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Círculo da Inovação

2 gerações, o mesmo desafio

Ana Maria Pimentel

Como olham quatro gestores, vindos de períodos distintos, para problemas semelhantes?

João Figueirinhas da Costa*
Senior Talent Acquisition Specialist da Uniplaces

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É um dos mais novos dos 100 selecionados para o Círculo da Inovação, mas tem tanta vida e experiência como os mais velhos. Desde os tempos de escola, João Figueirinhas da Costa aprendeu que “para gerar talento é preciso ser proativo”. Nunca precisou de pensar na gestão que tinha de fazer da sua carreira, do seu talento, porque se foca em tudo a que se dedica como se daquele projeto dependesse a sua vida. Agora tem que gerir e gerar talentos na Uniplaces, com a consciência de que o mais importante é sempre a identidade “da empresa e do talento”. Não há um padrão que seja fácil ensinar, uma “prova dos nove que sempre resulte”. Foi ganhando a agilidade de distinguir entre quem tem talento e aqueles que o dizem ter. Não consegue explicar, há uma intuição quando analisa um perfil. E consegue “perceber à partida entre o que o talento é e o que quer ser”. Para que cresçam só há um truque: “Ser exigente.”

Miguel Almeida
CEO da NOS

Nuno Botelho

“Para criar talento é preciso criar as condições para o atrair.” Este é o ponto de partida do CEO da NOS que todos os dias se esforça para ter os melhores a trabalhar com ele. Com a noção de que os tempos são de inovação, e à frente de uma “empresa onde se inova todos os dias”, diz que hoje os “talentos não procuram apenas dinheiro”, querem “ter projetos aliciantes e inovadores”. Depois, o processo é de aprendizagem, tanto para a empresa como para o colaborador. “A partir do momento em que se cria uma cultura adequada que valoriza o talento, tudo tende a evoluir naturalmente.” Miguel Almeida não esquece o mérito, pois sem este não há talento: “É preciso mostrar às pessoas que o mérito conta”, sublinha. Ao longo dos tempos tem vindo a ajustar-se às realidades com a consciência de que as “novas gerações têm uma forma diferente de olhar para as empresas”.

Francisco Pedro Balsemão*
CEO do Grupo Impresa

Luis Barra

À frente de uma casa com 43 anos e com alguns anos ao leme dos Recursos Humanos, Francisco Pedro conhece os pormenores da gestão e geração de talento. Fala em inovação e diz que a “mudança é fértil para o sucesso se for preparada”. Alerta para uma estratégia de antecipação para que depois se “torne mais fácil estar na linha da frente”. Se talento gera talento, as empresas têm, por sua vez, de criar valores, uma cultura onde a “única hipótese é fazer com que os profissionais sejam bem-sucedidos”. No caso da Impresa passa maioritariamente por viver os tempos de mudança com os valores do passado, os valores de sempre: “Independência, qualidade, credibilidade e inovação.” É neste habitat que os talentos irão surgir se dentro deles for feito um “equilíbrio entre softskills e hardskills”. Se esta receita for seguida no final os profissionais unem-se com a empresa.

Luís Antunes*
Diretor de Recursos Humanos da PHC Software

Aprendeu com a experiência que para gerir talentos “é preciso dar autonomia e liberdade, mas que só se gera talento se for dada responsabilidade”. A inovação não fica fora das regras de Luís Antunes, assim como a adaptabilidade está no outro lado da equação: “É preciso saber adaptar-se à cultura da empresa e da marca.” Luís fez o seu caminho deixando um cunho pessoal, vestindo sempre a camisola das empresas por onde passou, “procurando o equilíbrio na defesa de todos os interesses, os próprios e os da empresa”. Na área das tecnologias da informação aprendeu a recrutar os melhores talentos num “mercado que nunca foi tão competitivo”. Garante que o “assédio aos colaboradores é diário” — tal como ele assedia os colaboradores de outras empresas.

* geração 25/ 45 anos

Artigo originalmente publicado no Expresso de 2 de julho de 2016

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