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Círculo da Inovação

A eterna sede de aprendizagem

Pedro Antão Alves

Diretor Comercial e Inovação ENGIE

Criar Valor

A eterna sede de aprendizagem

Ana Maria Pimentel

Cada capítulo, cada aprendizagem. É assim que Pedro funciona. E há outra palavra que gosta de juntar ao seu dicionário, em tudo: equilíbrio

Depois de alguns anos de carreira, olha para trás e diz com facilidade que o ponto comum na vida dele é a resolução de problemas. A carreira começou em Austin onde a adaptação demorou mais que o que era esperado, talvez porque desde o liceu, no tempo em que estudava a geografia das cidades americanas, foi criando o sonho de viver lá. Depois no Brasil, em São Paulo, aprendeu a diversidade, ficou “fascinado com o que eram as comunidades”.

Foi a seguir a este mundo, onde bebeu de tudo e aprendeu tudo, que Pedro Antão Alves volta para Portugal. Três anos como country manager de uma empresa e depois um projeto desafiante: começar do zero uma startup tecnológica. A partir de Portugal conseguiram internacionalizar e vender para os Estados Unidos tecnologia nacional e terem facturação na ordem do milhão.

Hoje, na Engie, sabe que a sua maior vantagem é pensar de forma diferente, de ser “stressado com o cliente”. Gosta de parar para pensar mas, acima de tudo, ensinar de volta e de aprender. Está sempre à procura do conhecimento e é assim que nasce o seu blogue: durante os anos de MBA queria partilhar com os colegas aquilo que lhe dava prazer ler e estudar. Tem um novo projeto quase a sair e que será muito mais que só um repositório. Sempre em equipa porque essa é a única forma de resolver os problemas.

UMA IDEIA

Portugal podia ser uma referência na Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT)! A IoT refere-se a sensores e atuadores ligados à internet sobre os quais podemos obter dados ou executar ações. Por exemplo, ligar as luzes do jardim através do telemóvel ou saber a qualidade do ar em nossa casa. Em ambiente industrial, o mesmo conceito tem merecido diversos nomes (industrial internet, internet 4.0, entre outros) e refere-se à ligação de diferentes equipamentos entre si. Uma vez que não existe em Portugal um fabricante de equipamento industrial à escala mundial, fiquemo-nos pelo mercado doméstico e de escritórios.

Uma plataforma IoT inclui diversos componentes, como os módulos de interface, a conetividade, e a plataforma onde se configuram e desenvolvem aplicações específicas, até ao resultado disponibilizado ao cliente final. Se por um lado os módulos de interface (sensores, atuadores) envolvem competências de design e engenharia normalmente abundantes em locais como Silicon Valley nos Estados Unidos, a integração e desenvolvimento de casos de utilização envolve menor investimento e competências de desenvolvimento de software e interface com utilizador, disponíveis em Portugal.

Além de ser a costa leste da Europa, com capacidade atrair talento, Portugal tem uma população que aderiu fortemente ao telemóvel/smartphone e poderia ser o “balão de ensaio” de aplicações IoT. Tomando como exemplo o mercado da energia, o consumo das casas e dos escritórios, representa cerca de 20% do consumo da energia mundial. Uma aplicação que consiga uma redução de apenas um por cento corresponde a uma poupança de €50 mil milhões (considerando 100€/MWh). Além do consumo responsável, os cidadãos estão cada vez mais sensíveis ao conforto e a IoT pode potenciar aplicações muito interessantes.

A minha ideia é que se identifique qual o segmento mais interessante na cadeia de valor e se alinhem investimento, formação e oportunidades em torno de uma estratégia para construir um ecossistema dedicado ao desenvolvimento de aplicações baseadas em Internet of Things.”

UM DESAFIO

“O desafio profissional mais recente foi a criação de uma nova equipa comercial. Resultado de uma reflexão estratégica, foram integradas as funções de desenvolvimento comercial e gestão de clientes com o objetivo de tornar a empresa mais orientada aos clientes. Além da anterior equipa comercial, adicionei outros colaboradores da empresa e recrutei externamente para obter a diversidade de experiência e de competência pretendidas. O resultado é uma equipa com idades entre os 22 e os 55 anos, maioritariamente com formação base em engenharia e com metade das pessoas de cada sexo.

Para colocar a equipa a trabalhar produtivamente, elaborei inicialmente um plano de formação transversal nas ferramentas e procedimentos normalmente utilizados (hard skills). Como a empresa vende serviços de alguma complexidade e criticidade, o processo de venda é mais complexo do que o de venda de produtos. Assim, optei por um modelo mais próximo do coaching para treinar pessoalmente cada um dos membros da equipa em tarefas distintas como cálculo, propostas, apresentações, visitas, gestão de clientes, negociação (soft skills). Para tornar a equipa autónoma, atribuí a responsabilidade de gestão das ferramentas internas a cada elemento e de seguimento dos mercados-alvo da empresa.

Após nove meses, considero que o desafio já está metade ganho pois a equipa tem já autonomia para grande parte das suas tarefas e resolvem a grande maioria dos problemas entre si.”

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