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Círculo da Inovação

O empregado que se tornou patrão

Luís Flores

CTO Introsys

Criar Valor

O empregado que se tornou patrão

Ana Maria Pimentel

Esta é a história de um homem que vestiu a pele de patrão quando toda a vida pensou em ser empregado. E de uma empresa que montou pequenina e se tornou grande

Hoje a Introsys – empresa de automação, robótica e software para a indústria automóvel - é mais que conhecida e certificada no mercado, mas o homem que a criou nunca pensou que a história tivesse esse desfecho, Luís Flores toda a vida pensou em ser empregado de alguém até que amadureceu e percebeu que o caminho era outro.

Nos tempos de faculdade criou uma boa relação com o professor José Barata de Oliveira e tornou-se mentor das aulas de robótica e apoia o projeto de investigação de dois alunos. Acaba o curso e vê-se com a dúvida dos bons alunos: faculdade ou indústria?

O projeto de fim de curso na Autoeuropa fá-lo apontar para voos mais altos e há uma empresa inglesa que lhe oferece trabalho na Alemanha. Passados seis meses quer mudar de vida e volta a Portugal. Monta com o irmão a Introsys. Percebeu aí que afinal há muito que tinha amadurecido e tinha capacidade de assumir outro tipo de responsabilidades. Podendo até ser um patrão tão bom quanto era empregado. Ficou-lhe “o bichinho de ensinar” e por isso gosta do contacto com o treino dos funcionários, acha-se carinhoso principalmente porque acredita na responsabilidade e não na disciplina.

Se agora tudo é fácil, os primeiros anos foram difíceis. O seu nome abria portas, mas o nome da empresa ainda não era conhecido, dois anos de caminho duro até estabelecer credibilidade e chegar onde está hoje com uma empresa totalmente firmada no mercado e onde as propostas quase que “batem à porta”.

UM DESAFIO

“A ideia de criar a INTROSYS surgiu em 2002, num jogo de bilhar com o meu irmão. Muitas vezes as melhores ideias surgem quando menos se espera e esta foi uma delas. Na altura trabalhávamos para uma empresa inglesa que fornecia serviços para um dos maiores grupos da indústria automóvel, e entendemos que era o momento certo para nos lançarmos neste projeto. Tínhamos o know-how e, acima de tudo a vontade de arriscar, criar uma empresa portuguesa que se evidenciasse no mercado internacional pela inovação e fiabilidade. Na altura em que a indústria se estava a adaptar a uma nova realidade e a optar pelo outsourcing, nós decidimos aproveitar essa oportunidade.

Agora explicar o potencial que tínhamos à banca e aos investidores, isso foi outra conversa. No arranque, o grande apoio que tivemos foi a nossa força de vontade e o empenho dos nossos colaboradores, que acreditaram tanto neste projeto, ao ponto de muitos deles ainda se encontrarem a trabalhar connosco hoje em dia. Na perspetiva financeira, os primeiros tempos foram muito difíceis ao ponto de termos contado essencialmente com os empréstimos que eu e os restantes sócios contraímos para o kick-off.

Obviamente que isto é um ciclo, a qualidade e fiabilidade do nosso serviço gera a confiança que gera mais contratos e assim por diante. Já durante o processo de consolidação do negócio, foi muito importante o apoio dos nossos clientes que acreditaram na capacidade da equipa da Introsys para a concretização de projetos cada vez maiores e mais ambiciosos.

Não sei se aquela decisão inicial foi um momento de loucura ou de coragem, mas a verdade é que foi um momento do qual me orgulho e que valeu bem a pena. Na realidade, aquele momento de lucidez permitiu desenvolver projetos que poucos portugueses sabem que são desenvolvidos em Portugal. Por exemplo, poucos portugueses imaginam que existe know-how e tecnologia portuguesa a suportar a indústria automóvel alemã e que é na Moita que se desenvolve muita da investigação de topo, portuguesa, na área de inteligência artificial.”

UMA IDEIA

“Incentivos fiscais para quem exporta e investe no estrangeiro. Quem exporta deveria poder deduzir em sede de IRC o investimento que faz no estrangeiro, seja deduzindo os prejuízos fiscais dos primeiros anos, ou mesmo parte do investimento que realiza. Obviamente, desde que houvesse reflexo nas exportações do país.”

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