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Círculo da Inovação

Tecnologia marca desafio nº 2 do Círculo

Ana Maria Pimentel

Patrick Lux

Nunca se falou tanto em transformação ou revolução digital

As empresas vivem a necessidade de acompanhar a revolução digital. Um desafio com muitos outros por dentro

Depois de se discutir ‘Gerir e Gerar Talento’, chegou a vez de se falar de ‘Digitalizar no Círculo da Inovação’, um tema que marca a atualidade mas acima de tudo decide o futuro. Até ao final do ano falar-se-á ainda de ‘Criar Valor’, ‘Trabalhar em Rede’ e ‘Foco no Consumidor’.

A realidade é incontornável: nunca se falou tanto em transformação ou revolução digital. A consultora IDC estima mesmo que “dentro de dois anos, dois terços dos CEO das Global 2000 vão colocar a transformação digital no centro da sua estratégia corporativa.” Gabriel Coimbra, country manager da IDC, fala em “riscos de disrupção derivados das novas tecnologias, de novos players, de novas formas de fazer negócio” e lembra que hoje se as empresas querem ser bem sucedidas precisam de incluir componentes digitais nas estratégias de negócio. O country manager da IDC admite que a tecnologia sempre foi motivo de transformação.

Tanto Gabriel Coimbra como Rui Neves, CEO da Smart Consulting, acreditam que os desafios impostos às empresas são tão diferentes quanto as suas áreas de negócio, mas o factor investimento começa a ser cada vez menos um desafio impeditivo da digitalização: “Hoje, as soluções para a transformação estão mais massificadas, disponíveis na cloud e quase sempre num modelo pay as you use. O grande desafio é sobretudo ao nível do esforço necessário para mudar a cultura, processos e modelos de gestão em vigor nas organizações”, explica o country manager da IDC.

Também Rui Neves acredita que o investimento não serve de entrave, uma vez que “a transformação digital começa nas pessoas numa fase inicial e por isso o investimento nunca será um tema. Existe atualmente uma oferta gigante no mercado de sistemas de informação onde se pode adquirir software open source para suportar algumas áreas de negócio.” Esta mudança de cultura faz-se, diz Gabriel Coimbra, com o apelo “ao conhecimento da inovação digital e de estratégias eficazes que consigam promover uma cultura, as competências e o capital necessário para se ser bem-sucedido num negócio.”

Para Gabriel Coimbra, são os cérebros à frente das empresas que precisam ter “capacidade de executar na perfeição estratégias digitais bem desenhadas, percebendo se estas se estão a tornar um elemento competitivo importante nos dias de hoje e fonte de uma nova onda de investimentos.” Na mesma linha de pensamento, Rui Neves lembra-se de um estágio que fez em 2006, quando a gestão de stocks era feita com recurso a um papel e a uma caneta, e que, por isso, às vezes,“num sector de atividade mais envelhecido pode existir menor abertura e disponibilidade para que a inovação surja”. O CEO da Smart Consulting alerta para a importância da definição dos processos internos, cuja cultura deve ser orientada para inovação , mudança e com disponibilidade para formações se necessário.

Na cultura popular diz-se que “que a pressa é inimiga da perfeição”. Rui Neves leva a expressão para o mundo digital, onde a “fase de implementação (seja de que sistema for) deve ser gradual e não envolver todos os departamentos ao mesmo tempo”, a par de um processo de investigação e validação de áreas, parceiros e processos. Numa era em que tudo parece ser feito em rede, Rui Neves fala na necessidade de uma rede de proximidade com universidades, politécnicos e empresas.
Os dois têm os discursos alinhados, mas se Gabriel alerta para o facto de a “estratégia digital ser apenas um meio para se atingir um fim”, Rui lembra que “a tecnologia deve sempre ser vista como um meio mas nunca como um fim em si mesmo”.

Artigo originalmente publicado no Expresso de 30 de julho de 2016

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