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Círculo da Inovação

Nascer global. Pensar global. Sucesso global

Tiago Oliveira

Mario João

A necessidade de pensar além fronteiras foi um dos tópicos mais discutidos na mesa redonda

As exportações e a internacionalização são fatores-chave para as empresas criarem valor em Portugal e crescerem de forma sustentável

Repita várias vezes na sua cabeça, até já ser um só no seu cérebro: internacionalizar, exportar, crescer. Sem querer entrar em heresias (mas traído pelas semelhanças), é a santíssima trindade do Criar Valor, a acreditar no credo definido pelos participantes na segunda breakout session do Círculo da Inovação — projeto desenvolvido pelo Expresso, SIC Notícias e NOS para encontrar uma nova geração de gestores em Portugal —, em que terá sido dos poucos tópicos a reunir consenso absoluto.

Para os 19 participantes (17 dos escolhidos e dois CEO convidados) não há novidades. Ou seja, o mercado português é pequeno, em muitos casos já está saturado e por isso a única opção que resta ao empreendedores e gestores portugueses é a internacionalização. Miguel Pina Martins, CEO da Science For You, garante que tal já nem é uma questão. Hoje as empresas já nascem globais, pensam no mercado como um todo desde o momento em que criam a empresa. “Quem quer ser empreendedor, necessita de ter o mindset virado para a exportação”, atira.

Chegar ao capital

Uma mentalidade que parece ganhar cada vez mais terreno no tecido empresarial nacional, como os números atestam. Apesar do abrandamento que se está a registar este ano, de acordo com dados do Banco de Portugal as exportações de bens e serviços tiveram uma taxa de crescimento médio anual 4,7% nos últimos cinco anos. Entre 2012 e 2015, o saldo da balança comercial de serviços foi positivo, o que significa um inverter da tendência relativamente à história recente. Em 72,7%, a União Europeia foi o destino, com máquinas e aparelhos a representarem 14,6% das vendas além-fronteiras. Em 2015, foi o Holanda o maior investidor em Portugal, com 24,9% do total, embora este valor tenha caído 5,2% face a 2014.

Temos uma posição “extremamente conservadora na entrada de novos players”, aponta o Engineering Director da Introsys, Luís Flores, que não tem “trabalhado no mercado nacional” para chegar ao financiamento. O capital, essa palavra elusiva se uma empresa não pensar no internacional. Quem é o diz é João Escobar Henriques, Executive Investiment Director da Fosun, para quem “ainda há um preconceito quanto ao investimento chinês”, por exemplo. Num país onde é “difícil criar valor e sem dimensão”, temos de nos especializar para atingir o dinheiro e a sustentabilidade. Um lugar ao sol no mercado global.

Números da Exportação

557
milhões de euros foi o défice da balança comercial em 2016, de acordo com os últimos dados do INE

49,8
mil milhões de euros em bens foi quanto Portugal exportou em 2015, segundo informações do Eurostat

Artigo publicado originalmente no Expresso de 17 de setembro de 2016

Criar Valor