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Círculo da Inovação

Com ela é sempre a abrir

Ana Torres

Diretora World of Discoveries

Foco no Consumidor

Com ela é sempre a abrir

Ana Maria Pimentel

Ana Torres aprendeu com a experiência que gosta, mais do que projetos, de “aberturas”. Estar lá desde o primeiro dia, a tratar de tudo, até chegar ao público

“Caiu de paraquedas na SONAE” quando ainda era uma recém-licenciada em Comunicação Social. Sem saber estava ali a aprender o melhor com os melhores “num dos ambientes profissionais mais exigentes” onde já trabalhou. Saiu uma “multitasker resiliente, polivalente, dinâmica que adora um bom desafio.” Foi quando a comunicação interna da empresa, área onde trabalhava, se tornou mais analítica e menos criativa que decidiu sair.

Foi então que aprendeu a “gostar de aberturas”. No Forum Coimbra fazia o marketing, trabalhava a marca e fazia os eventos. Durante três anos, a juntar à sabedoria da Sonae, aprendeu a gestão de pessoas, “área que se vai desenvolvendo.” Depois do Forum Coimbra, o Sea Life Porto, sempre a abrir.

A energia na voz de Ana Torres é contagiante e nunca tem só uma resposta. Tem várias. Agora na World of Discoveries tem muita responsabilidade. E gere muitas pessoas, sempre com transparência, proximidade e personalização. Vai equilibrando a emoção e a razão. No museu passa muito tempo a observar os comportamentos de quem os visita. E quase sempre a sua estratégia é moldada “com base na jornada do consumidor.”

Sabe que nem sempre os problemas têm solução, e se o plano B também falha pode explorar as outras letras do alfabeto. O seu “percurso é feito com base na experiência e no empirismo”, e essa estratégia ensinou-a que não há tempos certos, mas que o timing é o melhor amigo, e que é sempre melhor “resolver os problemas a jusante e não a montante.”

UMA IDEIA

“Particularmente, sou bastante crítica do modelo tradicional de ensino português. Proponho, pois, a transformação deste modelo que considero unilateral, estandardizado e passivo, num modelo gradual de “multiplayer classroom”. Um modelo centrado no aluno, no desenvolvimento ativo das suas competências sociais, técnicas e de comunicação. Capaz de reenquadrar a noção de 'vocação' e do seu envolvimento como participante ativo e que toma decisões conscientes e autónomas quanto ao caminho da sua formação.

Há várias estratégias disponíveis mas destaco uma KIS que parte de uma linguagem universalmente aceite, consensual e motivadora para as crianças: o jogo. Há uma escola em Nova Iorque que faz apologia desta metodologia. Chama-se “Quest to Learn”, integra na equipa de docência game designers e tem como missão de base o envolvimento das crianças em novos formatos de aprendizagem extremamente apelativos e culturalmente relevantes. A filosofia parte dos princípios de base da criação de jogos e o objetivo é a geração de um sentimento permanente de “need to know” na sala de aula.

A cada trimestre os alunos deparam-se com um conjunto de desafios, jogos e missões progressivamente complexos, onde a aprendizagem, o conhecimento, a partilha, o feedback, a reflexão e a determinação dos próximos passos emergem como comportamentos naturais e gradualmente adquiridos. Pode parecer um modelo utópico mas está muito mais próximo das necessidades e desafios que deparar-se-ão, cada vez mais, aos profissionais do futuro.”

UM DESAFIO

“Aquando do desenvolvimento do projeto World of Discoveries - por um lado reportando ao meu background em projetos de natureza semelhante e, por outro lado, assente em estudos de tendências de mercado - traçamos o perfil do consumidor-tipo potencial do projeto e essa normativa esteve presente em todas as decisões estratégicas, operacionais e logísticas de desenvolvimento e implementação.

Exemplos concretos são a consideração das dimensões de espaço, corredores de transição, áreas mortas e caraterísticas ergonómicas dos equipamentos físicos, mecânicos, multimédia e de acesso. Por outro lado, essa mesma filosofia atravessou as estratégias de produção e desenvolvimento de conteúdos, linguagem e comunicação adotadas. A título de exemplo é o primeiro projeto na cidade a integrar conteúdos multilingue abrangentes e capazes de satisfazer as necessidades de todas as nacionalidades que integram o perfil de visitação da cidade.

Finalmente, o meu percurso e a tendência para questionar positivamente, procurando as soluções mais adequadas, levou à implementação de uma nova filosofia de museologia, muito mais focada na humanização da experiência do que na diversidade e coleção de objetos. A experiência de visita deixa de ser meramente contemplativa e, em certo modo até, solitária, para cruzar-se aqui e ali com dinâmicas de teatralização e encenação e/ou de contextualização por guias e atores que estão permanentemente prontos a surpreender com uma estória, uma curiosidade, uma aparição inesperada. Este facto é recorrentemente salientado pelos visitantes nas reviews e métricas de análise de satisfação. O poder redirecionou-se. há muito das caraterísticas físicas e técnicas do produto para o universo imaterial das marcas e sua capacidade para gerar experiências catalisadoras.”

Foco no Consumidor

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