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Círculo da Inovação

Por caminhos e encruzilhadas

Pedro de Goulart Mendes

Diretor de Marketing Secil

Criar Valor

Por caminhos e encruzilhadas

Ana Maria Pimentel

Pedro de Goulart Mendes andou a promover pães, pintou a manta nas tintas e agora meteu mãos à obra. Sempre a evoluir…

“Há alturas que definem na vida quem vamos ser no futuro pelas escolhas que fazemos em determinadas encruzilhadas.” A frase é de Pedro Mendes e a escolha a que se refere foi a que o fez aceitar o convite para da Panrico para a área de Marketing, quando estava dividido entre o marketing, a área comercial e a financeira.

Não foi a sua primeira experiência profissional, mas foi aquela onde conseguia “ter uma visão global do negócio” e onde foi muito feliz. Mas “ali o espaço para crescer era limitado” e a ambição levou-o a procurar “um projeto que abrisse os horizontes para uma realidade diferente”. Depois de seis anos de Panrico aparece a Dyrup.

Um ano após a entrada em cena aumentam as responsabilidades, havia necessidade de reorganizar as casas de Portugal e Espanha. No meio disto, enquanto líder imprime às equipas a premissa de “que as pessoas são o pilar de tudo. São elas que fazem as empresas. A estrutura pode ser de sucesso, mas se as pessoas tiverem no lugar errado o movimento é inverso.”

Pedro valoriza muito a inteligência emocional, sempre com um constante respeito pelos sucessos dele, dos outros e dos conjuntos “porque não há nada que justifique passar por cima de um chefe ou de um colega”.

O sistema de confiança que gosta de criar em seu torno leva-o agora para a Secil, mais um caminho que espera definir-lhe a vida. “É um salto em termos de responsabilidade de negócio. Numa fase em que a empresa procura diferenciação Pedro acha que é capaz de ajudar.

UMA IDEIA

“Deveremos pensar e trabalhar seriamente a marca Portugal e, apesar de poder existir uma parte de aplicação imediata, terá de ser sempre pensada a médio/longo prazo e de forma estrutural. Seria necessário realizar um trabalho de base onde pudéssemos identificar o nosso próprio espaço e posicionamento, preferencialmente diferenciador de tudo o que existe, baseado nas nossas forças actuais e futuras forças a desenvolver – as oportunidades identificadas.

Existem actualmente alguns segmentos, além do turismo, onde somos internacionalmente reconhecidos como especialistas de qualidade e onde algumas marcas até se destacam, mas que eventualmente perderão algum potencial de crescimento sustentável por não existir uma estratégia nacional concertada para poder potenciá-las, suportá-las internacionalmente e ajudá-las a chegarem a um superior patamar de excelência.

Alguns países nórdicos com igual ou menor dimensão que Portugal conseguem desenvolver superbrands internacionais até uma dimensão que nós não temos sido capazes. A Suécia tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que Portugal e é a casa-mãe do IKEA, como sabemos, mas também de outras marcas como H&M na área da moda e de reconhecidas marcas na área da tecnologia como Spotify, Skype ou as mais antigas Erickson ou Nokia. A Dinamarca, com metade dos habitantes de Portugal também é a base de algumas marcas emblemáticas como LEGO, Carlsberg e Tuborg, Bang&Olufsen, BoConcept ou Tiger.

Ainda do mundo da Escandinávia, um tema um pouco menos consensual, tem a ver como way of life destes povos. A sua cultura alicerçada no civismo, educação, sentido de responsabilidade e equilíbrio trabalho/família poderão ser discutidos como sendo uma consequência ou a base de partida para um pib per capita duas vezes superior do de Portugal, mas a verdade é que são notáveis algumas das características culturais e cívicas nestes países.

Pode ser considerado puro idealismo, mas caso existisse interesse e esforço para tal, poderíamos estabelecer um plano apartidário onde nos proporíamos criar uma sociedade portuguesa mais próxima destes valores, uma sociedade mais equilibrada, uma sociedade mais feliz. Teria de ser claramente um plano a longo prazo (eventualmente várias gerações...) com investimento forte especialmente na área da educação, de forma a podermos caminhar e chegar a um patamar pretendido.”

UM DESAFIO

“Durante o meu percurso profissional tenho encontrado vários desafios que seriam interessantes partilhar, mas creio que o combate à commoditização de produtos indiferenciados será o desafio mais interessante neste âmbito.

Na Panrico eram constantes os desafios para garantir a diferenciação dos produtos de pão de forma versus os produtos de pão de forma das marcas da distribuição. Esta luta implicava estar constantemente a ouvir o consumidor e com isso estar sempre um passo à frente no que toca à inovação dos produtos que o mercado procurava, mas também na criação de uma ligação emocional com o consumidor final através de um forte plano de comunicação, pois seria certo que as inovações lançadas seriam em pouco tempo absorvidas pelas marcas da distribuição.

Os lançamentos de produtos como Panrico Sem Côdea ou linhas relacionadas com a saúde que saíram das tendências e necessidades identificadas junto dos consumidores foram formas de garantir que o produto não caísse na indiferenciação e assim evitar que se limitasse à guerra de preços, destruindo o valor dos produtos e da categoria.”

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