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Círculo da Inovação

“A vaidade mata. Mata os sonhos, mata tudo”

Nuno Ferreira Pires

Pestana Executive Commitee Member, Company Managing Director Marketing & Sales

Foco no Consumidor

“A vaidade mata. Mata os sonhos, mata tudo”

Ana Maria Pimentel

Cresceu com disciplina militar, chegou a pensar seguir o mesmo caminho e voar na Força Aérea mas meia dioptria cortou-lhe as asas. Essa primeira rasteira da vida deu-lhe força aos sonhos. Depois aprendeu a ser humilde

Por conselho da mãe, Nuno Ferreira Pires ainda pensou em ser um homem de letras e tirar Direito. Para um aluno da área C – Economia e Gestão – ser advogado significava mudar de área e refazer dois anos de ensino secundário. Estava fora de questão para alguém que “não perde nada de forma consciente”.

A escolha óbvia era a da Gestão. O papão da Universidade tornou-se um animal de estimação bem amestrado, que lhe permitia ter tempo para tudo e nunca deixar de ser bom aluno. Durante o início do curso passava as manhãs atento nas aulas e as tardes atento às ondas em cima de uma prancha de bodyboard. A meio da corrida atormentou-lhe a pergunta que ecoa na cabeça dos finalistas universitários: O que vou fazer a seguir?”

Telemarketing. Passou três anos no BCP a fazer vendas pelo telefone no meio de uma equipa de universitários como ele. Destacou-se e recebeu uma chamada com uma proposta irrecusável de um, ainda desconhecido, Miguel Cadilhe. Nesse dia recusou a proposta e aprendeu uma lição para a vida: “Nunca nos devemos vender a coisas que socialmente são extraordinárias, mas que não gostamos. A vaidade mata. Mata os sonhos, mata tudo.”

O sonho levou-o a juntar o marketing e as vendas. Foi para a P&G “com toda a garra” e durante cinco anos viu o seu talento “ser reconhecido” no arranque de uma carreira que o preparou “para o resto da vida”. A vida levou-o à Compal como responsável pela inovação. Orgulha-se de ser o nome e a cabeça por trás do essencial “que mudou a forma como se vê a marca”. Nunca deixou de acreditar mesmo nos 11 meses em que passou pela PT. Mas foi antes disto tudo que teve a maior prova de resiliência quando esteve desempregado a seguir a dois anos na ONI WAY. Aí percebeu “que também era mortal”.

Seriam precisos muitos mais parágrafos para falar da sua passagem pela DYRUP, pela MTV, pelas águas do Luso ou pela Heineken, tantos quantas as horas que durou o pequeno-almoço que o Expresso partilhou com ele. Contudo bastará dizer que Nuno deixa por todos os lados por onde passa “uma coisa mensurável”, marcas e conceitos que ainda fazem parte do dia-a-dia dos portugueses. Hoje no Grupo Pestana não pensa em sair. Ainda não atingiu o cansaço e o seu “perfil nómada” ainda não falou mais alto. Gosta de estar numa empresa familiar que tal como ele “não liga às hierarquias”. Para o futuro a máxima de sempre: “Levar as ideias até ao extremo. Acreditar sempre nos sonhos."

UMA IDEIA

“Aplicar o conceito de crowdsourcing à Marca Portugal como Best Destination Worldwide.

Como: criar uma Gamification APP; usando como canal de distribuição os próprios portugueses e as suas redes sociais e respectivas redes de contactos; Strenght: usar todo o orgulho e patriotismo dos Portugueses e colocar todos a “vender” o país lá fora. Se 5 dos 10 milhões de portugueses aceitassem o desafio de - em prol do seu país - usarem as suas redes sociais e contactos dentro e fora para todos os dias, todas as semanas, criarem free advertising content para manter Portugal no top of mind do mundo, isso poderia manter este crescimento de fluxo turístico e de investimento ao país, alimentado para a próxima década; e Free: usando o espírito de patriotismo que temos e em especial de competitividade: um bom português não resiste a uma boa disputa. Fueling da App: manter em permanência uma ligação directa dos resultados alcançados em números de contactos adicionais conseguidos, fluxo turístico incremental e quantos postos de trabalho Portugal em média aumentaria. Cada pessoa teria um ranking com a sua capacidade de ter gerado mais X postos de trabalho com notificações permanentes cada vez que tivesse ajudado a gerar (em média) mais 1 posto de trabalho.”

UM DESAFIO

“1º Comer mais Fruta – Compal Essencial. Ao conseguir que (o consumidor), os portugueses comessem mais fruta. Inventei o conceito da “fruta bebível” – o Compal Essencial. Num país, num mundo, onde o baixo consumo de frutas e vegetais está na origem de grande parte das doenças não transmissíveis. Um sucesso estrondoso de vendas, mas, acima de tudo, um enorme sucesso acolhido pelos nutricionistas e profissionais de saúde que os incluíram em diversas dietas nutricionais. Ainda hoje é um sucesso.

Beber mais água – Água do Luso (Formas Luso). Lancei a 1ª água do mundo que ajuda ao emagrecimento, pelo efeito da saciedade – As Formas Luso – que no fundo deram uma utilidade adicional à água, que era já usada em dietas de emagrecimento, mas agora com efeito mais poderoso e mais rápido, com resultados cientificamente comprovados. Com este produto a marca conseguia com apenas 3% de mais volume vendido, acrescentar mais 25% de facturação, pelo valor que os consumidores reconheciam ao enorme benefício. A água tinha ligeiro sabor (para ajudar a maior consumo) e era enriquecida com fibras alimentares que aumentavam o tamanho no estômago produzindo o chamado efeito de saciedade dando sinal ao cérebro de “não fome”.

Ser mais Digital, (com menos) Digital. No Pestana ao tentar apanhar o comboio que viaja à velocidade da luz – o digital – e que estando num sector que não nasceu digital e tem custos elevados de “mudança”, encontrei o conceito de “close the GAP tools”. Se não posso ser 100% competitivo já, pela velocidade e pelo custo inerente à digitalização, como posso encontrar as ferramentas que me fechem este GAP e me permitam manter-me competitivo? Neste caso transformámos a nossa venda assistida através dos nossos call centers como o 2º canal de acesso dos nossos clientes à nossa marca e hoje um cliente que tenha uma percalço de experiencia digital connosco é de imediato redirecionado para uma venda humanamente assistida pelos nossos call centers, que permitem assim fechar a transaçao de imediato com o cliente, aumentar o nível de satisfação na interação com a nossa marca e controlar todo o processo. O digital, mais que tecnologia, é a forma simples como o cliente espera ter uma experiencia excepcional. E isso consegue-se, também, com ferramentas coadjuvantes e tangentes ao processo digital.”

Foco no Consumidor

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