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Círculo da Inovação

Revitalizar negócios é muita fruta

Filipe Simões

CEO Fruut

Criar Valor

Revitalizar negócios é muita fruta

Ana Maria Pimentel

Os snacks crocantes de fruta mudaram a vida de Filipe Simões. Bastou experimenta-los uma vez para transformar os Vilarzitos em Fruut e transformá-los num snack rentável. Só em 2015 faturou mais de um 1€ milhão e duzentos mil

O que é que faz um homem de 38 anos formado em Relações Internacionais, com dois filhos, mudar de vida e empreender? A vontade. Filipe Simões sempre trabalhou por conta de outrem, mas nunca descansou enquanto não encontrou um negócio no qual se revisse e que o cativasse. “Procurava, procurava e não encontrava nada”. É numa visita a Viseu que tem uma explosão de sabor dentro de si ao provar os Vilarzitos. “Era aquilo.”

Entrou em contacto com a Quinta de Vilar – produtores artesanais dos Vilarzitos. Depois de conversas, longos estudos de mercado havia uma certeza: o sabor estava lá, mas tinha que se apostar no marketing. A ideia permitiu aos Vilarzitos tornar-se uma marca nas prateleiras dos supermercados com o nome Fruut. “O projeto já ultrapassou todas as expectativas”.

Todos os dias surgem desafios, todos os dias há um novo mercado a explorar - já estão em Espanha, Angola, Brasil, Japão, China e Roménia - e todos os dias Filipe sabe que nunca foi tão feliz como é agora numa empresa que, em 2015, faturou 1€ milhão e 200 mil, sempre com o mote da sustentabilidade.

À maça desidratada juntaram-se-lhe a pera, a batata doce, a cebola e o abacaxi, sem adições de açúcar tudo natural porque a Fruut é a prova de que se está a assistir “à morte do fast food e ao aparecimento do fast good”. A sinergia com a Quinta de Vilar continua porque no mundo atual tem “que se agir globalmente, mas pensando localmente”.

O discurso de Filipe é pautado por uma modéstia que não é falsa, é típica de quem é ambicioso e cujos sonhos são sempre maiores, de quem “quer fazer mais e melhor”. Na conversa com o Expresso o “eu” raramente se ouve. Fala da equipa com tom de pai, mas sem paternalismos, com o orgulho de quem assume “que a espinha dorsal da Fruut sãos os miúdos, uma equipa de jovens talentos”. Exige o que as faculdades não ensinam - “atitude, noção de brio e prazer” - e tem em Pessoa o mote que repete: “Põe tudo quanto és no mínimo que fazes”.

UMA IDEIA

“O maior adversário das empresas portuguesas é o Estado. Pela burocracia e lentidão, pela instabilidade legislativa e pela brutal carga fiscal. Portugal poderia ser muito melhor se o Estado proporcionasse um melhor ambiente para a criação e evolução das empresas. Mas acontece exactamente o contrário funcionando quase sempre como obstáculo.

As universidades nacionais deveriam apostar no desenvolvimento das soft skills dos alunos, treinando cenários reais e desenvolvendo a ligação com o mundo empresarial. Noto que muitos dos recém-licenciados não estão preparados para tomar decisões ou assumir grandes compromissos pois não foram habituados a isso. As empresas contratam pelos hard skills e despedem pelos soft skills o que não deixa de ser um contra-senso. As universidades devem incentivar a excelência e a obsessão pela perfeição, coisas que não constam dos cadernos de aula e que tão importantes se revelam para as empresas.

Defendo a criação de duas ou três marcas portuguesas globais como um objectivo para o país nos próximos 20 anos. Portugal tem de criar marcas globais, presentes em todos os continentes e reconhecidas pelos consumidores de todo o mundo. Considero fundamental que isso aconteça. Se, por exemplo, a Irlanda tem a Primark, a Suécia tem o Ikea e a Nokia nasceu na Finlândia, não podemos usar o argumento da dimensão do mercado interno como desculpa para a inexistência de marcas globais portuguesas. Não nos podemos limitar a ser fornecedores de grandes marcas internacionais, pois é precisamente na criação da marca que está grande parte do valor do negócio”

UM DESAFIO

“Existe uma grande dificuldade em conquistar espaço no linear da grande distribuição. Com o aumento do número de referências, começamos a sentir que não teríamos espaço para todas as referências. Os nossos produtos são colocados nos lineares em pequenas caixas expositoras de 12 unidades/cada, que servem também como caixas de transporte. A solução que encontramos foi optimizar e reduzir o tamanho das caixas expositoras. Ao reduzir o tamanho dessas caixas conseguimos colocar mais referências, ocupando o mesmo espaço. Foi uma das formas que encontramos de ter todo o nosso sortido nas lojas. Resolvemos o problema na base sem necessidade de investir na compra de espaço.

Outro exemplo. A experiência de consumo é determinante para que a compra se repita. A textura crocante é decisiva para essa experiência pois é unânime que a fruta desidratada perde o interesse se não for crocante e estaladiça. Essa é uma enorme dificuldade e a exclusiva causa de reclamações dos consumidores. Ao contacto com o ar o produto readquire humidade, perdendo a textura crocante ao fim de 30 minutos. Ao incorporarmos um fecho zip nas embalagens maiores conseguimos aumentar a protecção do produto à humidade e assim melhorar as experiências dos consumidores. O fecho zip protege o produto durante mais de uma semana. Partimos da base para resolver um problema crítico de qualidade”

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