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Círculo da Inovação

Pensar sem caixa, abusar da inovação

Marco Almeida

Senior International Expansion Parfois

Foco no Consumidor

Pensar sem caixa, abusar da inovação

Ana Maria Pimentel

A veia empreendedora esteve lá sempre, mas foi no ano em que acabou a universidade que Marco Almeida percebeu que lhe podia dar um uso mais prático

As viagens a França encantavam-no. Aqueles “cogumelos gigantes” que se viam nas ruas a aquecer esplanadas eram incríveis mas acima de tudo não existiam em Portugal. Tinha que conseguir a representação, aquilo tinha que ser dele quando chegasse à Península Ibérica. Marco diz que conta o resumo da história, porque a versão original teria tantos capítulos que ocupava um dia inteiro de conversa. Em síntese: viu os cogumelos, quis ter a representação, montou uma empresa e conseguiu. Marco Almeida contactou BP, Galp e Shell para uma parceria. A BP aceitou e por cada aquecedor oferecia uma botija de gás. Durante cinco anos foi assim. Passado esse tempo a BP comprou-lhe o negócio e o rapaz, viciado em projetos e em inovação, viu-se com tempo livre.

O Porto estava a viver uma era única, era o Porto 2001 e os projetos nasciam em cada esquina, um pouco por todo o lado respirava-se mudança e modernidade, no centro da cidade um polo cultural de linhas modernas estava a ser construído. O que iria acontecer ao edifício transparente com vista para o atlântico? Os boatos diziam que já tinha destino, outros que iria ser demolido. A realidade vinha nas páginas de jornal: um concurso onde quem tivesse a melhor solução para aquele edifício ganhava um contrato.

Marco não podia deixar escapar aquela oportunidade e uma proposta multifuncional feita por ele ganhou com unanimidade do júri. Procurou capitais de risco, “foi preciso muita inovação para conseguir levar avante aquele projeto”. Os atrasos habituais deste tipo de iniciativas faz com que fosse inaugurado “na altura em que o céu começa a cair em cima de Portugal. Entre 2007 e 2011 foi uma travessia do deserto”. Mas aquilo era paixão do miúdo de 26 anos que, por pior que estivessem as coisas, nunca o deixou cair.

Estava mais uma vez sem praticamente nada, tinha apenas os seus conhecimentos, que começa a por a funcionar. “Sem networking não se consegue inovar nem por as coisas em marcha”, explica. O seu trabalho em rede permite-lhe chegar a um projeto chamado Parfois que queria “dar um grande salto”. Vai sem medos e sem redes de protecção, inovar sempre a inovar. Ali é feliz, mesmo dentro de uma grande empresa as ideias sucedem-se e numa cultura de tentativa-erro-tentativa nunca sente que não é empreendedor.

Aos insucessos agradece. Diz serem “uma das bases mais importantes da aprendizagem”, mas só o são se forem quantificados “sem recorrer à achologia”. Nos tempos livres empreende. Neste momento num projeto que ainda está no papel sem data para sair de lá, mas que pretende ser uma plataforma que dá uso , um pouco por todo o lado respirava-se mudança e modernidade ao infinito poder do público.

UMA IDEIA

“Um portal de crowdfunding interligado entre os bancos e entidades públicas para apoio ao empreendedorismo e catalisador da formação de sindicatos para financiamento das PME. As fontes de financiamento estão esgotadas com as grandes empresas e organismos públicos.

Temos tecnologia. Temos talento. Falta comunicação & marketing (porque é que o queijo da serra não tem o mesmo reconhecimento mundial do queijo Parmigiano? Porque é que a francesinha não tem o mesmo reconhecimento da pizza?). Falta Financiamento às PME e empreendedores. Veja-se o caso da Farfetch. Embora tenha muitas operações em Portugal, deslocalizou a parte financeira do negócio para Londres. Só aí teve acesso às oportunidades e network de financiamento à escala a que se propunha fazer crescer o negócio.”

UM DESAFIO

“Quando me formei em Gestão e saí da Universidade Católica, vi algo em França que não havia em Portugal e que o consumidor português não tinha nem sabia, na sua maior parte, que existia. Os aquecedores de esplanada, tipo cogumelos a gás. Na altura fiquei representante desses aparelhos em Portugal e Espanha e fiz o trabalho de mostrar essa ‘coisa’ nova aos portugueses e espanhóis e criei a necessidade que até aí não existia. Houve uma altura em que as empresas de eventos em Portugal já não faziam eventos sem os “cogumelos” que eu alugava. Dei-me bem e vendi a empresa passados uns anos à BP Gás.”

Foco no Consumidor

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