Um projeto Menu

Círculo da Inovação

Treinador e taxista. Quando o empreendedorismo vem de carrinho

João Fonseca

CEO e Founder Cartrack, Taximotion e Simplicity

Digitalização

Treinador e taxista. Quando o empreendedorismo vem de carrinho

Ana Maria Pimentel

Desde os 15 aprendeu o significado de resiliência. Agora quando a vida lhe muda as voltas faz dela uma montanha russa

Aos seis anos começou a jogar futebol. Mais meia dúzia e já era federado - corria com o sonho nos pés. Aos 15 uma lesão obrigou-o a abandonar e levando-o duas vezes à sala de operações. Podia ter sido o dia em que virava as costas ao futebol, mas aos 19 decidiu tirar o curso de treinador enquanto estudava engenharia do ambiente e urbanismo.

Tornou-se treinador a sério, daqueles que festejam vitórias e que ficam magoados com as derrotas. Treinos que eram divididos com a Associação de Estudantes e o curso. Sempre teve tempo para tudo e no final da faculdade foi convidado para a TomTom onde ficou responsável pelo produto. A época que passou enquanto treinador deu-lhe bagagem para a vida enquanto formava “miúdos de diferentes escalões e com diferentes vivências, que tinha que unir”. Foi assim que “de um momento para o outro explodiram o carisma, a capacidade de unir um grupo por um objetivo e de manter sempre o foco.”

E talvez estas características todas juntas e o facto de não acreditar “em mais do mesmo” fizeram com que estivesse na Taximotion – aplicação móvel para táxis – e gestor comercial da Cartrack – plataforma que monitoriza carros, projeto que viu começar do zero em abril de 2009 e cujo crescimento acompanhou, chegando a CEO.

Adora desafios, e não para até os agarrar bem. Em 2010 tinha aberto a Simplicity que entretanto fechou a actividade, em 2014, para ser reaberta como uma empresa de transfers para outras empresas, em 2015. Agarrou mais uma vez o desafio que só falta ver estabilizado.

Dos tempos em que tinha tempo para tudo não mudou muito e por isso juntou-se a três amigos para fazer em vídeo a análise técnico-tática do europeu de futebol. São os Adeptos Parciais que prometem vídeos de 11 minutos a analisar a próxima jornada.

UMA IDEIA

“Aproveitar os jovens talentos que temos. Alguém duvida do valor das nossas faculdades? E dos nossos alunos? Quantos não saem cheio de ilusões e ideias e as mesmas “morrem” passado pouco tempo? O que nos diferencia quando saímos da faculdade? A nota? Sem dúvida que é um factor, mas será esse o mais decisivo? As empresas quando recrutam jovens talentos, olham para o CV mas quantos jovens de valor não ficam perdidos? Porquê?

Uma ideia: tornar o nosso ensino mais aberto e mais prático. O ensino evoluiu, algumas ordens não! A resistência à mudança não deve ser aliada. É da responsabilidade do país acompanhar os jovens que são inseridos no mercado de trabalho. Não só estes devem ser avaliados como as empresas que os contratam devem estar sujeitas a avaliações ainda mais criteriosas.

Quero com isto dizer que as empresas não se devem “aproveitar” dos programas governamentais para ter mão-de-obra barata mas sim serem uma ponte decisiva da integração de um jovem no mercado de trabalho à medida que usufruem das suas competências.

Acredito que deve ser feita uma app em que as empresas tenham acesso aos jovens talentos através de um sistema vídeo, onde os candidatos analisam as experiencias de outros candidatos e desta forma a troca de competências é mais acompanhada e segura para o empreendedor e candidato”

UM DESAFIO

“Numa das empresas em que trabalhei, deparei-me com um desafio interessante. A empresa operava no mercado B2B e estava a desenvolver um produto que se destinava ao consumidor final. No entanto, dado o âmbito em que a empresa trabalhava e, uma vez que a visibilidade perante o consumidor final era baixa, grande parte da população que não tivesse contacto com o sector não conhecia a empresa.

Como poderia chegar aos particulares com um sistema que atuava no mercado da segurança e divulgar este produto, cuja necessidade aparentava ser baixa? Na verdade, apercebemo-nos de que a necessidade existia, só não era reconhecida pelas pessoas de antemão. De facto, havia mercado para este produto pois havia um problema inerente ao mesmo mas a sua solução era desconhecida.

Após um estudo do que poderia ser feito e de qual o público-alvo a atingir, cheguei à conclusão de que as redes sociais seriam a melhor forma de chegar ao consumidor final. A empresa começou a utilizar as redes sociais para dar a conhecer este produto. Foram divulgados testemunhos de casos de sucesso, publicadas notícias relevantes relacionadas com o tema e o investimento feito nas redes sociais fez com que o tema ganhasse uma relevância que até então não tinha. Como resultado, nos três meses seguintes a venda do produto de segurança superou os valores dos três anos anteriores. Com um investimento de baixo valor nas redes sociais obteve-se um grande retorno.

Este é apenas um pequeno exemplo de como se pode fazer uso do digital para dar a conhecer uma marca e um produto, ganhar notoriedade e chegar ao público certo, incrementando, assim, as vendas. A verdade é que as redes sociais são uma pequena parte do que é possível fazer através do digital, havendo muito por explorar neste vasto mercado, sem o qual já não faz sentido uma empresa operar”

Digitalização

Ver mais