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Círculo da Inovação

Cinco ideias para o Trabalho em Rede

Matthew Lloyd

Recorde as ideias mais marcantes dos escolhidos para o quinto e último desafio do Círculo da Inovação

Miguel Muñoz Duarte
“Portugal tem um potencial enorme. Mas ainda estamos muito dependentes dos incentivos. Tal como há orçamento participativo e programas de crowdfunding, devia haver um crowdcren. Os projetos que conseguissem mais tração, chegar às pessoas, eram os que deviam ser escolhidos. É mais interessante ser o mercado e a rede a perceber se o projeto vale a pena. Assim permitia que os com mais adesão, fossem os que vingavam no mercado e os que interessavam às pessoas.”

Rosária Jorge
“Problemas que identifico como graves: corrupção e jogo de poderes e favores; falta de estratégia de longo prazo; desresponsabilização dos governantes e políticos; quantidade de deputados e suas regalias.

Necessidades: motivar verdadeiramente o investimento e empreendedorismo para desenvolver a economia.

Medidas a implementar. Estratégia e compliance: criar um conselho (Conselho estratégico de Portugal) de especialistas (não políticos) em cada área. Este conselho seria responsável pela definição de estratégia a 5/10 e 20 anos e por assegurar o seu cumprimento. A este mesmo conselho, os vários governos reportariam na definição da estratégia de governação e teriam de validar o Orçamento do Estado, antes da votação parlamentar. O conselho também se responsabilizaria pela criação de auditoria externa ao governo e por uma equipa de investigadores profissionais que é responsável por compliance, com objectivo de acabar com corrupção e assegurar boas práticas de gestão.

Mudança na estrutura de parlamento e política de remunerações: os valores de remuneração de membros do governo seriam substancialmente mais altos, equiparados a valores praticados pelo mercado (custo de oportunidade relativo a grandes empresas), com remuneração variável dependente do atingimento de objectivos pré-definidos.

Reduzir para metade o número de deputados da Assembleia da República. O princípio de remuneração e política de compensações seguiria os mesmos princípios que os referidos para o governo, sendo que a remuneração variável estaria ligada quer a presença/cumprimento dos horários de trabalho, bem como ao cumprimento de objectivos pré-definidos.

Para todos os membros do governo e assembleia da república, a política de pensões, reformas, horários de trabalho, período de férias, etc, seriam os mesmos das leis da segurança social e do trabalho. Deixariam de existir regalias especiais.

Estímulo na economia e motivação para empreendedorismo: criar vantagens fiscais claras e significativas nos investimentos alavancadores da economia. Redução significativa da carga fiscal sobre os lucros das empresas ligados directamente ao número de trabalhadores (incentivo a criação de emprego), aos investimentos em investigação, a exportações. Redução da carga fiscal de lucros reinvestidos na empresa. Vantagens fiscais nos rendimentos dos órgãos de gestão das empresas referidas acima. Carga fiscal mínima para novas empresas durante o primeiro ano de actividade, de forma a motivar o empreendedorismo.”

Ricardo Marvão
“Em relação à diáspora, e ao que foi feito por Portugal até agora, o melhor era escrever um artigo sobre "como não criar um conselho da diáspora", lessons learned from this e crowdsource, as melhores praticas para criar realmente um conselho da diáspora aberto, que resolva e ajude e seja dinâmico e participativo. Há tanta gente lá fora a querer ajudar mas só lhes cai em cima coisas destas superformais, sem drive nem alma, superelitistas, e que só servem para a fotografia.”

Inês Santos Silva
“Um dos pilares mais importantes de qualquer sociedade democrática é o sistema de educação. Um sistema de educação de qualidade e inclusivo tem um efeito positivo e multiplicador em todos os outros sectores da sociedade. Em Portugal, nos últimos 40 anos, muito foi feito para melhorar o nosso sistema de ensino, mas chegamos a um momento crítico em que precisamos de mais e melhor. Precisamos de um sistema de ensino adequado ao século XXI, que prepare os jovens para um mundo que está em acelerada alteração. Para isso é importante apostar fortemente numa excelente formação dos professores e em currículos menos rígidos e mais flexíveis. Competências como pensamento crítico, criatividade e autonomia, foram completamente deixadas de parte do nosso sistema de ensino nos últimos 40 anos, agora é essencial que sejam o centro de tudo.”

Tomás Figueiredo
“No mundo global não faz sentido desenvolver ideias apenas para o mercado interno. Em muitos casos, os projectos desenvolvidos com sucesso no mercado nacional deparam-se com barreiras, mais ou menos complexas de ultrapassar, quando enveredam por um processo de internacionalização. Além disso, ainda não há um grande universo de investidores a nível nacional com o perfil ou dimensão que as startups muitas vezes exigem para chegar aos mercados internacionais de forma célere e com o impacto necessário. Neste sentido, uma das ideias a explorar passa pela criação de organismos nacionais especializados, que minimizem o gap entre os grandes investidores internacionais e as startups portuguesas, à semelhança do que sucede noutros países, e pelo maior apoio à projecção de produtos à escala global, desde a sua concepção reduzindo, assim, as dificuldades do go to market.”

Trabalho em Rede