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Círculo da Inovação

Do mundo para o Porto, do Porto para o mundo

João Dias

CEO Grupo Piedade

Criar Valor

Do mundo para o Porto, do Porto para o mundo

Ana Maria Pimentel

Está hoje no mundo da cortiça, que o encanta desde criança, e exporta Portugal ou pelo menos uma das coroas da jóia Portuguesa. Fartou-se de acumular milhas para finalmente voltar ao Porto

Tirou economia para perceber com funcionava o mundo à sua volta, mas o verdadeiro nascimento foi no primeiro emprego. A multinacional P&G foi uma escola de gestão, ensinou-lhe responsabilidade “desde o primeiro momento” e um espírito único que lhe deu mecanismos para ler o mundo do ponto de vista prático. Há uma verdade quase absoluta que repete onde quer que vá: “Ouvir o outro, ter os ouvidos abertos, absorver o que outro nos diz e não estar à espera que se cale para lhe dar uma resposta”.

A simplicidade deste pensamento pauta a sua vida e dá-lhe “força moral e ética” para poder dar respostas fundamentadas, livre de factos generalizados. Entrou na empresa com um plano a dois anos, ao final de dez só saiu para voltar às raízes, mas já lá vamos.

Cresceu, aprendeu, trocou de funções oito vezes, viveu em três países sem nunca se “aborrecer”, conta ao Expresso. A primeira experiencia internacional foi em Espanha como gestor de vendas, de equipas e de trade marketing na Ibérica da P&G. Começou ali a aperceber-se das diferentes formas de estar e de ver o mundo, experiência que o obrigou a uma adaptabilidade e elasticidade que ainda hoje é fulcral. Esta capacidade foi valorizada e capitalizada numa ida para a Suíça, onde geriu uma equipa global em áreas como a perfumaria e maquilhagem de luxo.

Voltou para Portugal porque a família era a prioridade: “Sem nenhum tipo de patriotismo bacoco” queria que os filhos tivessem raízes fortes, que crescessem perto dos avós “porque são as raízes que dão forças para voar”. E, como se a família não fosse razão suficiente, queria dar de volta a Portugal o que o país lhe tinha dado “para dar raízes a quem viesse depois” dele.

Surgiu um projeto chamado Mercatus que o “apaixonou”, uma empresa industrial de refrigeração comercial, onde tinha o papel de fazer crescer a empresa internacionalmente. Foi o complemento que faltava para fechar o círculo que tinha começado na P&G. Seis anos “aliciantes”: chegou à administração, construiu equipa, desenvolveu e partilhou aquilo que tinha aprendido, juntando todos os dias o componente da inovação. Este ano foi uma das empresas portuguesas que ganhou o prémio de Excelência Kaizen. Embora já não esteja na Mercatus vibra com os prémios, com as boas notícias e com o sucesso da empresa, assim como sofre com as más noticias, seja na Mercatus ou na P&G.

Agora os êxitos são festejados com outro sabor no Grupo Piedade, um grupo do sector da cortiça sector que o deixa “louco” desde que via as imagens nos livros do 5º ano, quando lia “somos líderes mundiais na cortiça”. Passaram seis meses desde a entrada na empresa, ainda não é altura de fazer balanços. Só planos de crescimento a nível profissional porque a nível pessoal não pode “pedir mais nada”.

UM DESAFIO

“Crescer na cadeia de valor é um desafio simultaneamente estratégico e operacional na vida das empresas e, cada vez mais, um requisito para a sua sobrevivência. Em cada sector, e em cada empresa em particular, as oportunidades de criação de valor são distintas mas passam quase sempre, singularmente ou em conjunto, pela inovação, pelo conhecimento e proximidade ao cliente final, pela credibilização da marca, pela capacidade de resposta à necessidade específica do cliente/consumidor e pelo serviço. Recordo dois exemplos: primeiro, o prémio de inovação que nos atribuíram numa das feiras do sector no Dubai - desenvolvemos um produto inovador no sector respondendo simultaneamente a várias necessidades dos pequenos restaurantes que, além das vendas nesse produto, de alto valor acrescentado, nos garantiu um passaporte para toda a nossa gama junto dos grandes distribuidores do Médio Oriente. Em segundo, o cliente do norte da Europa, o qual mesmo sabendo que os nossos produtos eram mais dispendiosos que os da concorrência, incluindo a vinda de países com melhor reputação no sector, preferia comprar a nós porque podia contar com um serviço ao cliente sempre disponível, que não se refugiava em desculpas mas, pelo contrário, procurava sempre encontrar-lhe a melhor solução”

UMA IDEIA

“Visão & Estratégia. Natalidade. Educação. Recordo aquele humorista português que, fazendo um flashback da história portuguesa, dizia não recordar um período em que não estivéssemos em crise. Suavizando um pouco o exagero da afirmação, é verdade que Portugal sempre viveu em situações de maior ou menor dificuldade. Acredito que tal se deve ao nosso constante foco nas soluções de curto prazo, aquele desenrascanço do qual nos orgulhamos tanto e que, sendo em muitas situações uma benesse, se torna, em muitas mais, numa cruz que carregamos. Tirando as exceções à regra, como D. Dinis com o Pinhal de Leiria e a primeira universidade do país, sempre a visão dos nossos governantes e da nossa sociedade foi curta, apostada no hoje e, quando muito, no amanhã mais próximo.

Assim, preocupa-me de sobremaneira que, fazendo sacrifícios enormes para estabilizar a economia do país e para a tornarmos mais eficiente e mais competitiva, não olhemos com cuidado para a questão da nossa pirâmide etária. Portugal precisa de fazer da natalidade um desígnio nacional, caso contrário, todos os esforços que fazemos hoje serão em vão. É necessário que os múltiplos atores da sociedade se responsabilizem e criem condições para que possamos e queiramos ter mais filhos, nos tornemos atrativos não só como local de turismo mas como local de trabalho e de estabelecimento de famílias. De mãos dadas com este ponto, vejo a aposta na educação como uma necessidade premente e perene. Uma aposta coerente, que envolva estudantes, pais e professores, que vá de encontro às necessidades do país, através de uma efetiva integração e colaboração com o mercado de trabalho, e que não gire 180 graus a cada mudança de Governo. Precisamos de crianças, de famílias que queiram e possam ter crianças e de um sistema educativo eficiente que promova estas a adultos com cultura, valores e capacidade de se tornarem membros ativos na construção do nosso país”

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