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Círculo da Inovação

Como vai ser
 o trabalhador 
de amanhã

Ana Maria Pimentel

David Becker

Com grande flexibilidade, mais tecnológico e em aprendizagem contínua. É assim que serão os funcionários das gerações vindouras

As novas tecnologias e a globalização têm mudado as atividades e criado postos de trabalho diferentes. Estas alterações acentuar-se-ão cada vez mais à medida que a evolução tecnológica avançar. Não só os funcionários serão diferentes como também as empresas vão sofrer muitas mutações. Do presente e do passado mantém-se a formação, que será cada vez mais importante e essencial para se trabalhar num mundo profissional em constante mudança.

Sofia Tenreiro, um dos 100 selecionados do Círculo da Inovação e diretora-executiva da Cisco Portugal, acredita que estas transformações se apresentam de forma diretamente proporcional tanto para as empresas como para os trabalhadores, e que advêm da “digitalização e do impacto da Internet of Things (IoT) — Internet das Coisas.”

Cada vez mais há características que são essenciais a um trabalhador que queira estar atualizado e que pertença a este mundo novo que se vive. Sofia Tenreiro, habituada a viver no universo das tecnologias, assegura que “já começa a ser exigida uma grande flexibilidade, novas competências digitais, enorme curiosidade e vontade de aprendizagem contínua e capacidade de adaptação às transições.” Do lado da empresa há a necessidade de acompanhar este novo perfil de trabalhador e assegurar que tem as “melhores ferramentas tecnológicas que garantam a produtividade em qualquer momento e qualquer lugar, bem como novas estratégias de integração dos colaboradores e adaptação às suas características e necessidades, sempre em mutação.”

Independentemente do produto, as empresas têm de se digitalizar e entrar na rede. Caso contrário, o mais provável é que sejam engolidas por todas as outras que se estão a tornar mais fortes. Sofia Tenreiro acha que sim: “Todas as empresas estão a tornar-se empresas tecnológicas, integrando nos seus modelos de negócio tecnologia e capitalizando a IoT.” Esta homogeneização da forma de trabalho significa uma “nova realidade”, que muda não só o cenário que se vive, como as formas de agir e a economia, havendo uma linha comum que aparece no horizonte: oportunidade.

Isto é, uma nova economia que “gera e representa não só uma oportunidade económica para as diferentes indústrias, mas também para os próprios profissionais, através de profissões híbridas. Ou seja, a combinação das Tecnologias de Informação (TI) com as diversas áreas — algumas delas até mais tradicionais, como a agricultura —, dando lugar a profissões na bioengenharia, informática das redes elétricas, desenvolvimento de aplicações digitais, sociais e de media, telemedicina, sistemas de ensino remoto ou desenvolvimento de aplicações inteligentes para edifícios, transportes, energia ou produção.”

No fundo, são redes que se criam dentro da rede da internet e das empresas. Se atualmente esta nova realidade começa a ser um ponto central das empresas, no futuro a mudança ainda vai ser mais assinalada.

Sofia Tenreiro baseia-se num estudo do World Economic Forum para fundamentar esta transformação. E explica: “65% das crianças que estão agora a entrar no ensino primário acabarão a trabalhar em profissões que ainda não existem.” Por tudo isto, terá de haver uma adaptação não só daqueles que já se movem no mundo profissional como dos que estão a preparar o futuro. Esta realidade não é novidade, mas agora acontece de forma cada vez mais célere.

A diretora da Cisco Portugal fala ainda num ponto que sempre foi necessário e nunca deixará de ser: a formação. “Naturalmente, a criação de emprego deverá passar também pela formação e adequação da atual força de trabalho para os empregos do futuro. Deste modo, a digitalização significa a criação de novas profissões e uma oportunidade de treinar os cidadãos para novas capacidades e levá-los até às profissões corretas para o futuro.”

A aposta no conhecimento e na atualização nunca foi tão necessária. Porque o mundo nunca mudou tão rápido.

O PERFIL ESSENCIAL DO EMPREGADO DO FUTURO

Adaptabilidade
Tem de saber viver em constante mudança. Ser curioso e, acima de tudo, 
ter uma constante vontade 
de melhoria pessoal e da empresa. O posto de trabalho físico pode ter os dias contados e por isso tem de saber funcionar em diversos ambientes. A adaptabilidade 
é essencial para um trabalhador do futuro.

Digital
As novas tecnologias, a internet das coisas são pontos centrais em qualquer área 
de negócio. O trabalhador
terá de estar atento às novas oportunidades que surgem desta realidade. Saber trabalhar em rede vai ser 
uma vantagem em qualquer profissão, mesmo nas mais tradicionais, porque um dia toda a economia 
se tornará digital.

Atualizado
A internet veio impor mudanças diárias e muito assinaladas em todas as profissões. O trabalhador 
do futuro vai ter de apostar ainda mais no conhecimento 
e aprender e treinar novas capacidades a uma velocidade vertiginosa. De forma a não ser ultrapassado. A base 
do sucesso será cada vez mais 
a formação.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 10 de dezembro de 2016

Trabalho em Rede