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Círculo da Inovação

Juros da dívida perto de mínimo histórico

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros das obrigações a 10 anos caíram no mercado secundário para 1,582% durante a sessão de sexta-feira, já muito próximo dos mínimos registados em março de 2015 quando foi lançado o programa de compra de dívida pública pelo BCE

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos desceram esta semana para níveis que já não se registavam no mercado secundário desde março de 2015, quando atingiram mínimos históricos perto de 1,5%. O que abre uma janela de oportunidade para os leilões regulares de dívida portuguesa, não estando, ainda, nenhum anunciado pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

No prazo a 10 anos, os juros chegaram a cair para 1,582% durante a manhã da sessão de sexta-feira. Níveis tão baixos só se verificaram entre 12 e 14 de março de 2015, com um mínimo de 1,511% durante a sessão do dia 12 daquele mês. Naquela ocasião, o Banco Central Europeu (BCE) tinha acabado de iniciar o programa de compra de dívida pública dos países do euro no mercado secundário.

Os juros fecharam na sexta-feira em 1,591%, uma descida de 13 pontos-base (0,13 pontos percentuais) em relação ao final do ano, quando encerraram em 1,723%.

O mercado da dívida pública (e dos periféricos da zona euro) atravessa, de novo, um momento favorável, com os investidores a preverem a continuação de uma política cautelosa por parte da equipa de Mario Draghi à frente do BCE. Não esperam, por isso, surpresas desagradáveis na quinta-feira aquando da reunião de política monetária do BCE, a que se seguirá a habitual conferência de imprensa dado pelo italiano.

BCE prossegue estímulos, mercado agradece

Apesar do fecho do programa de compra no final de dezembro, o BCE prossegue uma política de estímulos, reinvestindo as amortizações dos títulos que detém em carteira, e garantiu que não mexe nas taxas diretoras – que estão em mínimos - pelo menos até durante o próximo verão.

Com as previsões de abrandamento da economia da zona euro de 2019 a 2021, os investidores anteveem que o BCE travará medidas adicionais de aperto na política monetária, mesmo depois da saída de Draghi no final de outubro, e que poderá inclusive revisitar o lançamento de novas linhas de financiamento de longo prazo barato à banca.

A inflação na zona euro também não descola em direção ao objetivo da política do BCE (abaixo, mas próximo de 2%), tendo descido para 1,6% em dezembro. O excedente comercial da zona euro caiu de 26,8 mil milhões de euros em outubro para 20,3 mil milhões no mês seguinte, segundo os últimos dados disponíveis.

Na última intervenção perante o Parlamento Europeu, Mario Draghi rejeitou um cenário de recessão na zona euro, mas avisou que a desaceleração económica será mais longa do que o anteriormente previsto. Nas previsões publicadas este mês, o Banco Mundial projeta um abrandamento progressivo do crescimento anual de 1,9% em 2018 para 1,3% em 2021.

Recorde de procura em operação sindicada

O prémio de risco da dívida portuguesa exigido pelos investidores em relação ao custo de financiamento da dívida alemã caiu 21 pontos-base (0,21 pontos percentuais) desde o final do ano. A própria diferença em relação ao custo de financiamento da dívida espanhola encurtou-se.

O Tesouro ainda não anunciou o primeiro leilão do ano de obrigações. No último, realizado em novembro passado, o Estado pagou 1,908% na dívida a 10 anos. Em leilões de OT a 10 anos, a taxa mais baixa de sempre, de 1,67%, foi paga em maio do ano passado.

No entanto, Portugal já regressou ao mercado de dívida obrigacionista tendo lançado, a 9 de janeiro, uma nova linha de OT para servir de referência a 10 anos. Pagou 1,978%, a taxa mais baixa de sempre numa operação organizada por um sindicato bancário naquele prazo. A procura atingiu um recorde de €24 mil milhões, tendo o Tesouro emitido €4 mil milhões.

Espanha e Alemanha colocaram, esta semana, dívida através de leilões e pagaram juros mais baixos do que em operações anteriores similares.

Economia