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Círculo da Inovação

O Orçamento de Assunção Cristas

Isabel Moreira

A intervenção de Assunção Cristas na quinta-feira a propósito do Orçamento do Estado (OE) disse pouco do que a mesma vê de errado no mesmo, mas disse tudo acera do que seria um OE feito pelo CDS.

A intervenção da líder está encoberta no estilo encharcado em adjetivos, diz muitas vezes “cobarde” e coisas assim, o que indicia a fraqueza do que tem a dizer relativamente à substância do OE.

Dentro desse estilo que pensa fazer de si uma líder forte está o que faria se pudesse desenhar um OE.

Quando Assunção Cristas ataca o governo pelo aumento de pensões previsto para 2017 e braceja com as “pensões mínimas” está evidentemente a confessar várias coisas: mantém a convicção segundo a qual a CES não deveria ser eliminada antes de 2019; as pensões contributivas que o governo a que pertenceu congelou deveriam manter-se indiferenciadas das pensões não contributivas; daria atenção às pensões mínimas não contributivas sem condições de recursos (ou seja, de pessoas que não são necessariamente pobres), contribuindo para a destruição do sistema nacional, universal e público que temos; e continuaria animadamente a atirar milhares de idosos para a pobreza, porque, até hoje, Assunção Cristas ainda não percebeu o que é o Complemento Solidário para Idosos (CSI).

Assunção Cristas, pelo meio dos adjetivos, vai confessando que não só manteria os cortes nas pensões como iria mais longe nesses cortes.

Hoje, o CDS é um partido que tem uma visão assistencialista da Segurança Social Pública no que respeita a pensões e a reformas. Quer destruir a lógica do sistema, essa que dita que a minha reforma e a minha pensão resultam de uma carreira contributiva. As pensões e as reformas não são medidas sociais de combate à pobreza. São, repito, o resultado de uma carreira contributiva.

O CDS quer destruir a segurança social como a conhecemos. Não estamos esquecidos que a sua intenção primeira era o plafonamento. A ideia consistia em estabelecer um limite máximo de contribuições para a Segurança Social a partir do qual quem estivesse no ativo podia optar por fazer as suas poupanças no sistema público ou em sistemas mutualistas ou privados.

Recordados?

Depois, como não chegou a consenso com o PSD, Assunção Cristas recuou e apresentou uma proposta de plafonamento(zinho), era mais ou menos assim: não havia limites máximo. Era uma adesão (voluntária) dos trabalhadores (e das entidades empregadoras) a um sistema de aforro suplementar que, por defeito, seria criado no regime público, mas que podia ser privado ou mutualista, conforme a opção de cada um.

Recordados?

O projeto foi chumbado, claro.

Assunção Cristas, quando se atira ao que está previsto neste OE em matéria de pensões não se pode esquecer que nós sabemos o que fez e o que faria. Podendo.