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Círculo da Inovação

As grandes obras estão de volta

Ana Baptista

António Pedro Ferreira

Maioria é de escritórios e habitação nova, mas há hospitais, casas para estudantes e até projetos públicos

Depois de três anos focados na reabilitação de edifícios antigos, maioritariamente em casas de luxo e apartamentos turísticos, os promotores imobiliários privados — portugueses e estrangeiros — estão agora regressar aos grandes projetos de construção nova que se faziam nos tempos áureos antes da crise.

Claro que ainda há muitas reabilitações em curso, mas na lista destas grandes obras há agora hospitais, escolas, residências para estudantes e para idosos, espaços de coworking e, acima de tudo, grandes complexos de escritórios e de habitação, uma boa parte dela com preços mais acessíveis.

“2019 será o ano dos projetos de maior escala e da construção de raiz que vem dar resposta ao aumento da procura e à necessária renovação do stock. O pipeline de novos empreendimentos a chegar ao mercado quer na habitação quer nos escritórios será de certeza mais robusto este ano e irá fortalecer-se nos próximos”, diz o diretor-geral da consultora JLL, Pedro Lancastre.

Os exemplos são muitos (ver caixa de pontos). Em Lisboa, há a grande intervenção nos terrenos da antiga Feira Popular que foram vendidos no ano passado e onde vão nascer vários edifícios de escritórios, de habitação e ainda zonas de comércio. Há ainda o Exeo Office Campus, um complexo de três edifícios de escritórios no Parque das Nações, junto à Gare do Oriente, que vai custar €150 milhões à promotora Avenue. Ou, um pouco mais abaixo, na rotunda perto da desativada torre de gás da Galp, a construção das 150 residências turísticas do Martinhal Residences, um projeto de €130 milhões. Já no Porto, há o caso do Porto Office Park — ou POP como lhe chamam na gíria imobiliária — que representa um investimento de €100 milhões.

E isto são apenas alguns dos que arrancam este ano. Há já muitas outras obras planeadas para 2020, como é o caso de um empreendimento da espanhola Kronos Homes que vai surgir também no Parque das Nações, mesmo por baixo do hospital Cuf Descobertas, e terá 240 casas para primeira habitação. Do projeto da empresa portuguesa Habitat Invest que vai ter 165 casas perto da Alta de Lisboa e que vai custar €45 milhões.

50 mil casas e 410 mil m2 
de escritórios

De acordo com as estimativas do presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Manuel Reis Campos, “neste momento estarão já em obra e em desenvolvimento cerca de 50 mil casas novas”. Claro que não ficarão todas terminadas em 2019, talvez até 2021 fiquem, salienta, “mas depois este ano serão anunciadas mais, ou seja, o stock está sempre a renovar-se”, diz. “E estamos a falar só de habitação nova, ainda falta a reabilitação urbana cuja carteira de encomendas estimamos que tenha aumentado 24,8% em 2018”, acrescenta.

A isto juntam-se os 410 mil m2 de escritórios que estão projetados até 2022, segundo a consultora JLL, dos quais 78 mil m2 deverão ficar concluídos já este ano.

De facto, diz o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Manuel Reis Campos, “todos os barómetros preveem a continuação do crescimento da produção na construção em 2019. A nossa perspetiva é que aumente uns 4% face a 2018, um ano em que estimamos que a produção tenha subido 3,5%”.

Contudo, enquanto o crescimento de 2019 se baseará nas grandes obras, o de 2018 foi sustentado por pequenos projetos de reabilitação, principalmente para habitação, turismo (airbnb, hostels ou alojamento local) e espaços de coworking.
“A AICCOPN estima que o número de edifícios reabilitados tenha crescido 18,2% entre setembro de 2017 e setembro de 2018”, acrescenta. E prevê ainda que se tenham concluído cerca de 20 mil casas novas no ano que agora terminou.

É que, de acordo com os dados mais recentes da associação, baseados nas estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE), até ao final de setembro de 2018 concluíram-se 14347 casas novas, mais do que as 14020 concluídas em 2017 todo”, diz. Aliás, repara, “o número tem estado sempre a subir desde 2014, que foi o pior ano de sempre, com apenas 6785 casas novas construídas. No ano seguinte foram 8129 e em 2016 foram 11.355”.

É, por isso, que Pedro Lancastre diz que, apesar do crescimento em 2018 e do que está já em carteira para 2019 e anos seguintes “ainda estamos longe dos níveis de produção que se registavam há uma década. É fulcral acelerar a produção de novos imóveis sob pena de o mercado não conseguir acompanhar a procura e perder o momento”.

Mais obras públicas

No que respeita ao investimento privado, Reis Campos não tem dúvidas de que “as perspetivas para 2019 são muito boas”. Mas o presidente da AICCOPN recorda que a todo esse investimento é preciso juntar as obras públicas. “2018 foi um ano mau nas obras públicas, mas estamos confiantes que vão avançar agora em 2019”.

As casas para arrendamento acessível que a Câmara de Lisboa tem vindo a promover são um exemplo, mas são também a extensão do metropolitano de Lisboa ou o novo aeroporto de Lisboa, a construir no Montijo, anunciados há duas semanas pelo primeiro-ministro, António Costa.

Mas há ainda “as obras que estão previstas no plano nacional de investimento. No total, são 53 projetos de €6 mil milhões, dos quais ainda só se fizeram nove obras de €500 milhões”, acrescenta Reis Campos. “Ou seja, ainda há muito para fazer”, remata.

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