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Círculo da Inovação

"A outra geração" que não deixa de ensinar

Assim definidos por Mira Amaral na primeira breakout session do Círculo de Inovação, dedicado ao "Digitalizar", os gestores com mais de 45 anos também procuram soluções inovadoras para os desafios colocados por este tema. Sem esquecer a experiência. Perceba como, na segunda parte da rubrica "2 gerações, o mesmo desafio"

LUÍS MIRA AMARAL
Economista

“Eu sou de outra geração, acho que os jovens não podem esquecer algumas coisas básicas: a física, a matemática, os softskills, o conhecimento das línguas. E depois durante a vida vão ter que evoluir, e só evoluem se tiverem esta formação básica, estas capacidades. Só dar formação digital é altamente perigoso. Se um jovem entrar como programador e não evoluir, vai ser ultrapassado mais tarde por outro jovem mais atualizado. As nossas escolas superiores — universidades e politécnicos — deviam reciclar aqueles cursos que não têm saídas, formar aqueles que fugiram da matemática e não têm trabalho [nas áreas tecnológicas]. As qualificações das novas formas de trabalho na era digital são uma questão que a classe política e as unidades sindicais têm que tornar possível, para que Portugal entre na onda da competitividade.”

PAULO CALÇADA
CEO Porto Digital

“Gostava de salientar o desafio do tempo e da escala. Não podemos só olhar para dentro, temos que olhar para o aglomerado de pessoas que fazem parte do Porto. E não são clientes, são pessoas que nos elegeram, que ativamente participam no processo da transformação da cidade. Todas as terças-feiras temos reuniões com o núcleo do executivo, as pessoas podem participar e reclamar. Não é fácil falar de inovação a esta escala. Em particular quando a esta escala a palavra inovação está impregnada de uma conotação que às vezes não está ligada aos problemas reais, do dia a dia. Trabalhar esta dinâmica é um desafio que só se resolve com tempo e paciência. Fomos durante estes últimos três anos pegando na metodologia tradicional, aumentando a escala e trazendo as pessoas à revolução tecnológica. Não é um orçamento participativo, mas é um consulta na forma como podemos resolver os nossos desafios com tecnologia.”

Artigo originalmente publicado no Expresso de 16 de julho de 2016

Digitalização