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Círculo da Inovação

As dez melhores ideias do Criar Valor

GETTY

Recorde as ideias para o país apresentadas pelos nossos escolhidos ao longo deste mês e veja as que mais se destacaram

Stephan Morais, Administrador Executivo Caixa Capital

“Implementar legislação que torne viável e competitivo internacionalmente a atribuição de stock options a empregados e fundadores de startups em Portugal - uma das grandes falhas actuais do ecossistema em Portugal”

Pedro Oliveira, Project Leader Patient Innovation

“Devíamos começar a educar os jovens mais cedo para a importância de uma cultura empreendedora, estudando casos reais de sucesso e insucesso, mostrando que arriscar e falhar é normal. Esta atitude deveria ser passada logo no ensino primário e depois de forma mais consistente no secundário. Aliás isto ajudaria a mostrar-lhes a importância da educação.”

Teresa Abecasis, Commodities and Operations Director Sovena

“Aposta num programa de envolvimento da sociedade civil na promoção da qualidade das infra-estruturas. Exemplos: “Adote uma rua”, “Adote um parque infantil”. As pessoas dispersas, de um bairro, associação ou grupos de amigos, organizar-se-iam para constituir uma equipa que faria a promoção de uma infraestrutura à escolha, garantindo execução atempada de limpezas e obras e cuidando dos pormenores para que o espaço fosse tão simpático quanto possível. As equipas seriam reveladas à comunidade com sinalética no local de intervenção e também com informação online da história das pessoas e dos objetivos para a infraestrutura.

Este tipo de projetos contribui para uma sociedade civil mais forte e comunidades mais integradas e por isso mais saudáveis e capazes. Por outro lado, o que pudermos melhorar nas infraestruturas do nosso país é ganho, não só para os residentes mas para a muita população turística que por aqui passa.”

Pedro Antão Alves, Diretor Comercial e Inovação ENGIE

Portugal podia ser uma referência na Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT)! A IoT refere-se a sensores e atuadores ligados à internet sobre os quais podemos obter dados ou executar ações. Por exemplo, ligar as luzes do jardim através do telemóvel ou saber a qualidade do ar em nossa casa. Em ambiente industrial, o mesmo conceito tem merecido diversos nomes (industrial internet, internet 4.0, entre outros) e refere-se à ligação de diferentes equipamentos entre si. Uma vez que não existe em Portugal um fabricante de equipamento industrial à escala mundial, fiquemo-nos pelo mercado doméstico e de escritórios.

Uma plataforma IoT inclui diversos componentes, como os módulos de interface, a conetividade, e a plataforma onde se configuram e desenvolvem aplicações específicas, até ao resultado disponibilizado ao cliente final. Se por um lado os módulos de interface (sensores, atuadores) envolvem competências de design e engenharia normalmente abundantes em locais como Silicon Valley nos Estados Unidos, a integração e desenvolvimento de casos de utilização envolve menor investimento e competências de desenvolvimento de software e interface com utilizador, disponíveis em Portugal.

Além de ser a costa leste da Europa, com capacidade atrair talento, Portugal tem uma população que aderiu fortemente ao telemóvel/smartphone e poderia ser o “balão de ensaio” de aplicações IoT. Tomando como exemplo o mercado da energia, o consumo das casas e dos escritórios, representa cerca de 20% do consumo da energia mundial. Uma aplicação que consiga uma redução de apenas um por cento corresponde a uma poupança de €50 mil milhões (considerando 100€/MWh). Além do consumo responsável, os cidadãos estão cada vez mais sensíveis ao conforto e a IoT pode potenciar aplicações muito interessantes.

A minha ideia é que se identifique qual o segmento mais interessante na cadeia de valor e se alinhem investimento, formação e oportunidades em torno de uma estratégia para construir um ecossistema dedicado ao desenvolvimento de aplicações baseadas em Internet of Things.”

Sandra Correia, CEO Pelcor

“Criação de um programa de partilha de experiências concretas, entre empreendedores sénior e jovens, assente num processo de mutualismo. Ou seja, uma das maiores dificuldades que os empreendedores sentem é: sei onde quero chegar, tenho os meus objetivos, mas não sei como chegar ou atingir esses objetivos. Nestas situações é vital existir em Portugal um programa que permita aos empreendedores sénior, que já percorreram esse caminho, partilhar com os mais jovens, como devem fazer e por onde devem ir. Incluindo mesmo a partilha de networking, adaptado a cada área de negócio. Em Portugal temos ainda receio em partilhar como alcançamos os nossos objetivos, falamos muito do que atingimos, mas não sobre o que tivemos de fazer para alcançar esses objetivos. Era importante que a partilha fosse mais aberta. Isto poupa tempo aos mais jovens e ajuda a evitar erros.”

Pedro Paxiuta de Paiva, Diretor Euronavy Engineering

“A internacionalização é uma das chaves para o sucesso das economias nacionais. No caso específico de Portugal (sobretudo pelo facto de cerca de 99,9% das empresas nacionais serem PME e cerca de 96% serem Micro Empresas), o acesso a recursos para expansão e um aumento significativo do volume de negócios é, comparativamente com outros países, reduzido. Deste modo torna-se imperativa a adoção de uma estratégia que permita o fornecimento de produtos e serviços diferenciados (com valor apercebido por parte dos clientes), agregada a uma definição clara de quais os nichos de mercado pretendidos (que minimizará os impactos em caso de falhanço – muitas vezes fatais para as empresas).

Uma possibilidade para ultrapassar estas limitações é a implementação de uma estratégica de parcerias locais (joint ventures) com empresas locais nos países de destino, estejam elas já presentes no mercado ou não. Desta forma, além da redução dos riscos inerentes, agregar-se-á ao negócio um fator de extrema importância e muitas vezes menosprezado: o conhecimento do meio envolvente que compõe o mercado.”

Luís Flores, CTO Introsys

“Incentivos fiscais para quem exporta e investe no estrangeiro. Quem exporta deveria poder deduzir em sede de IRC o investimento que faz no estrangeiro, seja deduzindo os prejuízos fiscais dos primeiros anos, ou mesmo parte do investimento que realiza. Obviamente, desde que houvesse reflexo nas exportações do país.”

Daniel Elias, Responsável Produção e Desenvolvimento Galp Energia

"Estimular o espírito pioneiro. Estruturar um programa que identifique as entidades que são pioneiras a nível mundial nas artes, ciência ou tecnologia. Reconhecer o seu mérito, promover a sua visibilidade. De forma sustentada, fomentar a interação destas entidades com todas as áreas da sociedade. Passar a mensagem que, de forma humilde e sem preconceitos, todos podemos ser pioneiros na nossa área de atividade (independentemente da nossa escala/condição)"

Pedro de Goular Mendes, Diretor de Marketing Secil

“Deveremos pensar e trabalhar seriamente a marca Portugal e, apesar de poder existir uma parte de aplicação imediata, terá de ser sempre pensada a médio/longo prazo e de forma estrutural. Seria necessário realizar um trabalho de base onde pudéssemos identificar o nosso próprio espaço e posicionamento, preferencialmente diferenciador de tudo o que existe, baseado nas nossas forças actuais e futuras forças a desenvolver – as oportunidades identificadas.

Existem actualmente alguns segmentos, além do turismo, onde somos internacionalmente reconhecidos como especialistas de qualidade e onde algumas marcas até se destacam, mas que eventualmente perderão algum potencial de crescimento sustentável por não existir uma estratégia nacional concertada para poder potenciá-las, suportá-las internacionalmente e ajudá-las a chegarem a um superior patamar de excelência.

Alguns países nórdicos com igual ou menor dimensão que Portugal conseguem desenvolver superbrands internacionais até uma dimensão que nós não temos sido capazes. A Suécia tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que Portugal e é a casa-mãe do IKEA, como sabemos, mas também de outras marcas como H&M na área da moda e de reconhecidas marcas na área da tecnologia como Spotify, Skype ou as mais antigas Erickson ou Nokia. A Dinamarca, com metade dos habitantes de Portugal também é a base de algumas marcas emblemáticas como LEGO, Carlsberg e Tuborg, Bang&Olufsen, BoConcept ou Tiger.

Ainda do mundo da Escandinávia, um tema um pouco menos consensual, tem a ver como way of life destes povos. A sua cultura alicerçada no civismo, educação, sentido de responsabilidade e equilíbrio trabalho/família poderão ser discutidos como sendo uma consequência ou a base de partida para um pib per capita duas vezes superior do de Portugal, mas a verdade é que são notáveis algumas das características culturais e cívicas nestes países.

Pode ser considerado puro idealismo, mas caso existisse interesse e esforço para tal, poderíamos estabelecer um plano apartidário onde nos proporíamos criar uma sociedade portuguesa mais próxima destes valores, uma sociedade mais equilibrada, uma sociedade mais feliz. Teria de ser claramente um plano a longo prazo (eventualmente várias gerações...) com investimento forte especialmente na área da educação, de forma a podermos caminhar e chegar a um patamar pretendido.”

Claudia Ranito, CEO da Medbone

“Portugal devia aproveitar o know-how dos estudantes universitários e fazer com que as investigações feitas nas mais diversas áreas fossem para a frente (postas no mercado) e não passassem do papel. Haver um elo de ligação e cooperação entre as faculdades e as empresas.”

Criar Valor