Um projeto Menu

Círculo da Inovação

Uma bracarense na elite de Buffett. Emília promove Sonae no festival dos investidores, em Omaha

Abílio Ferreira

DR

Emília Vieira participa este sábado na assembleia anual de acionistas da companhia de Warren Buffett

Há quatro anos, Emília Vieira ofereceu um cavaquinho a Warren Buffett. Esta sexta-feira participa na conferência Best Ideas Omaha 2018

A bracarense Emília Vieira, fundadora da gestora de patrimónios Casa de Investimento (CI), está habituada à alta roda da finança mundial desde que em 2014 participou pela primeira vez na assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway, a companhia de Warren Buffett.

Emília nunca mais perdeu a conferência que todos os anos, no início de maio, congrega a imensa comunidade de acionistas (40 mil) da Berkshire e esgota lotação do Qwest Center em Omah, no Nebrasca.

É uma liturgia que se tornou numa espécie de Woodstock para capitalistas e que este ano decorre amanhã, sábado.

Um cavaquinho para Buffett

A gestora investe nas suas carteiras em ações da Berkshire Hathaway e segue a política de investimento de Buffett, com a calma olímpica de quem pensa a longo prazo em empresas com valor intrínseco superior à cotação.

Na estreia, há quatro anos, tornou a experiência mais memorável ao levar um cavaquinho fabricado pelo artesão Domingos Machado para oferecer a Buffett, um colecionador deste tipo de instrumento.

Emília optou por deixar o cavaquinho na sede da empresa, ao cuidado de Buffett. Poucas semanas depois o magnata enviou-lhe um simpático cartão de agradecimento.

As melhores ideias de investimento

Na versão de 2018, a expedição de Emília Vieira ganha um brilho especial. A presidente da CI será oradora esta sexta-feira na conferência que, à margem do festival Berkshire, reúne uma seleta tribo de investidores de todo o mundo, interessados em conhecer as melhores ideias de investimento.

A iniciativa é da Manual of Ideas Global (MOI Global), que organiza conferências e edita uma publicação que promove o ideário do investimento em valor.

E o que vai Emília sugerir? O investimento em ações da Sonae SGPS, uma das raras cotadas portuguesas que a CI segue.

Porquê Sonae?

Sonae, porquê? Porque Emília confia na gestão da família Azevedo e reconhece ao conglomerado um valor intrínseco superior ao preço atual.

Segundo a gestora, a Sonae acumula “um conjunto de fundamentos que a qualificam para figurar figurar na lista de Best Ideas Omaha 2018".

É “um excelente investimento” pelas seguintes razões: a holding gere “negócios líderes de mercado em diferentes áreas, apresenta um histórico de boa gestão e de criação de valor para os acionistas e transaciona com um desconto significativo face à nossa estimativa de valor”, justifica Emília.

Na base do modelo de avaliação da CI há um conceito-chave: moat (fosso), uma forma de medir a vantagem competitiva da companhia pelo fosso que a separa dos concorrentes.

Duplicar em sete anos

Sete anos depois da sua fundação, a CI gere mais de 100 milhões de euros e duplicou o valor das aplicações feitas no ano de abertura – a rentabilidade média anual está nos 10%.

No seu currículo, Emília Vieira conta com passagens pela União de Bancos Suíços (UBS) e sociedades financeiras das principais praças mundiais, tendo participado na criação do mestrado em Finanças da Universidade Católica. Fundou a loja da corretora Fincor em Braga, antes de colocar a capital do Minho no mapa da gestão de fortunas com a CI. É a única sociedade gestora instalada fora de Lisboa e Porto.

Valorizar uma carteira “é tão simples como fazer dieta: é preciso disciplina para resistir ao circo diário e pôr em prática a receita teórica", decreta Emília.

O primeiro mandamento do seu decálogo segue um conselho de Buffett: Comprar barato, “abaixo do valor intrínseco da empresa”. O preço de compra tem de ser tão atrativo que até com uma venda normal se alcance o resultado pretendido.

E na linha de Buffett, Emília aconselha os aforradores que sejam gananciosos “quando os outros têm medo e que tenham medo quando os outros são gananciosos”.

Economia