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Círculo da Inovação

É desta matéria que se faz o osso de uma empreendedora

Cláudia Ranito

CEO Medbone

Criar Valor

É desta matéria que se faz o osso de uma empreendedora

Ana Maria Pimentel

É nos arredores de Sintra, na sede da Medbone, que Cláudia Ranito conversa com o Expresso. Saiu da investigação para desenvolver osso humano sem ser só no papel. Hoje vende para todo o mundo

Foi na altura do doutoramento que Cláudia se apercebeu que estava farta de ver as suas investigações apenas num papel, tinha que lhes dar vida. Foi com um projeto da Agência Informação - o programa Neoteca - que a Medbone começou a tomar forma, “com pouco recurso financeiro”. Passados dois anos já havia uma empresa e um produto que podia entrar no mercado, mas mais importante podia ser exportado. O produto? “Um osso 100% sintético, mas com as capacidades de um osso natural. Com a mesma resistência mecânica, porosidade etc, etc, etc.”

Cláudia Ranito é parca nas palavras mas fala com a sabedoria de quem é líder no mercado em que opera. Tem uma empresa em 53 países, vende osso artificial na área da ortopedia, dentária e veterinária, mas para ela continua a ser tudo fácil e simples. Vive o dia-a-dia com a mesma simplicidade que teve quando largou o doutoramento para abrir a Medbone. Neste momento a espera é outra, está tudo montado nos EUA para que a empresa funcione, só falta a aprovação da FDA e estão “a desenvolver um novo produto.”

Diz ter aberto a Medbone por falta de alternativa e não por vontade de ter um negócio, “era a única forma de fazer aquilo que gosta, um empreendedorismo indirecto.” A Medbone tem a “inovação” selada a lacre nas patentes, “a única forma de não se ser esquecido.” Para a engenheira de materiais as áreas onde se pode inovar não se esgotam: “É ir ao encontro das necessidades do cliente.”

Aprendeu a pensar no amanhã com as atenções focadas no presente. Costuma dizer que se “tem que tirar uma senha para cada sonho, é humanamente inviável tratar de tudo ao mesmo tempo” e é assim que tem conseguido tornar os sonhos realidade. Garante que a vida não mudou, “simplesmente agora faz mais sentido”, é o que acontece à vida de quem faz “aquilo que se gosta”, à vida de quem tem um trabalho que “marca a diferença.”

UMA IDEIA

“Portugal devia aproveitar o know-how dos estudantes universitários e fazer com que as investigações feitas nas mais diversas áreas fossem para a frente (postas no mercado) e não passassem do papel. Haver um elo de ligação e cooperação entre as faculdades e as empresas.”

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