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Círculo da Inovação

A moçambicana desenraizada que adora o contacto com as pessoas

Cláudia Romão

Técnica de recursos humanos José de Mello Saúde

Gerir Talento

A moçambicana desenraizada que adora o contacto com as pessoas

Ana Maria Pimentel

Da consultoria para os recursos humanos, de África para a Europa, as travessias de Cláudia Romão, que aprendeu a fazer “figura de padre” nas empresas

Vive em Portugal desde os dois anos, podia dizer-se que é mais portuguesa que moçambicana – terra onde nasceu – mas cresceu num “ambiente de perda” onde os avós e pais se sentiam desenraizados. Talvez por o avô ser a sua “maior referência” também Cláudia Romão sentiu-se sempre desenraizada no país que a viu crescer, entrar na Faculdade de Gestão e começar a dar cartas no mercado laboral.

À saída da faculdade, como a maioria dos jovens recém-licenciados, tinha muitas certezas que provaram ser mentira. Uma delas era a de que a sua vida ia ser no mundo da auditoria. “Não podia estar mais enganada”. Foi descobrindo que a sua vocação analítica começava a ser uma parte ínfima do desenvolvimento profissional e que o maior privilégio era o “contacto com as pessoas”. Havia “uma parte humana intrínseca” ao seu desenvolvimento que foi descobrindo.

À “metodologia dos processos” foi juntando o outro lado, e da consultoria para os recursos humanos foi um saltinho. “Um salto qualitativo” chama-lhe assim, esse salto que lhe permite estar onde está.

Na Sonae, descobriu o jeito “para a figura de padre”, ouvir as pessoas e depois encaminha-las. No fundo, ajuda. Foi ali que aprendeu a descobrir o seu perfil, e o seu perfil está em pleno onde estiverem as pessoas.

Entretanto, apaixonou-se pela José de Mello. Garante que foi automático. Continua em regime de enamoramento com a empresa que a desafia todos os dias, e que não a cansa por nada.

UMA IDEIA

“Gestão do Estado como de uma empresa/grupo se tratasse, com todos os princípios e políticas de uma empresa:

Cada órgão/empresa/serviço do estado deveria ter uma missão, visão e objetivos globais, definidos em cascata para cada área até aos objetivos pessoais.

Com objetivo lucro ou não, deveria haver uma procura de autofinanciamento. Cada "negócio", dentro do espírito para o qual existe, procurar uma forma de se tornar sustentável.

Gestão de Recursos Humanos: Meritocracia, gestão do talento, planos de desenvolvimento e carreira.

Competitividade: procurar fazer mais e melhor, otimizar processos: eficácia e eficiência”

UM DESAFIO

“A história/episódio que partilho está relacionada com uma pessoa da minha equipa. Quando mudei de funções tinha uma equipa de sete pessoas e uma área para repensar/reorganizar. Uma das pessoas da equipa estava manifestamente perto do burnout, alguma desmotivação e com algum descrédito junto do cliente interno e equipa. Foram tempos difíceis em que ninguém estava satisfeito, o colaborador e a empresa. Acreditei que esta pessoa tinha potencial para crescer e assumir novas responsabilidades com um maior valor acrescentado para a organização. Nessa restruturação assumiu uma função diferente. Hoje passado mais de um ano o balanço foi muito positivo e inclusivamente passou também a gerir a área a que anteriormente pertencia. Esta decisão foi difícil e com algum risco, uma vez que não tinha o apoio dos meus pares, equipa geral e cliente interno”

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