Uma bracarense na elite de Buffett. Emília promove Sonae no festival dos investidores, em Omaha
16h43 - 04.05.2018
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Emília Vieira participa este sábado na assembleia anual de acionistas da companhia de Warren Buffett
Há quatro anos, Emília Vieira ofereceu um cavaquinho a Warren Buffett. Esta sexta-feira participa na conferência Best Ideas Omaha 2018
A bracarense Emília Vieira, fundadora da gestora de patrimónios Casa de Investimento (CI), está habituada à alta roda da finança mundial desde que em 2014 participou pela primeira vez na assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway, a companhia de Warren Buffett.
Emília nunca mais perdeu a conferência que todos os anos, no início de maio, congrega a imensa comunidade de acionistas (40 mil) da Berkshire e esgota lotação do Qwest Center em Omah, no Nebrasca.
É uma liturgia que se tornou numa espécie de Woodstock para capitalistas e que este ano decorre amanhã, sábado.
Um cavaquinho para Buffett
A gestora investe nas suas carteiras em ações da Berkshire Hathaway e segue a política de investimento de Buffett, com a calma olímpica de quem pensa a longo prazo em empresas com valor intrínseco superior à cotação.
Na estreia, há quatro anos, tornou a experiência mais memorável ao levar um cavaquinho fabricado pelo artesão Domingos Machado para oferecer a Buffett, um colecionador deste tipo de instrumento.
Emília optou por deixar o cavaquinho na sede da empresa, ao cuidado de Buffett. Poucas semanas depois o magnata enviou-lhe um simpático cartão de agradecimento.
As melhores ideias de investimento
Na versão de 2018, a expedição de Emília Vieira ganha um brilho especial. A presidente da CI será oradora esta sexta-feira na conferência que, à margem do festival Berkshire, reúne uma seleta tribo de investidores de todo o mundo, interessados em conhecer as melhores ideias de investimento.
A iniciativa é da Manual of Ideas Global (MOI Global), que organiza conferências e edita uma publicação que promove o ideário do investimento em valor.
E o que vai Emília sugerir? O investimento em ações da Sonae SGPS, uma das raras cotadas portuguesas que a CI segue.
Porquê Sonae?
Sonae, porquê? Porque Emília confia na gestão da família Azevedo e reconhece ao conglomerado um valor intrínseco superior ao preço atual.
Segundo a gestora, a Sonae acumula “um conjunto de fundamentos que a qualificam para figurar figurar na lista de Best Ideas Omaha 2018".
É “um excelente investimento” pelas seguintes razões: a holding gere “negócios líderes de mercado em diferentes áreas, apresenta um histórico de boa gestão e de criação de valor para os acionistas e transaciona com um desconto significativo face à nossa estimativa de valor”, justifica Emília.
Na base do modelo de avaliação da CI há um conceito-chave: moat (fosso), uma forma de medir a vantagem competitiva da companhia pelo fosso que a separa dos concorrentes.
Duplicar em sete anos
Sete anos depois da sua fundação, a CI gere mais de 100 milhões de euros e duplicou o valor das aplicações feitas no ano de abertura – a rentabilidade média anual está nos 10%.
No seu currículo, Emília Vieira conta com passagens pela União de Bancos Suíços (UBS) e sociedades financeiras das principais praças mundiais, tendo participado na criação do mestrado em Finanças da Universidade Católica. Fundou a loja da corretora Fincor em Braga, antes de colocar a capital do Minho no mapa da gestão de fortunas com a CI. É a única sociedade gestora instalada fora de Lisboa e Porto.
Valorizar uma carteira “é tão simples como fazer dieta: é preciso disciplina para resistir ao circo diário e pôr em prática a receita teórica", decreta Emília.
O primeiro mandamento do seu decálogo segue um conselho de Buffett: Comprar barato, “abaixo do valor intrínseco da empresa”. O preço de compra tem de ser tão atrativo que até com uma venda normal se alcance o resultado pretendido.
E na linha de Buffett, Emília aconselha os aforradores que sejam gananciosos “quando os outros têm medo e que tenham medo quando os outros são gananciosos”.
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