”, o avolumar de conhecimento em gestão tornou-o um “implementador de estratégias”. Passou a sê-lo e essa capacidade deu-lhe uma mnemónica que tornou sua e que partilha com quem quiser aprender: “Como passar de uma empresa de 6 a 60 milhões em seis anos”. Em 2015, atingiu os €32 milhões e a idade ensinou-o que talvez seja mais importante consolidar que crescer, mas o ponto de partida continuam a ser os seis milhões. Seis milhões numa empresa de nome MecWide, que era uma startup em fevereiro de 2009, que se internacionalizou a partir de Barcelos e que foi sempre uma homenagem ao pai.

A empresa metalomecânica, para não dizer Carlos Palhares e os seus colaboradores, fecha desde sempre com resultados positivos algo que só é possível “com determinação e diversificação”. E porque se aprendeu desde cedo a pensar mais no futuro vivendo o presente pensando no passado.

UMA IDEIA

“Gerir um país não é tarefa fácil! Muito mais numa cultura latina como é a nossa! Temos imensos líderes de opinião, muitas associações, muitos institutos, etc, etc, etc… Por outro lado, não acho que ações pouco reflectidas e discutidas possam ter o mesmo sucesso que outras geradas após reflexão e discussão alargada, mas reconheço que isto traz muita inércia e pouca execução.

A meu ver, deve existir um plano sério e alargado para a Justiça, a Fiscalidade e a Educação. Hoje é impossível para um investidor ter confiança no nosso país. Não existe plano de negócios que resista a alterações permanentes de regras fiscais, a uma justiça com uma morosidade e complexidade como a nossa (claro que com tantos juristas/advogados e sucessivos parlamentos, é natural…) e a um sistema educativo que ainda não percebeu que precisa de ser actualizado de fora para dentro. Precisamos requalificar professores e profissionais urgentemente.

Se quiser uma medida imediata, porque o texto é extenso, deixo-lhe a minha preocupação com os desempregados adultos! Diria que estudava o impacto de poder isentar boa parte dos impostos sobre o trabalho a desempregados de longa duração com mais de 50 anos, seguindo o exemplo até dos incentivos dados aos jovens à procura do primeiro emprego. Ajudar as empresas a requalificar quem está desempregado”

UM DESAFIO

“Como mentor na Porto Business School, tenho tido o privilégio de anualmente acompanhar um finalista de MBA durante um ano e que me trazem sempre o desafio de ter de gerir e gerar talento. Por outro lado, no nosso caminho profissional somos desafiados permanentemente e poderia apresentar um ou outro exemplo. No entanto, existe um projeto que me marcou e continua a marcar muito, não só pela singularidade da pessoa, das suas valências e competência, mas também por ser um projeto empreendedor. A Catarina Simões, em 2010 estava a terminar o seu MBA e tinha um desafio pela frente: dar a volta à sua vida profissional. Tinha saído de uma multinacional de telecomunicações e decidiu estudar e desenhar um projeto de mudança profissional. Criativa como é, a Catarina tinha imensas ideias que lhe provocavam um desassossego, pois eram várias as possibilidades de caminhos a seguir. Nessa altura, começaram as nossas conversas e tive a oportunidade de partilhar com ela a minha experiência de vida e os desafios que tinha pela frente e os que eu estava a viver com o projeto Mecwide, que também estava no seu início. Recordo-me de um momento, que considero chave, em que lhe disse que era urgente focar e concentrar as energias num só projeto, naquele que mais acreditava e com o qual ela se identificava mais. A Catarina decide seguir o projeto que tinha trabalhado com os colegas de turma durante o MBA e assim transforma o plano de negócios resultado do trabalho académico, numa empresa, hoje instalada no polo de ciência e tecnologia da universidade do Porto (UPTEC), que explora a plataforma de bilhética digital Last2Ticket.

Fomos conversando e partilhando ao longo destes últimos anos o caminho que Last2Ticket tem percorrido, os seus desafios e possibilidades. Hoje sinto um enorme orgulho ao olhar para a sua empresa e verificar que o volume de negócios superou €1 milhão, que foram criados vários postos de trabalho, tem um dinamismo apaixonado, é diferenciado na sua proposta de valor face à concorrência e tem perspectivas de um futuro com um crescimento internacional alinhado com diversificação da sua actividade. Creio ter sido, de alguma forma, um dos mentores que a Catarina soube aproveitar para o sucesso do seu projeto e espero poder continuar a contribuir para os novos desafios que a Last2Ticket tenha pela frente”

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