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Círculo da Inovação

Marcelo convoca eleitos para Belém

Ana Maria Pimentel

Tiago Miranda

Na foto grande, Miguel Almeida, Francisco Pedro Balsemão e Francisco Pinto Balsemão recebem Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio da Ajuda. Em cima, Sarah Hamon, responsável ibérica do Linkedin, que explicou como funciona o mercado do trabalho na era da revolução digital. 
Em baixo, uma das quatro salas onde se falou de inovação, talento 
e acima de tudo mudança

O Expresso, a SIC Notícias e a NOS uniram-se para criar um movimento de novos gestores que resolvem os problemas das empresas. 100 indispensáveis apadrinhados pelo Presidente

Num Palácio da Ajuda recheado de gestores falou-se muito em criar valor. Mas o valor de que mais se falou não foi o monetário, foi aquele que pode surgir através das ideias, da união das pessoas pelo mesmo objetivo. Este é mote do ‘Círculo da Inovação’ que já encontrou os primeiros 100 inovadores que fazem mexer Portugal. São empreendedores novos — entre os 25 e os 45 anos — mas que já têm muita experiência e uma ambição de levar Portugal mais longe. Com o alto patrocínio da Presidência da República vão conversar, discutir ideias para o país e responder a desafios: esta semana, no dia da apresentação do projeto do Expresso, da SIC Notícias e da NOS, Marcelo Rebelo de Sousa convidou os 100 selecionados para Belém. O Presidente está disposto a “ouvi-los e aprender”. Tal como no ‘Círculo da Inovação’ a interação é fundamental. Esta foi a primeira reunião, até ao final do ano haverá mais quatro para discussão, análise e troca de ideias. 100 gestores, 100 inovadores, 100 empreendedores, todos fundamentais para o destino do país.

Quatro salas, quatro desafios

A conferência tinha um programa ambicioso, não se podia oferecer menos do que isso a quem todos os dias inova. Na primeira sala, Francisco Pedro Balsemão e Miguel Almeida, CEO da Impresa e da NOS, respetivamente, introduziram o tema “Aprender a Mudança”. Os discursos dos dois pareciam estar combinados, quando não se uniam completavam-se, numa simbiose entre a inovação e a mudança. Acentuaram a evolução, os riscos e, claro, a constante mudança. Nenhum deixou de fora as pessoas, fossem elas os colaboradores ou aquelas para quem trabalhavam. Francisco Pedro assegurou que a tranquilidade na liderança só é possível quando rodeados das pessoas certas. Miguel Almeida lembrou que ultrapassar desafios só faz sentido se depois as respostas inovadoras forem colocadas ao serviço dos cidadãos. Estava dado o mote, a inovação ia ser o tema do dia. E do momento. Segundo Miguel Almeida é um instrumento fundamental para atravessar o mar de oportunidades que o mundo oferece.

Os desafios mudavam assim como as salas, com as pessoas aconchegadas pela talha dourada e rodeadas pelos frescos. Ricardo Costa, diretor-geral de Informação do Grupo Impresa, definiu os objetivos e lançou o desafio: “Este é um movimento nacional”. Lembrou que aqueles eram apenas os primeiros 100, mas que “pelo país haverá mais gente com as mesmas características. Não é um grupo de elite, é um grupo-chave”.

João Ricardo Moreira, administrador da NOS, garante ser uma oportunidade que vai permitir um “novo paradigma de inovação aberta”. Pedro Brito, sócio fundador da Jason Associates, explicou o processo exaustivo que levou à escolha e seleção dos 100, lembrando que o mais importante é “amplificar estas vozes”. Foi então a vez de Francisco Pinto Balsemão, chairman da Impresa, e do Presidente da República partilharem a sua visão.

A visão

Francisco Pinto Balsemão e Marcelo Rebelo de Sousa estavam a jogar em casa, dominam o mundo da inovação. Os dois lembraram o dia em que, há 43 anos, jovens como a maioria que os ouviam, fundaram o Expresso. Francisco Balsemão lembrou a “importância da palavra loucura quando se fala em inovação”, lembrou que ele e Marcelo foram loucos e que só isso lhes deu coragem de enfrentar o lápis azul, de trazer a mudança e fazer daquele semanário um sucesso, sem nunca deixarem que a liderança os deixasse tranquilos.

Marcelo Rebelo de Sousa que ia rindo com as partilhas de outros tempos, voltou ao presente e redesenhou o futuro com a palavra inovação. Um dos maiores desafios do país, cuja estratégia precisa de ser repensada diariamente, ao ritmo da mudança dos tempos. Num discurso de consensos não deixou de reparar na disparidade dos números, “um terço de talentosas para dois terços de talentosos”, mulheres e homens a quem Marcelo ia dando conselhos, elevando-os ao nível da mais alta figura do Estado. Depois de terem sido apresentados os cinco temas que serão discutidos e analisados ao longo dos próximos meses — Gerir e Gerar Talento; Digitalizar; Trabalhar em Rede; Foco no Consumidor e Subir na Cadeia de Valor — Marcelo deixou o convite: pediu aos 100 selecionados que se encontrassem com ele em Belém para os “ouvir, para aprender”.
O dia terminou com Sara Harmon. A cara do Linkedin Ibérico “tem uma visão privilegiada do mercado de trabalho”. Diz com segurança que a inovação atrai os melhores talentos e que ninguém consegue escapar à necessidade humana de fazer ligações. Sempre de Linkedin ao peito, lembrou que a única coisa que se mantém do antigo mercado de trabalho são os cartões de visita. Hoje é o Linkedin que tem esse papel: “O novo relações públicas do mercado de trabalho.”

Numa apresentação de quem está habituada a falar em público — ainda que no início confessasse ser a primeira vez que falava à frente de um Presidente —, Sarah Harmon seguiu o caminho que Francisco Pinto Balsemão e Marcelo Rebelo de Sousa tinham lançado, lembrando que “às vezes não é o talento que conta, é a visão.” No final do dia, independentemente do discurso de Sarah Harmon os cartões de visita foram trocados a velocidades alucinantes. Ouviam-se promessas de reuniões, almoços a serem marcados. A expectativa é grande, têm às costas o peso da responsabilidade de terem sido os primeiros 100 escolhidos para fazer Portugal mexer.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 2 de julho de 2016

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