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Círculo da Inovação

Na vida dele não há ‘nins’

Bruno Mota

Partner na Bold

Digitalização

Na vida dele não há ‘nins’

Ana Maria Pimentel

Bruno Mota tem uma personalidade vincada, cujos traços principais imprimiu na Bold. Uma empresa que, segundo ele, mostra que a qualidade vence sempre

“O local onde se chega é definido pelas experiências, pela educação”, e estas vivências foram moldando a personalidade de Bruno Mota. E foi essa personalidade que o fez criar a Bold, empresa com características vincadas, que no início se confundiam com as dele e do sócio amigo com quem a fundou. “Hoje já tem um pouco de todas as pessoas que lá trabalham”.

Mas voltando atrás, ao tempo em que era consultor informático e que a necessidade de aprender o fez tirar uma pós-graduação em gestão empresarial, à altura em que falava com um colega de trabalho na necessidade de criar uma empresa onde o mais importante era tratar bem as pessoas, manter o foco nelas. Uma vontade que se transformou na Bold.

A empresa nasce em 2009, “apesar da crise”, com a crença profunda dos dois sócios de que há sempre espaço para projetos de qualidade. Fizeram tudo para conseguir oferecer aquilo que prometiam, bateram a todas as portas, apresentaram-se a toda a gente, quilómetros percorridos “a mostrar valor”. Passados sete anos, os dois passaram a 400 e a Bold cresceu muito. “Nunca mudou a sua base, mas mudou enquanto empresa.” Bruno Mota lembra-se que não houve “momentos muito maus”, houve desafios, mas acima de tudo viveu e vive “momentos muito bons”. Todos os dias com o mesmo espírito de sacrifício, a ouvir todos, sempre com o pensamento colocado nos trabalhadores e no cliente.

O primordial continua a ser “deixar todas as pessoas felizes e motivadas”. Ao longo da vida foi aprendendo que às vezes o mais importante é a persistência. Gosta pouco de discursos circulares. Para ele as conversas têm que ser “simples e claras” com a certeza de que um não é, na maioria das vezes, mais importante que um talvez.

UMA IDEIA

“Cada um de nós certamente terá algo a dizer sobre eventuais mudanças para o nosso país, em várias áreas específicas. No meu caso, prefiro dar dois exemplos de dificuldades diárias que sinto e em soluções que pudessem ajudar-nos a ultrapassar essas dificuldades e investir na transformação digital do nosso país. Nomeadamente: deviam existir regras relativas aos prazos de pagamento (que ano após ano têm vindo a aumentar) e que colocam em causa os investimentos que as empresas devem continuar a efetuar em inovação (já para não mencionar os clientes devedores). Outro dos temas preocupantes, sobretudo na área tecnológica, é a falta de mão-de-obra qualificada. Já estão a ser tomadas algumas medidas (por exemplo, a adopção da disciplina de programação em certas escolas e a “reciclagem” de profissionais de outras áreas para a área de TI) mas que não resolvem o problema a curto prazo. Eventualmente teremos de estudar outras soluções que permitam encontrar e trazer para Portugal esses profissionais que nos possam ajudar na continuidade da digitalização. Estas duas dificuldades impedem as empresas de investirem mais na inovação e na transformação digital, devido às dificuldades presentes na grande parte das empresas ao nível da tesouraria e também pela falta de recursos especialistas nesta área digital”

UM DESAFIO

“No dia-a-dia da BOLD deparamo-nos com diferentes tipos de desafios, tendo em conta o vasto leque de clientes de diferentes sectores e países com os quais trabalhamos. Na área tecnológica o principal desafio é acompanhar a velocidade da tecnologia e de tudo o que vai surgindo à sua volta e, ao mesmo tempo, pensar em particular em cada um dos negócios dos nossos clientes e perceber o que está a mudar e o que temos de fazer para acompanhar essa mudança. Ao mesmo tempo, temos de olhar para a nossa estrutura e fazer com que também ela acompanhe as novidades tecnológicas. Um desafio que não está ainda ultrapassado e que temos vindo a trabalhar é a adaptação de negócios que cresceram com perspectivas mais físicas e que tendem a tornar-se maioritariamente digitais no futuro. Como exemplo, uma editora brasileira que na sua génese sempre vendeu essencialmente títulos físicos, que continuam e continuarão a ter os seus adeptos, mas que perante as novas gerações digitais que estão a nascer e a crescer terão de mudar obrigatoriamente o seu modelo de negócio. Do ponto de vista dos negócios que têm uma génese digital, um dos desafios é perceber em que canais digitais devem crescer, quais as prioridades, quais as plataformas, etc, etc, etc. Sendo a transformação digital algo que está a acontecer em grande escala, é necessário encontrar o público-alvo, perceber de que forma se pode atingir esse público e agir em conformidade de forma a encontrar o commitment adequado. Diria que nesta área não há apenas uma fórmula de sucesso, e daí advém o grande desafio, de se encontrar a fórmula correta para cada desafio particular”

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