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Círculo da Inovação

Cinco desafios que marcam o Foco no Consumidor

Sean Gallup

Entre um melhor aproveitamente das plataformas digitais e estimular uma maior relação de proximidade, saiba quais os grandes desafios a enfrentar pelos selecionados neste tema do Círculo da Inovação

Joana Oom Sousa
Strategy and Business Development Manager da Sovena

“Ao longo da minha vida profissional, um dos meus maiores desafios tem sido promover e garantir que tudo o que fazemos acrescenta um valor significativo e é efectivamente útil. E quem servimos podem ser clientes, consumidores, população, investidores. Muitas vezes questionei: “E isto serve para quê? Algumas vezes não tive resposta.

Vivemos numa economia global, em constante mudança, onde os ciclos de vida daquilo que produzimos estão cada vez mais reduzidos. As pessoas estão cada vez mais informadas e exigentes e têm hoje uma enorme facilidade de mudar de serviço ou de produto. Por vezes à distância de um click.

Neste contexto, o desafio já não é só encontrar novas ideias, mas antecipar necessidades, avaliar tendências, identificar oportunidades, testar receptividade e implementar soluções. E tudo isto em tempo recorde. Como alguém dizia: “Think fast. Act quick”.

Com o objectivo de criar novas ofertas de valor acrescentado e acelerar o processo da sua disponibilização ao mercado, desenvolvi, há uns anos, um projeto para uma empresa em que, através de uma plataforma de crowdsourcing, foi possível motivar todos os níveis da organização a identificar, contribuir, discutir e avaliar ideias inovadoras. Daí surgiu um conjunto de propostas que rapidamente se transformaram em iniciativas concretas, de elevado valor acrescentado, totalmente focadas na melhoria dos produtos e serviços ao cliente. O envolvimento de todos no processo e o reconhecimento do seu contributo foram factores críticos de sucesso para que as ideias no papel se concretizassem em ofertas de maior valor e ficassem disponíveis no mercado num curto espaço de tempo.”

Marco Almeida
Senior International Expansion Parfois

“Quando me formei em Gestão e saí da Universidade Católica, vi algo em França que não havia em Portugal e que o consumidor português não tinha nem sabia, na sua maior parte, que existia. Os aquecedores de esplanada, tipo cogumelos a gás. Na altura fiquei representante desses aparelhos em Portugal e Espanha e fiz o trabalho de mostrar essa ‘coisa’ nova aos portugueses e espanhóis e criei a necessidade que até aí não existia. Houve uma altura em que as empresas de eventos em Portugal já não faziam eventos sem os “cogumelos” que eu alugava. Dei-me bem e vendi a empresa passados uns anos à BP Gás.”

Diogo Sousa Coutinho
CEO e fundador Noori Sushi

“Lançamos uma aplicação para acabar com as filas nos centros comerciais. Neste momento está em funcionamento na restauração. Funciona como uma encomenda através do telefone. Na aplicação é possível pagar, escolher e quando está pronto vamos buscar. O nosso objetivo é fazer com que deixe de haver filas.”

Ana Torres
Diretora World of Discoveries

“Aquando do desenvolvimento do projeto World of Discoveries - por um lado reportando ao meu background em projetos de natureza semelhante e, por outro lado, assente em estudos de tendências de mercado - traçamos o perfil do consumidor-tipo potencial do projeto e essa normativa esteve presente em todas as decisões estratégicas, operacionais e logísticas de desenvolvimento e implementação.

Exemplos concretos são a consideração das dimensões de espaço, corredores de transição, áreas mortas e caraterísticas ergonómicas dos equipamentos físicos, mecânicos, multimédia e de acesso. Por outro lado, essa mesma filosofia atravessou as estratégias de produção e desenvolvimento de conteúdos, linguagem e comunicação adotadas. A título de exemplo é o primeiro projeto na cidade a integrar conteúdos multilingue abrangentes e capazes de satisfazer as necessidades de todas as nacionalidades que integram o perfil de visitação da cidade.

Finalmente, o meu percurso e a tendência para questionar positivamente, procurando as soluções mais adequadas, levou à implementação de uma nova filosofia de museologia, muito mais focada na humanização da experiência do que na diversidade e coleção de objetos. A experiência de visita deixa de ser meramente contemplativa e, em certo modo até, solitária, para cruzar-se aqui e ali com dinâmicas de teatralização e encenação e/ou de contextualização por guias e atores que estão permanentemente prontos a surpreender com uma estória, uma curiosidade, uma aparição inesperada. Este facto é recorrentemente salientado pelos visitantes nas reviews e métricas de análise de satisfação. O poder redirecionou-se. há muito das caraterísticas físicas e técnicas do produto para o universo imaterial das marcas e sua capacidade para gerar experiências catalisadoras.”

Pedro Baptista
CE Marketing Head Samsung

“Crescimento da distribuição de proximidade, com sortidos limitados e forte presença de marcas próprias, criava um novo desafio para os fabricantes. Os investimentos de marketing eram substituídos por descontos directos, numa escalada promocional contribuindo para uma percepção geral de indiferenciação dos produtos e serviços dos fabricantes. Neste contexto, desenvolvi um criterioso projecto de CRM cujo objectivo era identificar e comunicar de forma personalizada com os lares mais valiosos do nosso país, cujo consumo chegava a representar duas vezes um lar médio e era enviesado para marcas de fabricante. Através de um trabalho profundo de angariação de dados e complexas ferramentas de segmentação foi possível comunicar, medir e gerar um crescimento de negócio de 16%, transversal às várias áreas de negócio.”

Foco no Consumidor