Um projeto Menu

Círculo da Inovação

Dar de volta à sociedade

Ana Maria Pimentel

Nuno Botelho

É preciso haver uma consciência social que faça as empresas contribuir para a comunidade. Garantem empreendedores sociais e grandes empresários

Um empreendedor social tem “um eixo de atuação” que pode ser partilhado nas empresas, diz Frederico Fezas Vital, da Terra dos Sonhos. Primeiro: apaixona-se, depois trabalha-se em equipa e, por fim, arranja-se competências para solucionar o problema. O segundo passo parece ser o mais difícil de ser posto em prática, refere por experiência Rosária Jorge, da Operação Nariz Vermelho. Traz o exemplo da contribuição social para a mesa: diz que apenas 10% dos portugueses estão disponíveis a contribuir socialmente no IRS, e que as 70 mil associações que existem em Portugal se deviam juntar para convencer os outros 90% a contribuir.

Zé Pedro Cobra, da Teixeira Duarte, acredita que o mote é sempre tentar ser útil e devolver à sociedade. “Ter uma noção de serviço em relação à comunidade e às empresas.” André Rocha vai ao passado para lembrar os tempos em que todas as empresas plantavam árvores no Amazonas, por oposição aos dias de hoje em que se começa a usar o impacto social que faça sentido nos negócios “e que ao fim do dia é bom para todos.” Porque “o bem social pelo bem social não pode ser autêntico e o bem social interessado não é pecado.” Frederico Fezas Vital defende um novo conceito de impacto social dentro das empresas “integrado na cadeia de valor e que incremente o negócio.” De forma a deixar de se falar em responsabilidade social corporativa “que é paternalista” para se falar num compromisso para o impacto social, “não numa lógica de filantropia.”

Sérgio Pereira, da Future Fuel, lembra que o mundo empresarial está construído para se falar em métricas financeiras. Mas é preciso ter um “sentido de propósito”, que “é sempre social”, acrescenta João Ricardo Moreira, da NOS. E que mais não seja pode resultar numa pressão da consciência da sociedade onde, depois de as empresas atingirem os primeiros objetivos e começarem a dar lucro, devem perguntar-se: “Estamos a gerar dinheiro para quê?”, como deixa no ar Rosária Jorge. Frederico Fezas Vital conclui dizendo que não há da parte das organizações sociais “uma demonização do lucro nem uma apologia da pobreza”.

Artigo originalmente publicado no Expresso a 3 de dezembro de 2016

Trabalho em Rede