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Círculo da Inovação

Pontualidade germânica e paixão

Filipe Santos

Diretor Axa Portugal

Digitalização

Pontualidade germânica e paixão

Ana Maria Pimentel

Depois do Técnico e do Erasmus, chegou a capacidade de evoluir sem sair do mesmo lugar

Filipe Santos lembra-se bem do Erasmus. É certo que já trabalhava, que não era apenas estudante, mas o espírito era de Erasmus “com remuneração, solteiros e jovens.” O local era a Alemanha, o projeto era desenvolver um modelo de produção de salários para Portugal, e o Erasmus durou quatro anos. Sempre esteve muito envolvido nestas áreas e depois da Alemanha veio para Portugal, fazer gestão de projetos.

Entretanto, o engenheiro eletrotécnico fica responsável por uma equipa em Espanha. Valeu-lhe a pontualidade germânica que ainda hoje usa na decisão dos prazos. Tudo isto na SAP, uma empresa que “não tem problemas de ter a chefiar pessoas mais novas”. E se ele alguma vez sentiu fugir o chão por ser mais novo, depressa pôs o pé em terra firme depois de se aconselhar com pessoas “com mais experiência.”

Agora como diretor da Axa Portugal, continua a fazer valer a disciplina, que lhe é intrínseca, e a paixão, que na maioria das vezes é o que conta mais. A isto junta a capacidade de auto-avaliação e de reconhecer modelos nos pares - depois de lhes ver a essência replica em si próprio, sem imitar. Acima de tudo reconhece a importância de assumir e tirar consequências dos erros que vai cometendo.

Na Axa a ambição é inesgotável. A disponibilidade familiar não lhe permite voltar a sair do país. Mas numa grande empresa com espírito inovador de startup recém-criada há muito espaço para a evolução e para criar.

UMA IDEIA

“À semelhança da estratégia governamental de iniciação ao Inglês desde o 1º ciclo do ensino básico, deveria promover-se a iniciação à programação informática nesse mesmo ciclo. Criar-se-ia um espírito de pensamento algorítmico, vantajoso para a aprendizagem de áreas científicas e para a execução de forma eficiente de muitas funções do sector terciário, mas essencialmente alavancar-se-ia a oportunidade de termos mais profissionais preparados para o sector de serviços de IT, um sector com grande potencial e crescente apetite internacional”

UM DESAFIO

Ponto de partida

  • Área de serviços informáticos muito complexa funcional e tecnicamente, com equipas dispersas e heterogéneas
  • Persistente crescimento do backlog de incidentes por resolver
  • Poucos recursos especialistas, sem capacidade de se focarem onde aportariam mais valor e criando um bottleneck no fluxo de resolução
  • Decrescente satisfação do cliente e da credibilidade da equipa; desmotivação da equipa face à constante pressão
  • Soluções óbvias de reforço da equipa sem ganhos significativos, devido ao longo tempo de onboarding e à dependência recorrente dos recursos especialistas

Decisão

  • Transformação dos processos segundo práticas Lean, baseada essencialmente na abordagem Kanban, com recurso a meios tecnológicos digitais e assente numa cultura digital
  • Envolvimento de equipa piloto no desenho do roadmap e da solução, como alavanca da propagação do paradigma pelas restantes equipas e áreas
  • Investimento em consultores externos e em acções de formação (clássica, virtual e onjob)
  • Criação de uma cultura de colaboração proactiva e permanente, de partilha de conhecimento, de empowerment e self-management das actividades individuais (manager é apenas um facilitador transversal)
  • Promoção de fóruns de discussão sobre melhoria contínua de processos
  • Criação de uma comunidade de Lean Champions para dinamizar novos caminhos de inovação

Situação actual

  • Ganhos medidos e reconhecidos de eficiência das equipas
  • Aumento de confiança e satisfação dos clientes
  • Maior controlo do fluxo de trabalho
  • Motivação e sentido de contribuição e de posse dos elementos das equipas
  • Promoção da subsidiária portuguesa como exportadora de boas práticas dentro do grupo, com reconhecimento externo dos nossos champions
  • Propagação da abordagem Kanban a toda a empresa e às equipas externas que connosco colaboram

Passos futuros

  • Redesenho do espaço de trabalho mais adaptado a uma cultura digital (informal meeting rooms, stand-up corners, lounge area, fun room, etc)
  • Transformação dos indicadores de eficiência operacional em indicadores de valor concreto para o cliente
  • Monetização do capital de conhecimento e experiência adquiridos e das ferramentas desenvolvidas como linha de negócio para projetos do grupo

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