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Círculo da Inovação

O homem que criou as caneleiras que protege a selecção e as pernas de Hulk

Luís Filipe Simões

CEO Sak

Foco no Consumidor

O homem que criou as caneleiras que protege a selecção e as pernas de Hulk

Ana Maria Pimentel

Nasceu em Viseu uma empresa que faz frente aos grandes nomes do desporto na confeção de caneleiras. O médico do Chelsea considerou-as as “melhores do mercado” e o ex-jogador do Futebol Clube do Porto dá a cara por elas

SAK - Safety Against Kicking, que é como quem diz segurança contra pontapés, foi exatamente o mote que levou a startup viseense, produtora de caneleiras, a ser o objeto de desejo dos melhores jogadores mundiais. Luís Filipe Simões dava aulas no departamento de engenharia do Instituto Politécnico de Viseu quando começou, acompanhado do colega e amigo Rui Pina, a estudar matérias-primas e as pernas dos jogadores de forma a criar uma nova geração de caneleiras.

No início, numa garagem no centro do país, era só um desafio em que era possível conjugar o gosto por tecnologia e o gosto por futebol. Depois, o investimento cresceu diretamente proporcional ao êxito do projeto. Tinham ali qualquer coisa, não havia nada assim no mercado, nem nas marcas de desporto com nome sonante. "Ironicamente as caneleiras até então no mercado existiam de forma virtual, criavam uma falsa sensação de segurança", explica Luís Filipe Simões enquanto vai contando a história do hobbie que se tornou na sua profissão em pouco tempo.

Depois de módulos em gesso e de outros caminhos falhados, gritaram eureka com a criação de uma caneleira personalizada produzida à medida com a ajuda de uma digitalização 3D. Já tinham produto quando se apercebem que seleção nacional iria estagiar em Viseu. "Era um sinal dos deuses": tinham um produto "para a nata dos jogadores e a nata dos jogadores estava ali ao lado". A apresentação das caneleiras à FPF e as consecutivas encomendas foram a validação.

Era aquele o momento de deixar as aulas e passar a estar na SAK a tempo inteiro, sempre com a mesma frase a ecoar: "E a seguir?". A seguir foi uma chamada: "Olá Filipe é o Paulo." Do outro lado da linha era Paulo Ferreira, a convida-los para ir a Londres apresentar ao Chelsea aquelas que o médico do clube disse serem as “melhores caneleiras do mercado".

Com "todos os ingredientes para cativar” obtêm investimento e a empresa cresce. Hoje é Hulk – antigo jogador do FC Porto - quem dá a cara por elas. A SAK não saiu de Viseu, nem pensa em fazê-lo, mas as caneleiras já correram o mundo inteiro. Personalizadas, feitas à medida ou até um modelo mais barato que permite ter acesso às caneleiras de qualidade através de um algoritmo criado pela marca.

Luís FIlipe Simões, "Chief of Everything Office" como gosta de dizer, sabe que o desafio continua a ser fazer com que a marca seja falada, manter a qualidade e continuar a inovar. A bola continua a rolar no campo da SAK, os golos já foram marcados. Agora o objetivo é levantar a taça nas finais mundiais.

UMA IDEIA

“As direções das universidades e politécnicos deveriam ser compostas maioritariamente por pessoas externas às instituições, sendo nomeadas por grupos de empresários e profissionais das áreas temáticas lecionadas. Estes deveriam ter também uma intervenção direta na validação dos currículos dos cursos, promovendo conteúdos alinhados com as necessidades que identificam nas suas atividades profissionais. Tendo lecionado durante 11 anos no ensino superior, tornou-se óbvio para mim o problema das instituições estarem fechadas sobre elas mesmas, sendo guiadas por agendas muito particulares que nada têm a ver com a melhor formação dos alunos e a sua adequação ao mundo real. Uma gestão externa poderia seguramente produzir profissionais mais qualificados e preparados para os desafios atuais.”

UM DESAFIO

“O futebol é um desporto praticado por mais de 260 milhões de pessoas e as caneleiras são o seu único elemento de proteção durante o jogo. Surpreendentemente, todos estes jogadores, dos mais caros do mundo ao amador que joga com os amigos, entram em campo desprotegidos e desconfortáveis. As marcas de desporto tradicionais, tal como os jogadores, acostumaram-se ao facto de as caneleiras serem um pedaço de plástico com uma espuma: são rígidas, desconfortáveis e, como provou um estudo realizado por investigadores, inseguras. Sendo um produto de fraca qualidade, começou a ser comum os atletas optarem por caneleiras extremamente pequenas, numa tentativa de reduzir o desconforto, mas aumentando a exposição a lesões. Pior ainda, muitos têm tal aversão ao desconforto proporcionado pelas caneleiras que rejeitam a sua utilização, usando cartão ou esfregões lava-loiça recortados (!) para enganar o árbitro, dado que o uso das mesmas, tenham qualidade ou não, é obrigatório.

A SAK tirou conclusões simples sobre o produto 'caneleiras':

  • Se tem de proteger, devem ser usados os melhores materiais de dissipação da energia dos impactos
  • Se é para usar durante todo o jogo, tem de ser confortável
  • Se não pode tirar o foco ao jogador, tem de ser uma extensão natural da sua perna, adaptando-se perfeitamente à mesma.

Para resolver os problemas identificados, a SAK desenvolveu um novo arranjo de materiais de última geração, com uma incrível capacidade de redução do risco de lesões por impacto e com um conforto único dado que são feitas à medida das pernas dos atletas após a sua digitalização 3D.

Resultado da sua relação com os futebolistas mais exigentes do mundo, com os quais adquiriu um conhecimento único sobre o que esperam das suas caneleiras, a SAK desenvolveu uma gama para todos os consumidores que não sendo profissionais, merecem usar a melhor proteção. Trata-se de um produto para as lojas, sem os elementos que tornam as caneleiras personalizadas SAK inacessíveis a alguns atletas: a necessidade de digitalização e a criação de moldes específicos para cada jogador.

A forma destas caneleiras é resultado do estudo anatómico de uma enorme base de dados de pernas 3D. Os materiais continuam a ser os mais eficazes para a máxima proteção e a forma otimizada das caneleiras permite um excelente encaixe em 96% dos jogadores.”

Foco no Consumidor

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