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Círculo da Inovação

A velocidade de um dos pioneiros do tuk tuk

João Paiva Mendes

CEO Boost Tourism

Foco no Consumidor

A velocidade de um dos pioneiros do tuk tuk

Ana Maria Pimentel

João Paiva Mendes tem a energia de quem tem as ideias e encontra as ferramentas para as por em prática. Como tantos outros aproveitou o boom do turismo em Lisboa para fazer crescer a empresa. Mas acima de tudo encontrou uma forma diferente de dar a conhecer o país

A energia de João Paiva Mendes é contagiante, aos 33 anos já criou empresas com a mesma facilidade que os amigos se acomodaram numa “das grandes consultoras” quando juntos acabaram o curso de gestão. A sua mais recente, e mais conhecida, criação é a GoCar, que esteve nas bocas do mundo – pelo menos no lisboeta. A opinião púbica divide-se entre os que acham os tuk tuk a ideia mais divertida e entre aqueles que hão-de criticar com todas as forças a sua penetração nas ruas.

João fala do sucesso da Boost Tourism – empresa que criou e que lidera – com a mesma força com que ela se integrou no mercado. Hoje já não é o miúdo que aos 25 anos viu “uns carrinhos amarelos em São Francisco” e percebeu que os tinha que trazer para a sua cidade. Hoje fala com a propriedade de quem tem uma empresa que ao longo de oito anos tem tido um crescimento constante superior a 70%.

Longe vão aos tempos iniciais da Go Car em que “toda a gente achava que aquilo ia ser uma desgraça”, em que “andou a bater às capelinhas para ter empréstimos”, e que com o decisivo empréstimo de €8 mil que a mãe lhe fez criou uma empresa sólida que emprega 60 pessoas.

Faz parte de uma geração que aprendeu a resolver problemas para sobreviver, e essa é a matéria de que um empreendedor é feito. Sabe que tem o privilégio de ter estudado no Colégio Alemão, de ter pais que lhe suportam as “loucuras”, mas desengane-se quem acredita que isso tornou o processo mais fácil. Aos 23 tomou a decisão de ser independente. Da GoCar tirava 700€ por mês que davam para a renda e pouco mais, os extras eram suportados muitas vezes pelos tais amigos que, em início de carreira, ganhavam muito melhor que ele.

Este esforço e perseverança, a política de nunca seguir o caminho mais fácil, já lhe valeram fazer parte do júri pré-selecionador do programa Shark Tank. Está ali a ver ideias, talvez as mesmas que lhe vão surgindo “50 mil vezes por dia”, vê ali pessoas que, tal como ele, são “loucos” como ele era há oito anos. E se na altura ouviu “nãos” de pessoas que não acreditavam no sucesso das ideias, hoje tem a responsabilidade de fazer o mesmo.

Dos anos a empreender fica a lição de que as pessoas são tudo num projeto, e que diariamente é com esse grupo de pessoas que se ultrapassam as barreiras porque, alerta, “se está sempre a falhar”. No curto prazo terá coragem de deixar a Boost Tourism e talvez montar um fundo de investimento, ou apostar na restauração, ou numa das muitas ideias que lhe vão surgindo diariamente, sempre com a consciência de quem já sabe “que no Excel um projeto dá sempre muito dinheiro, mas na vida real é outra coisa.”

UMA IDEIA

“Mudava a inflexibilidade laboral que existe em Portugal e que na minha opinião condiciona imenso o quanto as empresas estão dispostas a pagar por um determinado posto de trabalho, principalmente com quadros com mais tempo.

O actual sistema leva a que, por natureza, as empresas estejam menos dispostas a aumentar salários porque vêem um contrato como um compromisso a longo prazo quando o mundo gira atualmente a curto prazo. Se pudesse, condicionava fortemente os recibos verdes, dava contratos de trabalho a toda a gente, mas flexibilizava a contratação/ despedimento de pessoas e aplicava as verbas do fundo de desemprego para pessoas acima dos 40 anos que, por natureza, têm mais responsabilidade e muito mais dificuldade em encontrar trabalho.

Acredito que estas medidas iriam baixar o desemprego, aumentando a competitividade de cada posto de trabalho e o salário médio em Portugal (o não compromisso de longo prazo permite maior agilidade nos salários) melhorando assim a qualidade de vida dos portugueses no geral”

UM DESAFIO

“A Boost Tourism resolve, ou pelo menos cria alternativas, para que aliando tecnologia de ponta e meios de transporte alternativos, preferencialmente ecológicos, seja possível descobrir novas micros - centralidades nas diferentes cidades onde está implementada. Em resumo, disponibilizamos meios e tecnologia para que seja possível de uma forma simples e divertida descobrir novos locais enquanto se aprende mais sobre as mesmas”

Foco no Consumidor

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